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Entrevista com o Vampiro deu a dica, mas a moçada não se convenceu e daí tiveram que inventar toda essa patacoada para angariar níqueis fáceis dos adolescentes. Nem Gary Oldman conseguiu salvar o gênero, lembram?

O cinema precisa de ar fresco, uma estaca de madeira e muito alho. A verdade é que vampires suck.

Graças a Deus sou útil. Há pelo menos uma pessoa que dá atenção ao que tenho para transmitir — ou àquilo que julgo ser útil para outrem e que realmente me traz alguma satisfação. Eu acho que isso é sucesso, embora reconheça sua insuficiência para a minha própria subsistência e para a expectativa das pessoas ao meu redor de que eu consiga comprar eletrodomésticos (como costumava dizer Plínio Marcos), ter morada própria e constituir família.

É claro que isso me entristece, porque a sensação de sucesso — interior e miúdo que seja — parece não significar nada diante da evidência do fracasso, conforme o critério das pessoas ao meu redor. E junto com a pressão… ok, chamemos de “pressão social”, na falta de outro clichê… e junto com a pressão social mais óbvia vêm outras pressões menores, mas não menos sociais: o tempo que passa, as oportunidades perdidas, o desperdício, o ostracismo, o limbo, a solidão.

Realmente não sei nada sobre o futuro. Nunca soube. E nunca quis saber. Agora é tarde, mas o prazo de validade vencido tem a vantagem de, no limite, dispensar-me de ser socialmente bem-sucedido. Com alguma sorte, serei o velho ranzinza que vive sozinho numa casa escura, assusta crianças da vizinhança e jamais sorri.

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link da imagem

soco estômago

O que você esperava? Uma crítica de cinema? A resenha de um livro? Uma metáfora?

chinelo sapato
Nada versus Prada

O Brasil não é um país de contrastes, mas de contradições. E não é difícil perceber que são estas que causam aquelas, não o contrário, como muitos gostam de pensar. A ruína da civilização está na negação e na inversão da realidade. Pobres e ricos, crentes e ateus, negros, mulatos e brancos, trabalhadores e empresários — todos convergem precisamente na facilidade com que aceitam as contradições e sequer as vêem como tais:

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apu india

…descobrir que o post recordista de acessos em seu blog alçou esse patamar graças à nova novela das 8.

Saco.

A indústria automobilística, um dos setores que mais tem sentido os efeitos da crise, merece uma homenagem.

Não sacou? Ligue a TV ou leia isto, que já tem mais de três anos.

Para ser bom não basta querer ser bom. É necessário querer ser melhor, percebendo sua própria insuficiência. Não é necessário tratar a si próprio como se fosse um imprestável; basta perceber que você ainda não chegou lá e que estar lá é bom.

Você pode achar que chegou lá. Você pode satisfazer-se momentaneamente com aquilo que diz, pensa e faz, mas só momentaneamente, porque no minuto seguinte você precisa despertar e perceber as próprias imperfeições, pegar novamente na marreta e voltar a quebrar pedras.

Obviamente os referenciais precisam ser bons — perfeitos, se possível. E nem é preciso perder tempo discutindo perfeição blablabla, porque num mundo que tem soap operas, motocicletas pá-pá-pá e requeijão em copos de plástico não é muito difícil saber o que é perfeito e o que não é.

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steppenwolf
(link da imagem)

Uma das coisas mais difíceis para quem escreve, mesmo para alguém amador como eu, é aceitar o fato de que suas palavras constroem uma imagem de você. Enquanto lêem o que escrevo, as pessoas que não me conhecem concebem inconscientemente uma imagem de mim. As que me conhecem também concebem inconscientemente uma imagem de mim, mas esta imagem é justaposta àquela que já possuíam.

No primeiro caso existe o risco de frustrar o leitor que não me conhece quando decido alterar a imagem que ele tem de mim, por pouco que seja. Não tenho muitos leitores, claro, mas já perdi alguns quando expus minhas posições políticas ou quando decidi que iria escrever como um dadaísta. Eu não sou um sujeito político, tampouco dadaísta, mas a liberdade — que eu faço questão de ter pelo menos neste teclado e neste site — pode custar caro.

