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Confúcio dizia que era legítimo um povo derrubar o governante quando este deixava de agir como tal.
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Imagens meramente ilustrativas:

Na boa, minha gente, Sarney é fichinha perto de Luivináfio e o PT. Tenham pelo menos memória e senso das proporções — só assim para terem também senso de ridículo e vergonha na cara. Ademais, lembrem-se de que alguém os colocou lá.

Suponhamos que você discuta com seu vizinho porque ele ouve música alta nas horas mais inconvenientes do dia e da noite. O som do vizinho não deixa você dormir em paz, atender o telefone ou ver TV. Você tenta conversar com ele, sem resultados. Sem chances de uma solução pacífica, você decide recorrer à polícia e descobre que pouca coisa pode ser feita. Inconformado, você decide apelar à Câmara Municipal e se desdobra para colocar em discussão um projeto de lei que obrigue todos ao silêncio — inclusive seu vizinho. Read the rest of this entry »
Elegeram? Agora agüentem — porque devassa na vida dos outros é refresco.
Liguei o PC e confirmei o que já se imaginava: Barack Hussein Obama é o novo presidente dos Estados Unidos da América.
O país mais poderoso do mundo terá seu primeiro presidente muçulmano, abortista, antiamericano, pró-Nova Ordem Mundial e assumidamente mentiroso (too late for that, mas leia, se quiser).
Que Deus proteja a América.
Apesar da massa comum que disputa as eleições a cada dois anos — gente como eu ou você, ou um pouco menos —, é comum também a idéia de que o sistema político é complexo, insondável e incompreensível. Até hoje eu não sei de quê são feitas as leis, de onde elas vêm, do que se alimentam, e raramente encontro quem possa me explicar todas essas coisas. Eu vejo o noticiário político e imediatamente me vêm à cabeça todas as profecias sobre o surgimento do Anticristo, que, afinal, não é uma pessoa, mas um sistema, uma massa ou um labirinto. O nome desse labirinto é política. Candidaturas são a expressão do desejo de encontrar a saída desse labirinto e depois cobrar ingressos para que outras pessoas possam refazer o caminho dentro dele. O voto é uma espécie de aposta que se faz na capacidade daquele sujeito encontrar a saída do labirinto, mesmo quando ele está visivelmente mais perdido do que todos nós.
…que talvez seja útil para as próximas eleições, em 2010:
No Brasil, o que leva uma pessoa a filiar-se a este ou àquele partido?
Não há aqui, como há em outros países, diferenças importantes entre as diferentes legendas políticas. Você vê alguma diferença entre PMDB e DEM? Entre PSDB e PPS? PTB e PR? Entre os partidos menores as diferenças são ainda menores. As exceções são poucas e, no fim das contas, acabam confirmando a regra.
O PT, por exemplo, pode ser considerado uma dessas exceções — tanto que existe o petismo, mas não existe o peemedebismo ou o petebismo. No entanto, depois de algumas conquistas políticas, o PT revelou seu principal objetivo: ser como qualquer outro partido, submetendo a ideologia à necessidade de conquistar e manter o poder.
O PCO e sua versão menos hilariante, o PSTU, são exemplos que reforçam a tese anterior a respeito do PT: só são o que são porque não têm poder.
O PRONA morreu com seu fundador, o Dr. Enéas — e neste caso não havia diferenças entre o partido, a ideologia, o estilo e o saudoso barbudo. Mas também neste caso não havia razões para imaginar que o PRONA manteria sua firmeza ideológica caso chegasse ao poder.
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Há, além disso, um outro aspecto: pelo fato dos partidos não terem ideologias e diferenças bem definidas, o eleitor acostumou-se a votar em pessoas. Mesmo os petistas acostumaram-se com isso (embora hoje sejam recusados justamente por culpa de seu petismo). Elegemos pessoas, não partidos. É claro que os políticos sabem disso; mesmo assim eles escolhem um partido, filiam-se e candidatam-se e atuam de modo a manter esse vínculo. Por que? Como nasce essa escolha? Como e por que ela se mantém? E mais importante: como ela se justifica?
