
Minha culpa, minha máxima culpa. Confesso que não tenho tido a serenidade de recusar as vozes exteriores com a mesma força que costumo recusar as vozes interiores. Mas depois de yogar, respirar diversas vezes e recuperar o que restou de minha sanidade, vejo que não há diferenças importantes entre as vozes que vêm de fora e as que vêm de dentro. São gritaria sem sentido e como tais devem ser tratadas — como armadilhas, como obstáculos, como ameaças. Com freqüência essas vozes se travestem de conselhos sinceros, de desejos legítimos, de medos incontornáveis, mas são o que são: gritaria sem sentido. Raramente elas têm alguma conexão com o silêncio interior, raramente elas ecoam a voz de Deus.
Não se trata de permanecer em meditação, mas de perceber a importância do silêncio interior na realização das tarefas realmente necessárias — e agir em silêncio e buscando silêncio. Não se trata de eliminar as vozes, mas de eliminar aquilo que lhes dá origem e que as alimenta — talvez assim a legião se dissolva em indivíduos realmente conscientes da gritaria em que estão mergulhados e capazes de sair dela.
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Conseqüência, idéia, pólo, enjôo, tranqüilo, auto-estrada.
Estas e outras palavras continuarão a ser grafadas neste blog como sempre foram: com português correto, brasileiro, não-unificado e distante das mãos polutas de políticos que mal conseguem escrever “assessor” sem consultar o próprio.
O que impressiona na reforma ortográfica é o adesismo. Tão logo aprovada a reforma, ela foi prontamente adotada pelos meios de comunicação — todos eles. Desconheço exceções. Por que a pressa? Por que a pronta adesão a tudo que vem de cima?
(Não sei a quantas anda a população — a maioria também não sabe como escrever “assessor”, flerta com o miguxês e certamente ficou aliviada por poder dispensar o trema.)
De minha parte o que posso fazer é desobedecer e sugerir que mais e mais pessoas façam o mesmo. Por quê? Alguns motivos muito simples:
1) Políticos não têm autoridade para instituir o que quer que seja no que diz respeito ao idioma que usamos. Pode-se argumentar que foi formada uma equipe de lingüistas e que os estudos e opiniões deles é que determinaram a reforma ortográfica. Tanto pior, pois demonstra que políticos simplesmente não conseguem pensar sozinhos e não entendem dos assuntos que discutem, aprovam e desaprovam.
2) Um dos objetivos da reforma ortográfica foi unificar o português utilizado em países tão diferentes como Angola, Portugal e Brasil. Numa escala nacional, isto equivaleria a querer que os baianos parassem de falar “ó xente” e que os gaúchos parassem de falar “bah tchê”. Experimente dizer a um inglês que o idioma que ele fala é igual àquele falado pelos norte-americanos.
3) No que diz respeito ao idioma, existe algo muito mais importante e preocupante do que um punhado de acentos: a novilíngua que é o que proíbe que uma abortista seja chamada de abortista.
4) No que diz respeito às ações políticas (e a reforma ortográfica foi uma ação política), deve-se perguntar sempre duas coisas. Primeiro, quem está propondo; geralmente a simples identificação das pessoas, grupos ou instituições responsáveis pela proposta elimina qualquer dúvida sobre suas motivações reais (isto é, não divulgadas). Segundo, quem se beneficia com a proposta; não se surpreenda se houver um abismo separando as evidências e as intenções declaradas. A reforma ortográfica não sobrevive a estas duas questões.
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Pediram ao fotógrafo Danny Lyon ajuda para desenhar uma cidade. Esta foi sua resposta (clica para ampliar):
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Visto primeiro no A Barriga de um Arquitecto
O blog em banho-maria indica que algo deve estar acontecendo longe daqui. De fato está.
Tem sido um período de transição para mim. Encontro-me em processo de mudança de cidade, mudança de trabalho e mudança de mentalidade. Nem eu acredito ter idade para crises e para a necessidade de mudar a mentalidade. Não tenho mesa própria para virá-la. Não tenho sequer um trabalho normal que torne uma mudança profissional realmente significativa. Não tenho nada. Tenho a mim mesmo, conto com a ajuda preciosa de umas poucas pessoas que amo e sigo somente porque ficar deitado não vai garantir minha tigela diária de açaí e ainda por cima eliminará qualquer possibilidade de ter um gato para cuidar um dia. Como se vê, tenho pretensões miúdas e há pessoas ao redor que dizem que isso é que me destrói as chances de realmente ser alguém um dia.