No segundo caso existe o risco de frustrar ainda mais o leitor, porque ele vem aqui buscando confirmar algo que viu lá fora — aquela justaposição nunca é despretensiosa e inocente. O problema é que a constância lá fora é maior do que aqui. Neste caso eu não sou escravo das minhas palavras; minhas palavras é que são escravas daquilo que construí fora daqui, o que significa que eu não poderia expor aqui meu radicalismo político ou meu lado dadaísta simples e exatamente porque nunca os expus em outros momentos e lugares, para essas pessoas. O contraste entre minha personalidade (ou aquilo que elas acham que minha personalidade é) e minhas palavras as feriria de alguma forma. É chato ser bonzinho, mas é muito pior ser mau.

Imaginar que não há leitor algum e que tudo que acontece aqui é exatamente igual ao processo de produção destas linhas — solitário — ajuda, mas leva a uma honestidade cruel que não pode ser mantida senão como experiência, pois crueldade genuína sempre se volta contra o dono.

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Este site passou no teste do bafômetro.

casas bahia - sac
(Clica para ampliar)

Se houver resposta, publicarei aqui.

casa costeira
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– O bom arquiteto é aquele que ao menos vislumbra a possibilidade de não construir. Ainda que ele sempre conclua que é melhor construir — por razões que não vêm ao caso discutir agora —, ajuda muito se ele considerar a opção contrária. Explicações a seguir.

– O provérbio alemão diz: “Cala-te ou diz qualquer coisa melhor que o silêncio”. Analogamente, em arquitetura é interessante que haja sempre a chance de não construir se a obra ou projeto não se mostram melhores do que a área que se pretende modificar. Se sua arquitetura não é capaz de tornar o lugar melhor, por que construir?

– A qualidade da arquitetura deve ser avaliada com base não apenas naquilo que ela é — porque um quarto sempre será melhor do que o relento para quem o habita —, mas também naquilo que ela propõe, modifica e ocupa. Um lugar nunca será o mesmo depois que recebeu uma nova casa; ela o modifica tanto quando é influenciada por ele.

– Com base no que foi dito até agora, não é heresia alguma dizer que a Casa Kaufmann (vulga Casa da Cascata) é uma obra de gosto duvidoso, beirando o cafona. É preciso ser muito cafona para olhar uma cachoeira e concluir que ela ficará melhor com algumas lajes de concreto e umas colunas de pedra. Alguém aí tem uma foto da cascata sem a Casa da Cascata?

– Uma casa deve tornar o entorno melhor e não apenas tornar-se melhor por causa dele. Apesar disso, o umbiguismo de arquitetos e engenheiros não leva em consideração o impacto de suas obras na paisagem; via de regra, toda casa com vista para o mar exige que o mar tenha vista para ela, na expressão muito precisa de um amigo atento aos micos construídos na cidade em que vivo.

– Séculos se passaram e boa parte da arquitetura continua se resumindo em fincar bandeiras e marcar territórios. Pode não ser um problema se pensarmos em lugares tenebrosos, como certos recantos da Grande São Paulo (à parte a discussão sobre os fatores que os tornaram tenebrosos), mas vendo isto começo a pensar que nem todos lugares precisam de bandeiras, construções ou gente.

não tem preço

Fala-se com certo orgulho da publicidade brasileira. Campanhas publicitárias são comparadas com obras-primas cinematográficas, como se a publicidade fosse a oitava arte e como se criar essa imagem não fizesse parte do trabalho das próprias agências. Propagandas geniais não são regra. Para cada 30 segundos de mensagem profunda e sincera há horas e mais horas de gritaria, ofertas explosivas, patrões loucos, degradês e letras garrafais. Aqueles 30 segundos geniais criaram um território de tolerância. Enquanto espera os próximos 30 segundos geniais, você tolera propagandas de cerveja, as letras miúdas dos comerciais de automóveis, a poluição sonora dos comerciais das Casas Bahia, até aqueles comerciais descaradamente mentirosos de produtos milagrosos de que você nunca precisou.

O que não tem preço, de verdade, é o respeito. O problema é que em breve muitas pessoas pagarão somas generosas para não serem tratadas o tempo todo como clientes ou consumidoras — e, é claro, não verão qualquer contradição nisso.