Em época de eleição, bom mesmo é conversar. E raro também. A maioria das pessoas prefere expressar-se com paus, pedras e mastros de bandeiras numa época dessas.
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Eis uma conversa hipotética. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência — ou nem tanto:
– E que tal votar no [Candidato 1]?
— Nem a pau! Você não lembra que ele fez [burrada 1, burrada 2, crime 1, crime 2 etc. etc. etc.]?
— Pô, é mesmo… E o [Candidato 2]?
— Menos ainda. Sabe quem tá com esse sujeito? Você já imaginou as pessoas que vão mandar nele caso ele seja eleito? Pra quem você acha que ele vai trabalhar se for eleito?
— E o [Candidato 3]?
— Cara, esse sujeito estacionou o carro em lugar proibido em janeiro de 1982. Eu não votaria nele em hipótese nenhuma.
— Caramba, não sobra ninguém? Alguém vai ter que ser eleito, não?
— Você, eu não sei, mas eu vou anular meu voto.
— Me parece mais sensato fazer um esforço e tentar pesar todos esses defeitos e ver qual pesa menos, não?
— Ah, sei lá. Eu não quero participar disso.
— Se você tem alguma consciência de todas essas coisas e é capaz de discerni-las e pesá-las numa balança moral, sua participação é muito mais importante do que você pensa. Porque tem muito eleitor aí que não é capaz de fazer isso. Além disso, a ausência das pessoas inteligentes beneficia os piores candidatos.
— O que você sugere? Que eu vote no [Candidato 1]?
— Em quem você vai votar é problema seu. Eu só acho importante tentar encontrar o “menos ruim” e votar nele, mesmo que você ache que todos são ruins, mesmo que você esteja decepcionado com estas eleições. Além disso, tudo depende de como você vai pesar as qualidades e os defeitos dos candidatos. Se há diferenças entre os candidatos, acho importante enxergar essas diferenças e votar naquele que tem mais qualidades, ou menos defeitos. Ou naquele cujos defeitos não interferem na vida pública e não o tornam incompetente para trabalhar pela cidade.
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Para alguns, isto pode contradizer o que eu disse aqui, mas perceba que nos dois casos (aqui e lá) o que vale é fazer do voto um exercício de consciência — e pouco importa se ninguém mais o encara desta forma. A maior responsabilidade das pessoas inteligentes e responsáveis é propagar a idéia de que tudo — principalmente os gestos sociais, como votar ou sair à rua — deve ser feito com responsabilidade e consciência.

Chamando para a festa da democracia. (link da imagem)
Eu emburreço em ano eleitoral. Na verdade eu emburreço um pouco todos os anos, sinto-me cada vez mais idiota, incompetente e inútil. Vejamos: ando numa praia e vejo um sujeito passeando com seu delicado pitbull; peço a ele para deixar o cão em casa e obtenho como resposta uma palavra tão delicada quanto o animal de coleira; informo as autoridades competentes sobre o fato e obtenho como resposta um silêncio constrangedor; informo a mim mesmo sobre a inutilidade dos meus pedidos e obtenho como resposta do subconsciente o imperativo “desista, não é tão sério assim”. Processo semelhante ocorre quando vejo praias sujas, o trânsito cada vez mais maluco e infestado de imbecis, a indiferença conveniente de muitos veranistas e a boçalidade que predomina nos debates do lado de cá do Canal de São Sebastião. As etapas e os processos são os mesmos e todos me dizem que não existe problema sério ou importante demais que mereça os vincos da minha testa. Afinal, se tantas pessoas ignoram o que é errado, talvez o erro não seja assim tão sério.
Ano eleitoral é um caso à parte. Read the rest of this entry »
Este post foi descaradamente inspirado neste post do Saboya, que eu sugiro que você leia. Lá você encontrará as razões pelas quais deveríamos (futuro do pretérito, porque não votamos nos EUA) preferir McCain a Hussein Obama.
