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O espectro da consciência, de Ken Wilber, adicionado à seção de ebooks deste site.
“Não existe uma ciência da alma sem uma base metafísica e sem remédios espirituais à disposição”. Poder-se-ia dizer que todo o propósito deste volume consiste simplesmente em apoiar e documentar esta proposição de Frithjof Schuon, proposição que os siddhas, sábios e mestres em toda parte e em todos os tempos incorporaram eloqüentemente. Pois, de um modo geral, nossa própria ciência da alma nos dias que correm foi reduzida a nada mais significativo que a resposta de ratos em labirintos de aprendizagem, o complexo individual de Édipo, ou o desenvolvimento no nível básico da raiz do ego, redução essa que não somente nos obliterou a visão das profundezas da alma, mas também ajudou a devastar nossos entendimentos espirituais tradicionais e levá-los a uma conformidade monótona com uma visão unidimensional do homem. O que está Acima foi negado; o que está Abaixo, ignorado — e solicitam-nos que permaneçamos — no meio — paralisados. Esperando ver, talvez, o que um rato faria nas mesmas circunstâncias ou, num nível um pouco mais profundo, buscando inspiração nas fezes do id.
– Encontrar algo que lhe faça bem e que lhe proporcione prazer, que faça bem às outras pessoas e que você possa e queira fazer por toda a vida.
– Pensar em qualquer coisa, desde que a mente saiba quem manda em quem. Falar apenas coisas boas. Pensar é filosofia, meditação e autoconhecimento. Falar é sociabilizar-se, interagir, conquistar, compartilhar e oferecer.
– Não é necessário começar pelo corpo, desde que se reconheça sempre e em tudo que se faz a dimensão física presente em todas as coisas. “De dentro vem o que por fora se revela” (Lao Tzu).
– Prazer é um indicador, não a base de um código moral. Quando uma pessoa defende as benesses do hedonismo, tente descobrir nela as seqüelas de uma vida de excessos — invariavelmente você as encontrará.
– Não há problemas em não estudar. Nem todos precisam entender de filosofia ou geopolítica. O problema está em não evoluir. O problema está em não conhecer um pouco mais a própria natureza a cada dia e não se reconhecer hoje como alguém menos burro do que ontem. Para isso honestidade e a consciência das vantagens de evoluir — isto é, a certeza de que ser bom é bom e de que você está longe de ser suficientemente bom.
– A sabedoria se expressa de diversas formas. Mas há muito mais formas pelas quais ela se cala.
Ler esta entrevista com o filósofo, jornalista e escritor Olavo de Carvalho no JB de hoje.
Você tem que primeiro formar uma elite intelectual capaz de educar o restante do país. O governo vem com essa história de educar todo mundo, mas isso não funciona. Não é possível. (…) Se você não cria uma tradição de educação, a educação não pega. Se você não tem essa tradição, não tem o amor à cultura, ao conhecimento. A educação deve ser muito séria e começar por uma elite, que vai irradiando esse valor. Quem vai dar a educação para todos? A educação que se dá ao povo hoje não deveria ser dada a ninguém. Oferecer essa educação para meia dúzia de pessoas é um insulto. Para milhares, é um crime.
Quase toda lei é feita para forçá-lo a fazer a contra-gosto aquilo que, antes da lei, você podia fazer do seu jeito e com satisfação.
A diferença entre fazer uma coisa porque a lei manda e fazer a mesma coisa porque você escolheu é que a interferência do poder público quase sempre significa menos dinheiro nos cofres públicos e no seu bolso e menor qualidade na realização dessa coisa. O que o poder público faz para todos raramente é melhor do que aquilo que você mesmo faria por você.
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Interior da cabana de Thoreau, alguém que realmente sabia pairar sobre as leis e sobre o Estado.
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Original da imagem aqui.

Àqueles que pensam em leis e regras para tudo, que querem banir à força os combustíveis fósseis, a manteiga de garrafa e os paralelepípedos e que mal esperam a hora de exercer o direito inalienável do voto e da porrada na fuça dos defensores de ideologias alheias, um lembrete: um mundo imprestável já é suficientemente educativo.
Vão com calma, pois.

Triste, mas verdade. Enquanto você lê isto está deixando de ler a Bíblia, o Tao Te Ching, os Analectos, a Ética de Aristóteles, os Diálogos, e está distante de verdades mais necessárias, profundas e fundamentais do que os meus escritos publicados neste site.

