green grass car
Movido a adubo. O carro ideal para combater o aquecimento global.

Dizem que uma das melhores formas de prever o futuro é estudar o passado. Se você sabe como e por que certos fenômenos aconteceram e acontecem, você terá condições de fazer algo para que o futuro tome o rumo mais desejado. Isso não lhe dá garantias de que o futuro realmente seguirá na direção planejada, incerteza que oscila em função do fenômeno que se estuda e da forma como ele é estudado.

No que diz respeito à climatologia, as controvérsias são comuns. Os australianos ignoraram isto recentemente e saíram às ruas protestando contra o aquecimento global e pedindo ações do governo no sentido de reduzir a emissão de poluentes. Demonstraram desta forma que a estupidez não é exclusiva do ocidente.

A primeira estupidez é dizer amém ao alarmismo que se tornou regra quando o assunto é aquecimento global. Já tratei do assunto diversas vezes. Para evitar repetições, sugiro a leitura do artigo de José Carlos Azevedo n’O Estado de S. Paulo. Vale lembrar que a passeata australiana se baseou menos nos boletins meteorológicos do que nos noticiários sobre o aquecimento global.

A segunda estupidez é a idéia de que um fenômeno global pode ser resolvido através de ações do governo. O problema não está em manifestar-se contra coisas ruins — mesmo que irreais –, mas em pedir soluções para problemas que não foram compreendidos completamente. Se o fenômeno é global, sua solução não se dará através das ações do governo australiano — a não ser que Cérebro esteja à frente desse governo e tenha planos de dominar o mundo. Por outro lado, para que as ações do governo australiano tenham alguma utilidade, deve-se admitir que o fenômeno do aquecimento não é global.

A terceira estupidez é imaginar que uma ação específica possa resolver o problema acusado. É, na verdade, uma dupla estupidez: ela admite que a causa do aquecimento global é a poluição e que o controle dessas emissões irá controlar o aquecimento, o que é uma visão bastante limitada do que seja o clima — mesmo que se dê muita importância à ação humana sobre o clima.

O que preocupa é saber que chegamos a um estado de coisas em que todas os povos têm condições de fazer o que os australianos fizeram. Ainda que no Brasil, por exemplo, alguns assuntos sejam mais interessantes (política, violência etc.), não há dúvidas de que os brasileiros têm o physique du rôle para competir com os australianos no quesito besteira. E se um povo não hesita antes de gastar sola de sapato para defender as causas mais idiotas, são grandes as chances de não hesitar para assinar cheques em branco e dizer amém a asneiras ainda maiores. É tudo questão de tempo.

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Anos atrás, havia uma cena num programa de TV protagonizado pelo Luis Fernando Guimarães que ilustrava o comportamento das pessoas diante do aquecimento global.

O programa falava do verão. O sujeito acordava numa manhã típica da estação, saía à varanda de seu apartamento e comentava para si enquanto se espreguiçava: “Ah, como são boas essas manhãs de verão, sempre fresquinhas, agradáveis!”. Em seguida olhando para o termômetro preso à parede ele diz “Minha nossa, como está quente! Que calor absurdo!”.