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Imagem meramente ilustrativa
O país está cada vez mais atraente para investimentos e cada vez menos seguro para uma pessoa andar nas ruas.
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Belíssimo discurso de Villa-Lobos a respeito da música, de sua vida e sua obra e do Brasil (gravado em João Pessoa, 1951). Parte 1 — Parte 2
Se o Brasil fosse reconstruído (alguém duvida da necessidade disso?), este seria um belo discurso para a cerimônia de reinauguração.
E para ouvir em seguida, Villa-Lobos interpretando suas próprias composições:
Prelúdio nº 1 (violão)
Chôro nº 1 (violão)
O Polichinelo (piano)
(Meus agradecimentos ao Raphael pela dica)

Trecho de uma discussão sobre um tema que considero fundamental. Acréscimos e comentários serão muito bem-vindos.
A violência cresce porque há dois processo graves em andamento: de um lado a organização do crime, de outro lado a desorganização da sociedade.
O poder da sociedade — se um dia ela o teve — estava em sua capacidade de se organizar, ainda que apenas para combater males comuns. Há inúmeros relatos de que esse é o principal valor dos países que “deram certo”. Nos EUA, o senso de comunidade, a despeito de qualquer individualismo que possa ser usado como acusação àquele país. No Japão, é emblemática a união das pessoas durante tragédias naturais, como tempestades e terremotos; a despeito da forte influência do ocidente, a tradição ainda é algo fortíssimo por lá, a vontade de preservar isso também é um fator de união e organização.
Criminosos adquiriram poder quando começaram a se organizar. Complementarmente, o Estado tem sido cada vez menos eficiente ao garantir os direitos mínimos e a sociedade se tornou cada vez mais desorganizada.
Apenas um exemplo banal, mas que explica algumas coisas.
Uma das conseqüências do aumento da violência nas cidades foi a fortificação das residências. Muitas casas hoje têm muros altos. Uns meses atrás uma reportagem mostrou que bandidos preferem justamente estas àquelas que têm apenas gradis ou muros baixos, justamente porque no primeiro caso a visão desde a rua é totalmente impedida. Decerto os muros altos dificultam um tipo específico de invasão de domicílio (vencer barreiras verticais), mas apenas um. E, uma vez lá dentro, o bandido terá toda liberdade para agir sem ser incomodado.
Uma leitura fundamental para entender esse processo é Bandidos e Letrados, de Olavo de Carvalho.

Se eu tivesse que explicar a um estrangeiro como funcionam as leis brasileiras, eu daria apenas um exemplo.
Recentemente o Senado aprovou o projeto que libera o uso de insulfilm mais escuros nos vidros dos carros. O uso desse tipo de película torna impossível ver o interior do carro e, portanto, inúteis as leis que proíbem usar o celular ao volante e dirigir com uma mão só.
Caso o motorista opte por usar o troço preto, ele estará automaticamente dispensado de cumprir outras duas leis do Código Nacional de Trânsito.
Aparentemente nem os legisladores conhecem as leis. Eu me arriscaria a dizer que a eles falta senso de organicidade — aquela visão que permite situar uma parte ou um objeto dentro de um conjunto ou sistema, maior e mais complexo, mais ou menos como explicava Aristóteles —, mas talvez falte algo mais simples e fundamental: saber lidar com os objetos e ferramentas do dia-a-dia.
Se fossem marceneiros ou alfaiates, passariam fome. Como são legisladores e vivem no Brasil, gozam gordo pasto.

Os números dizem que o Brasil é uma economia decadente? Pior para os números.
Parlamento de Taiwan:

Taiwan
PIB per capita: US$25.300
IDH: 0,91 (27º)
Analfabetismo: 3,9%
Desemprego: 4,5%
Mortalidade infantil: 6,4/1000 nascimentos
Parlamento do Brasil (Senado):

Brasil
PIB per capita: US$8.584
IDH: 0,792 (69º)
Analfabetismo: 13,6%
Desemprego: 11,5%
Mortalidade infantil: 29,61/1000 nascimentos
(Fonte: Answers.com)
Individual ou coletivamente, o que arruina a vida de todo brasileiro é a obrigação de vencer na vida — já descontada a elasticidade do significado dessa expressão. Ele já nasce com essa obrigação. Se nasce pobre, tem a obrigação de sobreviver e de se destacar dos demais de sua classe. Se nasce classe média, tem a missão de se tornar rico. Se nasce rico, tem o dever de trazer o país para cima. Haja saco.
No Japão, como em outros países, isso é diferente. O japonês já nasceu num país que deu certo. Ele não tem obrigação de vencer na vida, o que já o dispensa de uma guerra de proporções épicas. Ele tem a chance de ser ele mesmo, sem entrar em conflito com outros miseráveis que lutam para vencer na vida, sem precisar arrastar o país nas costas, sem precisar tornar-se um exemplo para as próximas gerações. O japonês (e o suíço, o norueguês, o austríaco) só precisa viver. Nada mais. O brasileiro não. O brasileiro precisa disputar o topo com outras pessoas feridas a bala. O brasileiro precisa provar que é batuta, que é digno de ser novo-rico. E enquanto a vida do brasileiro for uma luta, mais e mais brasileiros se juntarão para fazer mais e mais brasileirinhos que se digladiarão com outros brasileirinhos na hora do recreio. E a vida continua, sanguinolenta e deprimente, as usual. O brasileiro não desiste nunca porque não tem outro jeito.
Não adianta. Tente juntar Brasil, decência e humanidade na mesma frase e necessariamente a palavra aeroporto aparecerá.




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