Parshvakakasana2

Utilidade pública, pelo menos para quem pratica yoga.

Havia um site que mostrava 611 imagens de asanas (posturas do yoga) demonstradas por Dharma Mittra, um brasileiro que vive em Nova York que é considerado por muitos (por mim e por um de meus professores, inclusive) como um dos grandes mestres da atualidade. As imagens vieram do livro “608 Yoga Poses”, um livro à altura do famoso “Light on Yoga”, de B. K. S. Iyengar.

Pois bem. O site saiu do ar, mas tive tempo de salvar todas as imagens. Na verdade, ainda é possível ver as imagens uma a uma aqui. Para facilitar a pesquisa, reuni todas as imagens num único arquivo compactado, que pode ser baixado aqui.

Não precisa agradecer. Pratique.

cows

O problema não está no apego, mas no apego às coisas erradas. Ligamo-nos às coisas que mudam constantemente e isso nos faz mudar também e nos torna cegos para as leis eternas. Se pensarmos estritamente, o apego permite a continuidade da vida.

Não é uma grande ajuda jogar todas nossas roupas fora, amanhã elas ainda serão necessárias. Vivemos e temos fé na vida, nos valores morais, no maior valor do bem sobre o mal porque acreditamos na existência do futuro. Mas ter fé na vida é uma coisa, ter fé na vida porque estamos usando Armani é outra coisa. Não confunda unda com…

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Filosofias orientais insistem no tema da dissolução do ego e algumas até o aproveitam para causar uma embriaguez que de fato trará essa dissolução — como quando oramos ou entoamos um mantra até um ponto em que não reconhecemos mais nossa própria voz, embora ela ainda esteja ali, orando ou entoando o mantra. Mas o que me permite viver é saber que não sou aquilo que não sou. Eu digo algo que você não diz, sinto dores ou prazeres que você não sente. Assim, de que forma é possível dissolver o ego e por que isso é importante?

A maioria das pessoas se satisfaz sendo o que é. As pessoas não querem ter aquele corpo ou ser aquele sujeito rico; as pessoas querem ter aquele corpo ou ser ricas como aquele sujeito e continuar sendo exatamente aquilo que são. O sujeito quer melhorar sua vida, mas não quer deixar de ser o asno que faz brincadeiras de mau gosto com os colegas no trabalho — «eu não vou mudar por causa deles». Não há a menor percepção de que há princípios de vida subjacentes a uma vida rica ou saudável (ou simplesmente melhor).

A chave da mudança consiste em encarar sinceramente os princípios que o tornaram aquilo que você é.

Eu gosto de historinhas zen. Até disponibilizei um ebook com uma boa coletânea aqui em meu site. O problema é que muitas dessas histórias não fazem sentido ou, quando não fazer sentido é o objetivo expresso da história (originando assim um koan), ela já está resolvida de tão conhecida que é. Há o problema do deslocamento, da quantidade de poeira acumulada sobre essas histórias, do preconceito, dos clichês.

Muitas dessas histórias tornaram-se exatamente aquilo que pretendiam criticar ou evitar. Cristais bonitos, mas com pouca utilidade — a não ser que o indivíduo tenha aprendido antes da leitura aquilo que a história pretende ensinar.

Eu penso com freqüência em finais alternativos para histórias conhecidas na tradição zen. E vejo, aos poucos, que esse exercício tem alguma relação com aquilo que o conjunto dessas histórias pretende ensinar. A idéia é precisamente transcender aquilo que já foi dito — não porque inovar é bacana, mas porque é interessante exercitar aquilo que achamos que aprendemos.

Nan-In, um mestre japonês durante a era Meiji (1868-1912), recebeu um professor de universidade que veio lhe inquirir sobre Zen. Este iniciou um longo discurso intelectual sobre suas dúvidas.

Nan-In, enquanto isso, serviu o chá. Ele encheu completamente a xícara de seu visitante, e continuou a enchê-la, derramando chá pela borda.

O professor, vendo o excesso se derramando, não pode mais se conter e disse:
«Está muito cheio. Não cabe mais chá!»

«Como esta xícara,» Nan-in disse, «você está cheio de suas próprias opiniões e especulações. Como posso eu lhe…»

Antes que o mestre pudesse terminar a frase, o professor pegou a xícara e a lançou no chão, que ficou coberto de chá e cacos de louça rústica. O mestre sorriu suavemente.

