conversation turtles
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Em época de eleição, bom mesmo é conversar. E raro também. A maioria das pessoas prefere expressar-se com paus, pedras e mastros de bandeiras numa época dessas.

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Eis uma conversa hipotética. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência — ou nem tanto:

– E que tal votar no [Candidato 1]?
— Nem a pau! Você não lembra que ele fez [burrada 1, burrada 2, crime 1, crime 2 etc. etc. etc.]?

— Pô, é mesmo… E o [Candidato 2]?

— Menos ainda. Sabe quem tá com esse sujeito? Você já imaginou as pessoas que vão mandar nele caso ele seja eleito? Pra quem você acha que ele vai trabalhar se for eleito?

— E o [Candidato 3]?

— Cara, esse sujeito estacionou o carro em lugar proibido em janeiro de 1982. Eu não votaria nele em hipótese nenhuma.

— Caramba, não sobra ninguém? Alguém vai ter que ser eleito, não?

— Você, eu não sei, mas eu vou anular meu voto.

— Me parece mais sensato fazer um esforço e tentar pesar todos esses defeitos e ver qual pesa menos, não?

— Ah, sei lá. Eu não quero participar disso.

— Se você tem alguma consciência de todas essas coisas e é capaz de discerni-las e pesá-las numa balança moral, sua participação é muito mais importante do que você pensa. Porque tem muito eleitor aí que não é capaz de fazer isso. Além disso, a ausência das pessoas inteligentes beneficia os piores candidatos.

— O que você sugere? Que eu vote no [Candidato 1]?

— Em quem você vai votar é problema seu. Eu só acho importante tentar encontrar o “menos ruim” e votar nele, mesmo que você ache que todos são ruins, mesmo que você esteja decepcionado com estas eleições. Além disso, tudo depende de como você vai pesar as qualidades e os defeitos dos candidatos. Se há diferenças entre os candidatos, acho importante enxergar essas diferenças e votar naquele que tem mais qualidades, ou menos defeitos. Ou naquele cujos defeitos não interferem na vida pública e não o tornam incompetente para trabalhar pela cidade.

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Para alguns, isto pode contradizer o que eu disse aqui, mas perceba que nos dois casos (aqui e lá) o que vale é fazer do voto um exercício de consciência — e pouco importa se ninguém mais o encara desta forma. A maior responsabilidade das pessoas inteligentes e responsáveis é propagar a idéia de que tudo — principalmente os gestos sociais, como votar ou sair à rua — deve ser feito com responsabilidade e consciência.