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Liguei o PC e confirmei o que já se imaginava: Barack Hussein Obama é o novo presidente dos Estados Unidos da América.

O país mais poderoso do mundo terá seu primeiro presidente muçulmano, abortista, antiamericano, pró-Nova Ordem Mundial e assumidamente mentiroso (too late for that, mas leia, se quiser).

Que Deus proteja a América.

urna eletrônica
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Apesar da massa comum que disputa as eleições a cada dois anos — gente como eu ou você, ou um pouco menos —, é comum também a idéia de que o sistema político é complexo, insondável e incompreensível. Até hoje eu não sei de quê são feitas as leis, de onde elas vêm, do que se alimentam, e raramente encontro quem possa me explicar todas essas coisas. Eu vejo o noticiário político e imediatamente me vêm à cabeça todas as profecias sobre o surgimento do Anticristo, que, afinal, não é uma pessoa, mas um sistema, uma massa ou um labirinto. O nome desse labirinto é política. Candidaturas são a expressão do desejo de encontrar a saída desse labirinto e depois cobrar ingressos para que outras pessoas possam refazer o caminho dentro dele. O voto é uma espécie de aposta que se faz na capacidade daquele sujeito encontrar a saída do labirinto, mesmo quando ele está visivelmente mais perdido do que todos nós.

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politicos
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…que talvez seja útil para as próximas eleições, em 2010:

No Brasil, o que leva uma pessoa a filiar-se a este ou àquele partido?

Não há aqui, como há em outros países, diferenças importantes entre as diferentes legendas políticas. Você vê alguma diferença entre PMDB e DEM? Entre PSDB e PPS? PTB e PR? Entre os partidos menores as diferenças são ainda menores. As exceções são poucas e, no fim das contas, acabam confirmando a regra.

O PT, por exemplo, pode ser considerado uma dessas exceções — tanto que existe o petismo, mas não existe o peemedebismo ou o petebismo. No entanto, depois de algumas conquistas políticas, o PT revelou seu principal objetivo: ser como qualquer outro partido, submetendo a ideologia à necessidade de conquistar e manter o poder.

O PCO e sua versão menos hilariante, o PSTU, são exemplos que reforçam a tese anterior a respeito do PT: só são o que são porque não têm poder.

O PRONA morreu com seu fundador, o Dr. Enéas — e neste caso não havia diferenças entre o partido, a ideologia, o estilo e o saudoso barbudo. Mas também neste caso não havia razões para imaginar que o PRONA manteria sua firmeza ideológica caso chegasse ao poder.

*
Há, além disso, um outro aspecto: pelo fato dos partidos não terem ideologias e diferenças bem definidas, o eleitor acostumou-se a votar em pessoas. Mesmo os petistas acostumaram-se com isso (embora hoje sejam recusados justamente por culpa de seu petismo). Elegemos pessoas, não partidos. É claro que os políticos sabem disso; mesmo assim eles escolhem um partido, filiam-se e candidatam-se e atuam de modo a manter esse vínculo. Por que? Como nasce essa escolha? Como e por que ela se mantém? E mais importante: como ela se justifica?

obama mask
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Nos anos 80 todos os pacotes de bolachas tinham 200g. A partir de meados dos anos 90 essa quantidade foi progressivamente reduzida — o preço, é claro, se manteve. Hoje a maioria dos pacotes de bolacha tem 170g; os de bolacha waffer têm em média 140g e não consta que estes pacotes custem menos do que custavam quando tinham 160, 180 ou 200g.

Recentemente me deparei com um desses pacotes de bolacha waffer em cuja embalagem podia-se ver que a quantidade era de 140g mas o consumidor receberia “sem nenhum custo adicional” mais 30g, perfazendo um total de 170g pelo preço de 140g. Mas esses 140g custam o mesmo que os 200g de antes, o que implica que o consumidor que está levando 170g, na verdade continua pagando o preço de 200g e regozija-se por achar que está levando 30g de graça.

Eu não pretendo dizer que a maquiagem de produtos é um assunto mais importante do que as eleições municipais brasileiras ou do que a disputa presidencial norte-americana, mas é nas pequenas coisas (bolachas, por exemplo) que o indivíduo revela sua capacidade de ver, pensar e agir. Existem produtos maquiados ou falsos de diversos tipos: bolachas, laticínios, cereais, candidatos, prefeitos, presidentes. O que garante que você será capaz de aceitar alguns tipos e evitar outros? O que garante que você será mais esperto na zona eleitoral do que é no mercado?

mccain republican
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Este post foi descaradamente inspirado neste post do Saboya, que eu sugiro que você leia. Lá você encontrará as razões pelas quais deveríamos (futuro do pretérito, porque não votamos nos EUA) preferir McCain a Hussein Obama.