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Existe a idéia solidificada de que todas as ações afirmam algo — e que elas devem afirmar algo. É possível não afirmar nada? Talvez não seja. A respiração é a reafirmação constante da própria vida e do desejo de viver. Atenhamo-nos então às afirmações mais essenciais, mais elementares, mais necessárias.

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A lição definitiva do exercício de conscientização é dissolver a consciência, porque conscientizar-se profundamente significa perceber que não há o que perceber, que não há o agente e o objeto da percepção. Perguntar sobre métodos para tornar-se mais consciente é a reação mental típica, a armadilha de Jñana, que em muitos casos conduz ao fracasso. Sua utilidade está em cansar a mente a um ponto tal que ela pare de fazer perguntas, pare de querer saber, pare de tentar controlar e perceba verdadeiramente.

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A razão nos coloca nesta ou naquela direção e há diferenças entre lançar-se de um penhasco e caminhar com segurança numa praça. Naquilo que é elementar é bom dar ouvidos ao que a razão diz — débil e claudicante, mas nos economiza o tempo de reinventar rodas. Mas e depois? Como se escolhe uma direção quando se está parado em silêncio e repouso? Como e por que escolher uma direção quando não há bifurcações ou quando elas só existem na mente?

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Não morri, não fui preso (meu avô sempre perguntava se eu havia sido preso quando ficava muito tempo sem visitá-lo), não estou morando num mosteiro. Apenas mudei de cidade. Estou passando um tempo — semanas, meses, anos ou a vida toda, ainda não sei — longe de minha cidade, praticando e estudando yoga.

Uma das conseqüências do estudo de uma disciplina espiritual é o distanciamento da rotina anterior, supostamente não-espiritual. Isto explica minha ausência. E também explica meu crescente desinteresse por todas as coisas que não tenham relação com a disciplina em que me coloquei. Não se trata de empáfia, como ocorre com freqüência com os iniciados, mas de comedimento, moderação ou, como se costuma dizer, de freio na língua. Trata-se de não abrir a boca sobre assuntos desconhecidos, porque o estudo mostra nosso desconhecimento e os riscos de apostar na própria erudição. Você vê adiante a longa trilha que tem a percorrer e sabe que falar é perda de tempo, é desvio, é estupidez. E por isso se cala e volta-se para sua disciplina.

Por isso a ausência e o silêncio.

Entretanto, como é sensato não deixar este site desvanecer, eis alguns tópicos que têm me acompanhado estes últimos dias.

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Yoga

Aquilo que usualmente se chama yoga é na verdade um ramo do yoga: o hatha yoga, que em grande parte limita-se à prática de asanas (lê-se «áçanas») e à preparação do corpo para a meditação. Uma das descobertas mais interessantes nestes meus primeiros dias como estudante de yoga está relacionada à insuficiência da prática física — ou à sua natureza transcendental. Contorcer-se é bom, mas não é o bastante. A prática de asanas melhora a saúde, reforça os músculos, previne problemas articulares, torna a postura mais bonita e equilibrada, beneficia a respiração, a circulação e a condição física geral do indivíduo. Mas lapidar o espírito é outra coisa. O praticante pode tornar-se um paspalho narcisista ao perceber os primeiros resultados da prática dos asanas e permanecer assim indefinidamente.

Outro problema, não menos sério, é que o praticante também pode tornar-se um paspalho narcisista ao perceber os primeiros resultados do yoga sobre o espírito. A ascese genuína não dá espaço para efeitos colaterais desse tipo; saber identificá-la e distingui-la é parte do treinamento do yogi.

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Leituras

O modo como a cultura torna os seus filhos sociáveis é lhes ensinando a confiar primeiramente nos julgamentos que estão fora deles mesmos. Para socializar uma criança você precisa inspirar nela somente três princípios: aceitar a informação vinda de fora, buscar as recompensas exteriores e ignorar a voz interior, caso ela conflite com o que vem de uma autoridade externa. Essa é a maneira de treinar uma criança para que ela seja membro de uma sociedade. Por isso, quando a mãe diz «faça isso», você faz, mesmo que sinta em seu coração que não é o certo. Se você se sair bem agindo dessa forma, será bem-sucedido na sociedade; caso contrário, será um proscrito.

Quando dizemos «confie na sua intuição», quando passamos a encorajar isso, estamos revertendo o processo. Quando despertamos, começamos a agir de dentro para fora, e não de fora para dentro — e essa é a transformação que realmente buscamos. Ela conduz a um comportamento baseado não no auto-interesse esclarecido, mas nos mecanismos de um coração desperto.