As pessoas têm medo de si mesmas. O consumo, o barulho, a sociabilidade excessiva — todas estas coisas são formas de dissolver a atenção e de desviá-la da única coisa realmente importante: você mesmo. Nem mesmo as religiões mais antropocêntricas são capazes de ampliar a compreensão que o indivíduo tem sobre si mesmo. O diálogo entre Deus e o homem fica reduzido a uma gritaria sem sentido, em que se assume que os dois são plenamente conhecidos.
Oras, se parece razoável perguntar quem ou o que é Deus, é ainda mais razoável e necessário perguntar-se quem você é e se a voz que se dirige a Deus é a sua própria. Deus não se importa com a sua desonestidade. Ele sabe quando você mente ou diz a verdade. A sua mentira não faz a menor diferença para Deus, mas faz alguma para você. Não existe código moral que o obrigue a dizer a verdade, mas não há dúvidas da importância de saber intimamente se o que você diz é verdade ou mentira. Saber o que se sabe e saber o que não se sabe — a sabedoria constitui-se, em grande parte, da consciência sobre a extensão do próprio conhecimento. Seja o sim sim e o não não.
Em outras palavras, a pior forma de dirigir-se a Deus é aquela em que não reconhecemos nossa própria voz. O primeiro passo é, portanto, reconhecê-la. Não é algo simples.
Se faz frio e você pensa “estou com frio”, é relativamente fácil saber até que ponto trata-se de uma reação autêntica. Pode-se admitir que seu corpo é algo que você pode controlar razoavelmente bem (a rigor, as coisas não são bem assim, mas isto fica para outra ocasião). Problemas começam a surgir quando começamos a falar de emoções, desejos e aversões. Pensar “estou com frio” é algo bem diferente de pensar “vou comprar um paletó” ou “não gosto desta blusa”. Sentir frio e pensar em como está frio são reações bastante naturais e espontâneas. Atenuar a sensação de frio com uma blusa de lã ou uma xícara de chá são ações decorrentes de várias outras coisas além do frio e do efeito do frio em seu corpo. Seu corpo sente frio, mas não é só seu corpo ou só sua mente que decidem vestir uma blusa quente ou beber chá. O que quero dizer é que a autenticidade de um gesto é diretamente proporcional à “distância” percorrida desde o objeto ou fenômeno observado até o gesto propriamente dito — e não é difícil perceber que quando a voz é a nossa própria, essa distância costuma ser bem pequena.
Se você consegue distinguir a própria voz, terá mais condições de distinguir cada voz do mundo e, conseqüentemente, saberá reconhecer a voz de Deus quando Ele se dirigir a você.
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— Retorno, finalmente.
— A rotina a dois experimentada durante as festas pode não ser o test-drive ideal para o futuro casamento — porque nenhuma rotina inclui preguiça e diversão ininterruptas —, mas que foi excelente, foi. Em verdade, poucas coisas poderiam ter sido melhores. Ela estava comigo.
— Apesar da boa companhia, sair da rotina não é tão bom quanto estar nela. Decerto trata-se de uma dificuldade muito minha, a de lidar com a alteridade. Começo o novo ano fazendo exatamente as mesmas coisas que fazia quando o ano passado se encerrou. Felizmente.
— Cidades grandes podem ser um bom lugar para viver, a despeito das maldições que já lancei contra elas. Condição necessária para isso é encontrar um modo de vida que dispense todas as atividades, hábitos e posses que nos expõem a esses problemas. Por exemplo, viver perto do trabalho permite andar a pé, que permitirá apreciar o lugar em que se vive e notar suas vantagens e desvantagens. Quem vive dentro de um carro obviamente não tem olhos para a cidade.
— De forma análoga, pouco adianta viver numa cidade pequena e manter exatamente os mesmos hábitos de uma cidade grande — incluindo o carro, a ignorância (i.e. o hábito de ignorar o que há ao redor) e o vício frenético do consumo. Turistas não compreendem isso, claro, e são a fonte de inspiração para quase todas as coisas ruins que afetam as cidades pequenas.
