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Trecho do livro “Sufismo no ocidente”

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Consideremos um aparelho de televisão que pode receber imagens em preto e branco. Imaginemos, por um momento, que ele tenha capacidade de consciência introspectiva. Está mostrando em sua tela, que é uma parte dele, uma imagem em preto e branco. A estação central, da qual sob muitos aspectos depende, está transmitindo uma imagem em cores. O aparelho se pergunta: “Existem as cores? Se existem, por que não posso captá-las?”, e supõe: “Consegui registrar uma imagem por meio de organização e esforço. Com uma atividade semelhante, deveria ser capaz de captar uma transmissão em cores”.

Alternativamente, pode fazer uma conjetura diferente: o método usado para captar uma transmissão em preto e branco nunca funcionará para registrar uma em cores. Portanto, devo abandonar os métodos de organização e eficiência e buscar uma “inspiração”.

O que não compreende é que precisa de uma adaptação. O que supõe ser uma transmissão em preto e branco, de fato, também é uma transmissão em cores. É somente sua própria sensibilidade que está incompleta.

A mensagem em preto e branco é a informação. A imagem em cores — uma profundidade ou dimensão adicional — é o conhecimento. O que acabamos de ver é uma grande simplificação do maior problema do homem: sua carência de percepção direta e contínua de tudo aquilo que está além de seu mundo imediato ou das extensões laterais dele. Desconcentrados com este problema, os homens recorrem principalmente a dois métodos para tentar solucioná-lo:

1) Fortalecendo o intelecto, o que atualmente inclui aparelhos de computação;
2) Jogando com a emoção.

O efeito é:

a) Um vasto aumento de informação, dados em proliferação incontrolada e basicamente carentes de finalidade, o que resulta numa hipertrofia tecnológica e total academicismo;

b) Uma religião experimental, incluindo a teoria política que desvia e exalta as emoções, provocando uma liberação de energia. Hoje em dia existe uma procura obsessiva de produtos químicos e outras substâncias alucinógenas que proporcionem “experiência”, sem poder explicá-las;

c) Uma mistura de ambas as coisas, onde dialética e teoria se casam com a emoção. Isto, na atualidade, manifesta-se muito fortemente na psicologia, que recorre tanto à persuasão do intelecto como ao poder da emoção. As escolas de psicologia contêm, geralmente, um forte matiz político-religioso, visto que tanto as leituras insistentemente doutrinárias como o apego à personalidade são poderosamente evidentes.

Basicamente em virtude, no entanto, de um componente em sua natureza, o homem não acredita nem verdadeira nem permanentemente que o que está pensando e fazendo esteja sendo dirigido para um propósito adequado.

Falta-lhe algo de que necessita para completar a razão de sua função. Qual é este elemento? Como pôde ser descoberto pela primeira vez, se está tão profundamente escondido, e por que ele não é melhor conhecido?

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