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Original da imagem aqui.

esqueleto

Sinto-me como se tivesse envelhecido 15 anos em uma semana e ainda não vejo a perspectiva de que certas texturas e cores retornem aos seus lugares de origem. As mãos estão lentas, o teclado parece um corpo estranho sobre a mesa, o que entra pela janela é vento frio e a luz é cinza.

Mas aos poucos a sensação de deslocamento se desfaz. Até mesmo Deus retorna ao lugar de onde jamais deveria ter sido tirado. A respiração retorna. O paladar já não é tão estranho e a água perde o sabor aos poucos. O apetite se normaliza e é possível caminhar daqui até ali sem desejar desfalecer. Suspiro por coisas que não vivi, não por aquelas que vivo todos os dias. Busco acréscimo, não repetição. Quero realizar, não insistir.

Tudo é muito estranho.

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Pior do que a constatação de ter passado três dias deitado sob febre branda e respiração ruim é a sensação de que deixar a juventude para trás é exatamente isso, perda de tempo. Nada mais, nada menos. Não há nada de genial nessa descoberta, apenas obstáculos e um apreço todo especial por um bom pijama, pelos cuidados maternos e por uma visita doce e inesperada.

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Nossa cachorra morreu, depois de 15 anos conosco — 15 anos de alegrias. Eu continuo preferindo gatos aos cachorros e cachorros vira-latas aos de raça. Mas Wendy, que não era gato e tinha traços de alguma raça que eu nunca me preocupei em saber qual era, deixou saudades.

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Eu não pretendo mais discutir. Isto é conseqüência inevitável da ausência de jornais, mas também é conseqüência inevitável de algum realismo. Eu não discuto porque eu não sei. Eu não discuto porque eu não quero. Eu não sei porque não quero saber. O que sei é que fiquei tempo demais na cama, que preciso me curar, que já me curei e que preciso me alimentar direito, que preciso dar aulas à noite, proteger-me do vento frio, por melhor que ele pareça ser no rosto, enquanto pedalo. Sei que preciso dormir e ter bom descanso. Todo esse conhecimento é simples e deveria bastar a qualquer pessoa. Esse conhecimento dispensa discussões. Eu não discuto com vírus, com termômetros, com o pratos de comida quente e com camas macias. Eu não discuto com pernas fracas e com a chuva lá fora. Eu discuto com coisas e pessoas de que não preciso e isso me faz pensar que não existe maior ofensa do que discutir: toda discussão traz em si a idéia de que você prescinde de muitas coisas e de muitas pessoas. Você sabe que não precisa das pessoas quando é capaz de discutir com elas ao menor sinal de contrariedade. E isso é um troço bem ruim, porque discordar falando baixo e escrevendo pouco é bom, humano, amistoso e, melhor do que tudo isso, respeitável.

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Uma das músicas mais adoráveis e despretensiosas já feitas chama-se «Jesus is a dying bedmaker», de John Fahey, um cara que apenas tocava um violão.

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Num de meus delírios febris, desejei que a explosão de ofertas das Casas Bahia fosse um fenômeno literal. Eu já não agüento mais o sobressalto dos decibéis toda vez que a TV anuncia mais uma «nova» explosão de ofertas. O mesmo vale para aquelas propagandas muito demoradas de máquinas de tortura exercícios milagrosas e para aqueles arrombados da Tecnomania que anunciam câmeras digitais vagabundas como quem anuncia a cura do câncer.

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É provável que eu me torne uma pessoa cada vez mais apagada pela necessidade de cumprir obrigações acadêmicas urgentes e pelo fato de só encontrar tempero ao lado dela. Mas eu aceito quem me escreva demonstrando a importância de discutir assuntos pertinentes como os crimes hediondos no Brasil e a ligação entre eles e a indústria do luxo e dos sistemas de segurança; o aquecimento global e o frenesi crescente por SUVs; o fetiche de jogadores de futebol pelo mau gosto puro e simples etc. etc. Prometo não morrer de tédio, mas adianto que ultimamente tenho encontrado mais valor e prazer numa xícara de chá do que nestes temas. Se você não pode me oferecer algo melhor do que uma xícara de chá, cale a maldita boca.

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Original da imagem aqui.

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