Confesso que tenho prestado pouca atenção à política ultimamente e nem as eleições que batem à minha porta quase todos os dias (municipais, 2008) têm merecido os vincos da minha testa. Mas é nauseabunda a freqüência com que a mídia brasileira diz amém ao democrata Hussein, dando-o como eleito. Desagrada (embora não surpreenda) ver esse desequilíbrio nos telejornais. Por exemplo, a candidata à vice-presidência de McCain, Sarah Palin, só se tornou conhecida no Brasil quando os jornais norte-americanos destacaram o “escândalo” envolvendo sua filha (que engravidou do namorado e, por isso, decidiu casar, vejam só que baixaria…).

O objetivo deste post é, portanto, tornar as coisas menos desequilibradas e menos desinformadas do lado de cá da linha do Equador. Se não servir para eleger McCain, espero que sirva ao menos para que mais e mais pessoas saibam que Obama não é candidato único, tampouco o melhor — e, de quebra, lembrar-nos da imprensa porca que nos envenena todos os dias.

voto ninguém nulo
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“(…) a única forma decente de democracia é aquela que reflete exatamente aquilo que o eleitor pensa.” (link)

Muitas pessoas — inclusive algumas muito inteligentes — falavam eleições passadas da inutilidade do voto nulo, porque alguém será eleito de qualquer forma e a possibilidade de eliminar candidatos pela grande quantidade de votos nulos é remotíssima. Eu mesmo já fui contra o voto nulo e expus boas razões para isso — e links ainda melhores.

Pouco tempo depois percebi os problemas de não manter uma estreita relação entre minha própria consciência e o voto, como citado na frase que abre este post. Se a democracia é o que é, se os votos conduzem invariavelmente a uma situação longe daquela que pretendem obter, um dos motivos é a distância entre aquilo que o eleitor pensa e aquilo que ele faz nas urnas e no restante de sua vida política, por mais ordinária que seja.

O que defendo aqui não é propriamente o voto consciente, tampouco o nulo, mas o voto honesto. Ter consciência do que se faz não implica honestidade ao votar; o voto consciente — a menina dos olhos da Justiça Eleitoral — pode ser bem desonesto. Já votei em candidatos que eu abominava simplesmente para evitar que candidatos ainda piores fossem eleitos. Era um protesto, mas voto de protesto de verdade, naquelas circunstâncias, teria sido o voto nulo.

A vantagem das eleições municipais é que, dependendo do tamanho da cidade em que você vive, é fácil conhecer os candidatos. Na cidade em que vivo, por exemplo, é fácil reconhecer os candidatos nas ruas. É fácil também lembrar do histórico de cada um como pessoa pública e é fácil ter a certeza de que, até o momento, nenhum deles representa alternativa melhor do que o voto nulo. “Melhor” diz respeito à honestidade do meu voto, não à possibilidade do meu voto levar o melhor candidato (ou o menos ruim) à prefeitura ou evitar que o pior chegue lá.

O voto nulo é uma opção. Assim como o voto em branco significa “tanto faz”, o voto nulo significa algo como “nenhum candidato me parece decente”. Mesmo que ele não conduza de fato à anulação das eleições e à eliminação dos candidatos (como se divulgou numa eleição passada), ele é uma opção de expressão política e como tal todo voto — não apenas o nulo — deve (ou deveria) ser encarado.

obama

Para muitos brasileiros o único defeito de Barack Hussein Obama é não estar se candidatando à presidência do Brasil. Não fosse por esse detalhe, já estaria eleito por estas bandas.

Se Bush filho foi hábil em conquistar a antipatia de metade do mundo (sendo que a outra metade não dá muita atenção a esse assunto), Obama até agora tem sido uma espécie de flautista de Hamelin. Os EUA seguem firmes na decisão de dar um tiro no próprio pé.

Haja paciência.

Aliás, os ratos somos nós.

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“Na sua breve carreira de pré-candidato, o sr. Barack Obama já contou, comprovadamente, mais de sessenta mentiras só sobre a sua biografia (excluídas as mentiras políticas). Ele mente sobre suas origens, sobre sua família, sobre sua educação, sobre seus amigos, sobre o pastor da sua igreja. Nenhum político faz isso. Todos são verazes nas miudezas para poder falsificar melhor o conjunto. Obama mente no atacado e no varejo, no todo e nos detalhes, até em detalhes óbvios que não levam meia hora para ser desmentidos. Chamá-lo de mentiroso seria eufemismo.” (link)

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Imagem obtida aqui.

coligação

Não fossem cômicas, seriam um pouco trágicas para o município as coligações e parcerias que têm sido formadas para as eleições deste ano. Não digo com isso que certas inimizades políticas devam ser mantidas eternamente ou que não possa haver convergência de interesses. As pessoas mudam, os objetivos mudam e a conjuntura muda e indica direções diferentes daquelas observadas nas eleições anteriores.