Confesso que tenho prestado pouca atenção à política ultimamente e nem as eleições que batem à minha porta quase todos os dias (municipais, 2008) têm merecido os vincos da minha testa. Mas é nauseabunda a freqüência com que a mídia brasileira diz amém ao democrata Hussein, dando-o como eleito. Desagrada (embora não surpreenda) ver esse desequilíbrio nos telejornais. Por exemplo, a candidata à vice-presidência de McCain, Sarah Palin, só se tornou conhecida no Brasil quando os jornais norte-americanos destacaram o “escândalo” envolvendo sua filha (que engravidou do namorado e, por isso, decidiu casar, vejam só que baixaria…).
O objetivo deste post é, portanto, tornar as coisas menos desequilibradas e menos desinformadas do lado de cá da linha do Equador. Se não servir para eleger McCain, espero que sirva ao menos para que mais e mais pessoas saibam que Obama não é candidato único, tampouco o melhor — e, de quebra, lembrar-nos da imprensa porca que nos envenena todos os dias.
“(…) a única forma decente de democracia é aquela que reflete exatamente aquilo que o eleitor pensa.” (link)
Muitas pessoas — inclusive algumas muito inteligentes — falavam eleições passadas da inutilidade do voto nulo, porque alguém será eleito de qualquer forma e a possibilidade de eliminar candidatos pela grande quantidade de votos nulos é remotíssima. Eu mesmo já fui contra o voto nulo e expus boas razões para isso — e links ainda melhores.
Pouco tempo depois percebi os problemas de não manter uma estreita relação entre minha própria consciência e o voto, como citado na frase que abre este post. Se a democracia é o que é, se os votos conduzem invariavelmente a uma situação longe daquela que pretendem obter, um dos motivos é a distância entre aquilo que o eleitor pensa e aquilo que ele faz nas urnas e no restante de sua vida política, por mais ordinária que seja.
O que defendo aqui não é propriamente o voto consciente, tampouco o nulo, mas o voto honesto. Ter consciência do que se faz não implica honestidade ao votar; o voto consciente — a menina dos olhos da Justiça Eleitoral — pode ser bem desonesto. Já votei em candidatos que eu abominava simplesmente para evitar que candidatos ainda piores fossem eleitos. Era um protesto, mas voto de protesto de verdade, naquelas circunstâncias, teria sido o voto nulo.
A vantagem das eleições municipais é que, dependendo do tamanho da cidade em que você vive, é fácil conhecer os candidatos. Na cidade em que vivo, por exemplo, é fácil reconhecer os candidatos nas ruas. É fácil também lembrar do histórico de cada um como pessoa pública e é fácil ter a certeza de que, até o momento, nenhum deles representa alternativa melhor do que o voto nulo. “Melhor” diz respeito à honestidade do meu voto, não à possibilidade do meu voto levar o melhor candidato (ou o menos ruim) à prefeitura ou evitar que o pior chegue lá.
O voto nulo é uma opção. Assim como o voto em branco significa “tanto faz”, o voto nulo significa algo como “nenhum candidato me parece decente”. Mesmo que ele não conduza de fato à anulação das eleições e à eliminação dos candidatos (como se divulgou numa eleição passada), ele é uma opção de expressão política e como tal todo voto — não apenas o nulo — deve (ou deveria) ser encarado.
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Isto sim é que é carro de som bão.
Tento descobrir a lógica oculta sob carros de som, muros pintados e panfletos que emporcalham as ruas. O esforço é vão, porque essa lógica é semelhante àquela outra, não menos misteriosa, que leva algumas pessoas a estourar fogos de artifícios quando um navio se vai, a abrir o porta-malas de um carro para que todos ouçam o som que vem dali e a acelerar forte uma moto barata de escapamento aberto em plena madrugada. É a lógica da melancia no pescoço, que diz que a melhor forma de conseguir algo que se deseja é fazer barulho, chamar a atenção, mostrar-se mesmo que de formas ridículas.
Se essa lógica se mostra impenetrável em meses normais — porque eu acho que nunca vou entender motociclistas e fogueteiros —, no período eleitoral ela ganha alguns flancos a partir dos quais seria possível (eis minha esperança) compreendê-la, expugná-la e bani-la deste arquipélago.










dizem por aqui