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O problema não está no apego, mas no apego às coisas erradas. Ligamo-nos às coisas que mudam constantemente e isso nos faz mudar também e nos torna cegos para as leis eternas. Se pensarmos estritamente, o apego permite a continuidade da vida.

Não é uma grande ajuda jogar todas nossas roupas fora, amanhã elas ainda serão necessárias. Vivemos e temos fé na vida, nos valores morais, no maior valor do bem sobre o mal porque acreditamos na existência do futuro. Mas ter fé na vida é uma coisa, ter fé na vida porque estamos usando Armani é outra coisa. Não confunda unda com…

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Filosofias orientais insistem no tema da dissolução do ego e algumas até o aproveitam para causar uma embriaguez que de fato trará essa dissolução — como quando oramos ou entoamos um mantra até um ponto em que não reconhecemos mais nossa própria voz, embora ela ainda esteja ali, orando ou entoando o mantra. Mas o que me permite viver é saber que não sou aquilo que não sou. Eu digo algo que você não diz, sinto dores ou prazeres que você não sente. Assim, de que forma é possível dissolver o ego e por que isso é importante?

A maioria das pessoas se satisfaz sendo o que é. As pessoas não querem ter aquele corpo ou ser aquele sujeito rico; as pessoas querem ter aquele corpo ou ser ricas como aquele sujeito e continuar sendo exatamente aquilo que são. O sujeito quer melhorar sua vida, mas não quer deixar de ser o asno que faz brincadeiras de mau gosto com os colegas no trabalho — «eu não vou mudar por causa deles». Não há a menor percepção de que há princípios de vida subjacentes a uma vida rica ou saudável (ou simplesmente melhor).

A chave da mudança consiste em encarar sinceramente os princípios que o tornaram aquilo que você é.