O que impressiona é perceber que não houve mudanças conjunturais significativas. As pessoas continuam as mesmas e os objetivos são iguais aos da eleição passada. A despeito disso, os dois sujeitos que ontem não se bicavam, hoje aparecem nas fotos como melhores amigos — unidos para conquistar o poder público municipal. Aqueles outros dois sujeitos, que já trocaram ofensas pessoalmente ou através da imprensa, hoje trocam alianças e seguem de mãos dadas para o pleito de outubro.

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placa gandalf

Quando acompanho as discussões em torno da política local, as prévias partidárias e os noticiários, tenho a impressão de que as pessoas não sabem o que é política, do que ela é feita e qual sua importância. Eu não tenho a pretensão de explicar detalhadamente estas coisas aqui — ainda as estou estudando —, mas gostaria de dizer duas ou três coisas a respeito delas.

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confuciusOs Analectos — É o nome da principal obra de Confúcio. Ainda estou no começo da leitura, mas percebi uma coisa: é difícil não se sentir fraco diante das palavras do Mestre. A moral é para os fortes. Eu nunca me senti tão fraco. Não há meio-termo nas páginas de Os Analectos. Ou você é um indivíduo moral e age conforme essa moralidade, estuda, segue uma disciplina, assume responsabilidades morais e as compreende ou você não faz nada disso e é imoral, simplesmente imoral. Não há gradações. A existência de gradações significaria conceder a quem não merece concessões, e o indivíduo imoral não busca a perfeição, a virtude e a sabedoria, ele só quer concessões — e, dependendo das circunstâncias, votos.

Aqui, uma coletânea de frases de Confúcio, todas extraídas de Os Analectos.

Eleições 2006 — eu me arrependo de ter convencido algumas pessoas a não votar nulo. Primeiro porque eu mesmo me arrependi de não ter anulado meu voto; me senti estúpido por ter votado em candidatos específicos porque eu disse a mim mesmo que não acreditava na democracia brasileira, e continuo não acreditando. Segundo porque a única forma decente de democracia é aquela que reflete exatamente aquilo que o eleitor pensa. Terceiro porque a democracia brasileira não ajuda em nada o eleitor a pensar. Em outras palavras, eu traí minha consciência ao votar. Sei que se muitos pensarem dessa forma Lula será reeleito, e há também aquele papo de que não se deve colocar o ego acima de uma causa maior (livrar o país do Sumo Apedeuta). Mas dói mais trair a própria consciência do que ter mais quatro anos de bandalheira. Ademais, é sobretudo pela vacuidade mental que a política é o que é e é sempre muito bom que os eleitores sejam chamados a exercitar suas respectivas consciências a cada eleição — aqueles que a têm. Caberia aqui uma discussão sobre o que é mais importante e possível: o exercício consciente do voto ou a condução dos inconscientes na direção do mal menor.

O sentido da vida«O que realmente importa não é o que nós esperamos da vida mas o que a vida espera de nós. Nós precisamos parar de questionar qual o sentido da vida mas, ao contrário, pensar em nós mesmos como sendo questionados pela vida — diariamente e a cada hora. Nosso questionamento deve consistir não em fala e meditação, mas no correto agir e na correta conduta. O sentido final da vida é tomar a responsabilidade de encontrar a resposta correta aos problemas e cumprir as tarefas que são constantemente dadas para cada indivíduo.» (via Budo). Impossível não ver relações entre esta frase de Viktor Frankl e as idéias transmitidas por Confúcio em Os Analectos.

Cinefilia — ao contrário do que meu descontentamento fez parecer, é muito bom passar diante do cinema e constatar que não há nada de interessante para ver. É claro que esta é uma avaliação muito subjetiva. Eu não quis ver Dália Negra, não quis ver O diabo veste Prada, não quis ver Serpentes a bordo, quis menos ainda ver Deu a louca na Chapeuzinho; eu simplesmente não quis porque não li coisas boas sobre esses filmes, não me comovi com os cartazes e os traillers, não estava disposto a encarar salas lotadas (feriados…) para ver filmes de qualidade duvidosa ao lado de gente que acredita que uma sessão de cinema é a melhor ocasião para chutar poltronas, falar alto e tentar controlar crianças indomáveis. Foi assim, longe do cinema, que tive horas agradáveis de conversa, café e leitura; que pude ver as gentes em seu habitat natural; que me dediquei à minha disciplina diária de exercício e meditação; e que, afinal, escolhi filmes numa locadora e os vi no conforto e no silêncio do lar, ao lado de minha esposa e meus irmãos.


Where the fuck is your civil disobedience, dude?

Eu, que nunca votei, este ano caí na besteira de regularizar e transferir meu título para a cidade onde efetivamente moro. O Estado, para se vingar da minha ausência em todas as eleições nos últimos 14 anos, convocou-me para trabalhar no referendo. Maldito seja.

Podem rir. Eu mereço.

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