Trecho de Caminhos para Deus — Ensinamentos do Bhagavad Gita, de Ram Dass.

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Opera 10

O melhor navegador da atualidade ainda está em fase beta, mas traz inovações que podem tirá-lo do injusto ostracismo em que se encontra (não à toa, o Opera é injustamente conhecido como «o melhor navegador que ninguém usa»). Além da tradicional velocidade e grande quantidade de recursos, a atual versão do Opera traz o serviço Opera Unite, um novo conceito de compartilhamento de dados.

Com o Opera Unite o PC se torna um servidor com a capacidade de compartilhar arquivos, imagens, músicas. Sem novidades, você dirá, porque diversos programas fazem isso — como os programas de torrent e de compartilhamento P2P. A diferença é estes programas fazem todas essas coisas separadamente. O Opera Unite reúne todas as funções de compartilhamento de arquivos (e várias outras funções) no navegador, tornando-as mais fáceis e rápidas de utilizar, sem necessidade de uploads, sem necessidade de add-ons ou plugins.

Saiba mais aqui.

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O triunfo do indivíduo

Acho que encontrei resposta para uma dúvida antiga e freqüente (freqüente, sim, eu estou me lichando para a súcia ortográfica): num mundo cada vez mais desorganizado e sobrecarregado com informações contraditórias ou falsas, como encontrar equilíbrio, paz de espírito e, mais importante, como encontrar a Verdade?

A resposta está no indivíduo. Sua consciência é naturalmente capaz de testemunhar a realidade e interpretá-la e distinguir o real do irreal, a verdade da mentira, a ordem do caos. O filósofo Olavo de Carvalho expressa essa idéia de forma brilhante na frase que apresenta seu site: «Somente a consciência individual do agente dá testemunho dos atos sem testemunha, e não há ato mais desprovido de testemunha externa do que o ato de conhecer.»

Perco-me com freqüência no excesso de notícias, de escritos, de idéias, de discussões. Encontro-me quando deixo estas coisas de lado e busco o indivíduo (ou os indivíduos) por trás de tudo — minha própria consciência e a consciência de quem transmite a informação. Ocorre então uma identificação semelhante àquela cumplicidade que ocorre entre autor e leitor (nos bons livros). Vejo a pessoa que se manifesta, que escreve, que diz algo, que realiza estas ou aquelas ações. E a confusão se desfaz: a pessoa manifesta claramente tudo aquilo que supostamente permanece invisível ou intocável, ela completa as lacunas eventualmente esquecidas.

Não são idéias, não são notícias, não são discussões — são indivíduos. Boa parte dos problemas deste mundo está na facilidade de ignorar as pessoas e tomá-las por aquilo que nunca serão — qualquer coisa, menos gente.

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small house

Você, morador de Ilhabela que raramente sai do arquipélago ou que, quando sai, raramente vai além de São Sebastião ou Caraguatatuba, deveria assumir o compromisso cívico de deixar a cidade uma ou duas vezes por ano com o objetivo estrito de visitar uma grande cidade, olhá-la com atenção e, pelo contraste, tentar entender o lugar em que vive, vislumbrar virtudes, problemas e perspectivas.

Para mim, as duas cidades que servem de referência para este exercício são Santos e São Paulo. Não vou perder meu tempo falando de São Paulo — os problemas da capital paulista são bem conhecidos, assim como suas poucas virtudes que ainda resistem ao caos de edifícios e automóveis. Costumo dizer que «caos» já não serve mais para definir São Paulo; esta cidade chegou a um nível em que o termo não dá conta do que acontece por lá.

A cidade de Santos merece um olhar mais atento. Read the rest of this entry »

O Profeta, do escritor libanês Kahlil Gibran, disponível para download.


Aquilo a que chamais liberdade é a mais forte dessas cadeias, embora os seus aros brilhem à luz do sol e vos ofusquem a vista. E o que é isso senão fragmentos do vosso próprio ser de que vos libertareis para vos tornardes livres?

Se se trata apenas de uma lei injusta que ireis abolir, essa lei foi escrita com a vossa mão apoiada na vossa fronte. Não podereis apagá-la queimando os livros das leis, ou lavando as frontes dos vossos juizes, embora despejeis o mar sobre eles. E se é um déspota que ireis destronar, certificai-vos primeiro de que o trono
erigido dentro de vós também é destruído. Pois como pode um tirano mandar sobre os livres e os orgulhosos, senão exercendo a tirania sobre a liberdade deles e sufocando-lhes o orgulho? E se se trata de uma preocupação que quereis fazer desaparecer, essa preocupação foi escolhida por vós e não imposta. E se é um receio que quereis afastar, a origem desse receio reside no vosso coração e não na mão daquele que receais.

