Eu não chego a ser um geek — faltam-me o tempo, a inteligência e a dedicação para me tornar um –, mas sinto que aquela curiosidade que caracteriza o personagem existe em mim. Eu mudo constantemente os softwares que uso (não mudo o hardware porque isso exige dinheiro), busco sempre versões diferentes das que eu uso como forma de melhorar a performance de meu computador, independentemente daquilo que está na crista da onda.

Minha sacada mais recente (sacada para mim, é claro) é o downgrade. Como o próprio nome diz, o downgrade é o contrário do upgrade. Significa retroceder, desatualizar, buscar versões antigas de softwares. Claro que não há muita lógica em fazer downgrade no hardware. O interessante do downgrade é você rodar em seu computador versões antigas de programas atuais.

O que há de bom nisso? Imagine rodar em seu Pentium 4 um AutoCAD 14 ou um Corel 7. O computador ficará mais rápido e mais leve, liberando capacidade de processamento e megabytes que podem ser utilizados com coisas mais importantes. Eis a graça.

Claro que nem todo programa permite downgrade; não faz sentido, por exemplo, usar versões antigas de um antivirus. Navegadores também exigem versões atuais para que todos os recursos recursos dos sites atuais (como este que você está lendo) possam ser vistos. Mas qual a diferença, por exemplo, entre usar o novíssimo Office 2007 e a versão 97? Se você é um usuário doméstico, que o utiliza apenas no maximo para escrever cartas e trabalhos escolares, não há diferença. Você não precisa do Office 2007, assim como não precisa do Photoshop CS3, do Corel X3 ou do Windows Vista, a coqueluche deste ano. A questão é: do que você precisa? Responda a pergunta com sinceridade e você perceberá a quantidade de porcarias que se acumulam em seu PC. PCs também sofrem de obesidade mórbida; a diferença é que neles é mais fácil eliminar a doença.

Não é necessário ter um computador espartano. Computadores podem ser bonitos e divertidos, mas o que o Windows Vista propõe parece ser estratégia para alguém vender mais PCs, apenas para citar um exemplo. Mas, no meu caso, a performance do PC vem antes da beleza e da diversão.

Para quem tiver interesse em obter versões antigas de alguns programas atuais, o File Hippo é um bom acervo de softwares. Cada software tem disponível pelo menos as duas ou três últimas versões. Lá é possível encontrar, por exemplo, o OpenOffice 1.0, o MSN Messenger 6.2 e o ACDSee 7 (visualizador de imagens). Foi lá, por exemplo, que pude desistir da versão 3.0 do Skype e retornar à versão 1.2, que já tem mais recursos do que eu costumo utilizar. Com uma boa pesquisa, versões mais antigas de outros softwares podem ser facilmente encontradas. Seu PC agradece.