Pesquisas demonstram — eu odeio começar um texto assim, mas vamos lá — que a memória retém apenas 30% daquilo que ouviu falar e cerca de 70% daquilo que viu. Estas porcentagens passam para algo em torno de 80% ou 90% para explicações que envolvem demonstrações, para a observação de ações e procedimentos.
Portanto: ensina-se pela palavra, mas aprende-se realmente pelo exemplo. Os grupos, famílias, escolas, universidades e países que perceberam isso se deram bem — constituíram-se, solidificaram-se e cresceram. Read the rest of this entry »

O Leviatã. Olhe-o de perto e verá que ele é feito de pessoinhas — em todos os sentidos.
Dizem que o problema é educação. Eu discordo. O problema é hierarquia e ordem. Dirão que a desordem e o esfacelamento da hierarquia são causados pela falta de educação. Eu concordo, mas lembro que não é necessário ir muito além da alfabetização para cumprir deveres e exercer direitos. Até cachorro sabe o que não pode fazer. Read the rest of this entry »

Leio sobre a decadência do ensino superior. Universidades sucateadas, professores e estudantes sem motivação e preparo. Nenhuma palavra sobre quantidade. Ninguém vê relação entre o fracasso dos diplomados e a enorme quantidade de estudantes, cursos e instituições de ensino, coroada por uma carga horária cada vez mais fast-food. Gente demais reunida com o propósito de sair o mais rápido possível das universidades, com diploma na mão. Pouco tempo, muita gente e um objetivo fraco — eis os problemas do ensino superior.
Além do diagnóstico falho, as soluções encontradas são ruins. A pós-gradução tem sido usada cada vez mais como extensão da graduação, como forma de preencher lacunas e formar um indivíduo apto a realizar-se profissionalmente. Colocar-se no mercado tem exigido um conhecimento que o indivíduo raramente encontra fora do mercado — que naturalmente só ensinará aquilo que o mantenha como está hoje, o que não ajuda o profissional nem o próprio mercado, muito menos as universidades.
Além disso, espera-se que o Estado crie e cumpra leis que melhorem a condição de vida de certas classes profissionais (eis, por exemplo, os conselhos, ceifando a pouca renda dos profissionais liberais) e que as empresas sejam socialmente responsáveis. Sem dúvida é muito bom poder trabalhar em empresas que vão além das leis trabalhistas, mas o mundo que surge de um Estado forte e de empresas socialmente responsáveis é um mundo de indivíduos fracos, um mundo de mendicância e gritaria.
O que a maioria das pessoas pede é que se façam cada vez mais profissionais iguais a elas mesmas, sem perceber que isso está na raiz do sucesso e do fracasso profissional. É, sem dúvida, uma questão de quantidade, que exige a maturidade de resolver em si mesmo algo que só se tenta resolver fora.
Você estuda para ser igual ou para ser diferente?
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A propósito deste assunto, é esclarecedora a leitura de Educação Liberal, do filósofo Olavo de Carvalho.

Este site não captou recursos através da Lei Rouanet.

“Ele deve ter razão no que diz e escreve, pois vende 200 milhões de livros, viaja na Transiberiana. O mundo é feito assim. Mas continuo achando seus livros uma merda.”
Millôr, sobre Paulo Coelho, em entrevista ao Caderno 2.
Gosto se discute.

Tokyo não precisa disso.
Não tenho mais paciência com pessoas que recusam comparações com países desenvolvidos com o argumento que diz que a cultura desses países é diferente — e falam da história do Brasil, da colonização, da escravidão, do jugo lusitano e logo em seguida do jugo norte-americano, dos anos da ditadura, dos anos de democracia capenga, da zelite branca etc. Se dissessem que é uma questão de idade, que o Brasil é um país jovem, que tem pouco mais de 500 anos de existência (e muito menos como país de fato), eu diria “ok, concordo com você”. Mas não. Dizem que há diferenças culturais incontornáveis; dizem que o brasileiro não aceitaria coisas que para o alemão e para o japonês são normais; dizem “ah, mas é o Japão, né?” e dizem que o Brasil precisa encontrar sua própria identidade.
À parte o fato de que identidade não é algo que se “encontra”, as pessoas que sustentam a idéia das diferenças culturais agem como se brasileiros fossem pessoas retardadas e incapazes ou como se alemães e japoneses tivessem seis braços, QI sempre acima de 208 e poderes paranormais. Há um coitadismo embutido nesse discurso, uma peninha tão profunda de si mesmo e uma esperança de que os países desenvolvidos percebam que devem nos ajudar — isto é, enquanto a ajuda não lhes é arrancada à força.
Decorrência da tese das diferenças culturais é a preguiça, a elevação do governo à condição de algoz e salvador de toda uma nação, a cegueira e o ódio às coisas boas e a auto-sabotagem e a imoralidade obsessivas. Nossa natureza nunca foi gigante.
Abandonar essa tese pode ser um bom negócio. Eu tenho cinco dedos em cada mão. A maioria dos alemães e japoneses também tem. Sei ler e escrever, assim como a maioria dos estrangeiros de países desenvolvidos. É bastante fácil diferenciar o bem do mal, no Brasil, na Alemanha ou no Japão. É bastante fácil perceber a importância do trabalho e dos valores morais. Estas coisas são universais. O assassinato e o roubo são ruins em todas as culturas, em todos os países, ainda que haja no Brasil quem defenda a moralidade de certos crimes.
Um país de verdade se ergue nessa universalidade, não na teimosia de transformar coisas miúdas e pitorescas em valores universais. Acredite, o mundo não prefere futebol e samba ao conforto, à saúde e à certeza de poder ter o próprio sustento através do trabalho honesto.




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