Na verdade, todas as coisas se movem dentro do vosso próprio ser em constante meia união, o desejado e o receado, o repugnante e o atraente, o perseguido e o de quem quereis escapar. Estas coisas movem-se dentro de vós como luzes e sombras, aos pares, agarradas.

Para registrar apenas, porque isso foi bem divertido:

Comentei uns posts atrás que havia concluído o mestrado na FAU-USP. A banca de apresentação e defesa da dissertação aconteceu numa sexta-feira, dia 22 passado.

Anteontem, dia 1º de junho, recebi carta da mesma FAU-USP informando que a banca seria naquele dia, 22 de maio. O mais interessante é que o carimbo no envelope indica que a carta foi enviada no dia 25. Infelizmente a data da própria carta sumiu porque a cachorrada feizufavô de comer o cabeçalho.

Resumindo: a banca acontece num dia; três dias depois o aviso de que a banca vai acontecer é enviado pelo Correio; o aviso finalmente chega ao seu destino doze dias depois da banca ter acontecido.

Eu entendi direito ou estou preso num vórtex temporal?

virus pc

O objetivo deste pequeno guia é listar e explicar brevemente os principais passos necessários para lidar com pragas virtuais. Isto inclui prevenção, detecção e resolução de problemas como vírus, invasões e perda de contas de email, Orkut e outros tipos de informações pessoais na Internet.

A maioria das dicas que passarei aqui é genérica, isto é, elas não se aplicam diretamente a uma praga específica ou a um tipo específico de invasão, conta hackeada no Orkut ou MSN, popups saltando enquanto você navega etc.

Embora genéricas, essas dicas podem ajudar a melhorar a segurança ao usar internet e deixar o PC mais estável — e, em alguns casos, podem ajudar a remediar problemas bastante comuns, como infecções de vírus e invasões ou hackeamentos de contas.

Lembro ao leitor que não sou técnico e muitas das sugestões deste manual apenas fazem parte de meus hábitos como usuário de PC e internauta. Recomendarei alguns programas, mas a afinidade pessoal também determina certas escolhas.

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violência

Há muitas maneiras de resolver um problema. A melhor delas é conhecer suas causas. Sem esse conhecimento o problema pode até ser resolvido, mas se as causas não forem eliminadas, o problema voltará, provavelmente com mais força.

Estas afirmações dizem muito a respeito do problema da violência. Não é difícil descobrir as causas da violência. Uma delas é a desorganização do Estado no combate ao crime. O Estado organizou-se bastante para assuntos que considera fundamentais, como alimentos saudáveis em cantinas escolares, a cruzada antitabagista em estabelecimentos privados e as lágrimas da menina Maísa na TV. Enquanto isso, quarenta mil homicídios por ano não são suficientes para tornar o assunto prioridade máxima. Mata-se mais no democrático e malemolente Brasil do que no radical e belicoso Oriente Médio.

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clavin thesis
Imagem meramente ilustrativa

Fim.

Depois de três anos no mestrado da FAU-USP, a dissertação foi entregue, avaliada, apresentada e discutida com três professores. Falta apenas pegar o certificado ou diploma — não sei como chamam isso na pós-graduação.

Quem tiver muito, mas muito interesse em saber mais sobre minha dissertação ou até baixá-la e lê-la na íntegra, vá até o Insular. Como muitos notarão, eu a disponibilizei por lá porque toda a pesquisa é sobre a cidade de Ilhabela.

lula gls

Não se deixe enganar pelos bons samaritanos que hoje se mobilizam em benefício das minorias. Primeiro porque ser minoria não atesta a miséria ou a opressão do indivíduo. Ser minoria significa apenas fazer parte de um grupo númerica e relativamente pequeno. Minoria é panfleto, bandeira e palavra de efeito na boca desses mequetrefes. Não existe miséria onde as pessoas fazem três refeições ao dia e não existe opressão onde qualquer pessoa pode sair à rua para expressar qualquer idéia, por mais idiota ou nula que seja.

Em segundo lugar, porque a mobilização em benefício das minorias acontece em detrimento das pessoas que não fazem parte delas. É justo ajudar pessoas necessitadas, mas não é justo que isso ocorra com prejuízos aos direitos de quem mal sanou as próprias necessidades.

Estas duas razões ajudam a compreender o perigo das ações afirmativas.

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