— Digo estas coisas porque ainda não fixei raízes onde quer que seja. Passo meus dias numa cidade grande, em caráter provisório. Olho com certa nostalgia e interesse as cidades pequenas, mas sei que a realidade desses lugares é menos deslumbrante do que parece. No fundo, sei que o problema maior é a brasilidade e que a qualidade de um lugar depende da capacidade que seus habitantes de levar uma vida positivamente alienada — isto é, com olhos voltados ao que realmente importa, àquilo que está ao redor, não nos telejornais.
Não morri, não fui preso, não abandonei este blog. Apenas estou colocando a casa em ordem nestes primeiros dias de 2010. Retornarei em breve.
Aos que continuam acompanhando este blog, muito obrigado.
É preciso ser muito míope para ver como mera expressão de consumismo rasteiro toda a movimentação das semanas que antecedem o Natal.
Aos olhos dos detratores do Cristianismo — ateus, na maioria, porque qualquer pessoa com uma dose mínima de de religiosidade não perde tempo com acusações tolas — o Natal é apenas uma festa de consumo. As luzes que enfeitam ruas, casas e edifícios não passam de meios de ampliar as vendas de vários tipos de quinquilharias chinesas. A correria nas lojas e nos mercados são arrogância burguesa, que não liga a mínima para a massa de miseráveis que mal consegue comprar um panetone de padaria. A febre de consumo leva algumas pessoas a gastar num bibelô dinheiro suficiente para a ceia de uma família inteira. Papai Noel é uma mentira sádica. Etc.
O que essas pessoas não conseguem ocultar é o fato simples de que as luzes quase sempre são um desejo sincero de tornar os lugares mais luminosos e belos. A maioria das pessoas não compra presentes para si, mas para pais, filhos e outros parentes próximos, além de amigos. Pode-se até dizer que a maioria dá presentes para “praticar a generosidade”, para causar boa impressão e conquistar a aprovação e a gratidão de outrem, mas mesmo que isso seja uma manifestação egocêntrica e pouco espontânea, ela não esconde o fato simples de que algo bom está sendo oferecido sem que, na maioria dos casos, haja expectativas realmente sérias e censuráveis de que haja um retorno. Histórias infantis e mentiras não são a mesma coisa; logo, Papai Noel está desculpado.
O que não se pode ocultar é que, afinal, o Natal venceu. Certamente ainda estamos distantes do ideal cristão — expresso, por exemplo, no Sermão da Montanha; todo o espírito do Cristianismo está contido nele; o Natal deveria ser uma celebração do nascimento e também da mensagem de Jesus. Mesmo assim, mesmo com pessoas imperfeitas e que “confundem o dedo com a Lua”, é inspirador que todos anos, num mundo cada vez mais confuso e caótico, as pessoas ainda encontrem tempo, disposição e recursos para se reunir com parentes e amigos ao redor de um presépio, de uma árvore iluminada, de uma mesa cuidadosamente organizada e celebrem, ainda que de forma discreta, aquele que trouxe Luz Divina ao mundo.
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Neste Natal, que sejamos dignos de celebrar o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo e que sua luz continue nos iluminando e nos indicando os melhores caminhos.
Natal é uma data para agradecer e retribuir. O maior presente de todos já nos foi dado mais de dois mil anos atrás.
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A todos vocês, um Feliz Natal e um Ano Novo próspero, com dias cada vez melhores.
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…é o custo estimado da meta brasileira de redução de emissões de carbono.
Num cálculo rápido, esse dinheiro seria suficiente para dar uma bicicleta para cada brasileiro e construir muitos quilômetros de ciclovias. Mas a indústria automobilística segue bombando de um lado e os aquecimentistas seguem pregando seu evangelho de outro.
Cáspite.

Tranqüilo, em sua praia particular
A farsa do aquecimento global foi revelada, mas a mídia não deu o braço a torcer.
A revelação de fraudes em pesquisas sobre o aquecimento global não parece ser motivo para abandonar a causa, mas, antes, reafirmá-la com ainda mais veemência, principalmente às vésperas do encontro em Copenhagen que decidirá os rumos das questões ambientais.
A atitude da mídia internacional não impressiona, porque é através do alarmismo apocalíptico que se cria o ambiente propício à servidão voluntária. Professoras do ensino fundamental, estudantes universitários e outros neófitos ambientalistas (a maioria convertida através do filme de Al Gore e da exposição repetida ad nauseam às reportagens da TV Globo) formam uma legião de idiotas úteis prontos a repetir os argumentos favoráveis à idéia de que o planeta se aquece porque lançamos dióxido de carbono demais na atmosfera.







dizem por aqui