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rainy day

Gosto muito de dias frios, mas a combinação entre baixas temperaturas e chuva constante e fina acaba com qualquer um que dependa do sol para encontrar algum calor — entendido aqui de todas as formas possíveis. O corpo fica lento, o humor vacila e a mente os acompanha, sem encontrar forças para conseguir assumir o comando de todo o conjunto. Tem sido útil lembrar a máxima yogi que diz que a respiração é a corda que se usa para descer ao poço da mente.

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Insular is no more. Talvez não seja o fim, pois ainda não sei se meus dias longe da ilha são permanentes ou provisórios, mas não há mais sentido em manter um blog que trata de um lugar onde não estou, sobretudo porque, como eu disse aqui, não se trata de um blog de ficção.

Talvez o Insular volte. O blog continuará lá, assim como todos os posts e artigos. Quem sabe um dia eu volte a escrever sobre Ilhabela.

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Arquitetura is no more — para mim, claro. Tenho intenção de escrever longamente sobre isso noutro momento, inclusive como forma de compreender o que houve. O fato, falando mais brevemente, é que decidi deixar a arquitetura de lado, encerrá-la como parte de um período particular de minha vida, já concluído.

A arquitetura — graduação e mestrado — trouxe pelo menos um efeito colateral positivo, em algum momento no início do segundo ano de faculdade. Esse efeito consistiu em desenvolver a consciência sobre o que meus
professores pensavam, sobre o que me era exigido, sobre o que se esperava de um estudante e de um profissional. Tudo isso ficou muito claro para mim a partir desse momento. Não era nenhum poder extra-sensorial, era apenas a capacidade de saber o que me era exigido e saber o que fazer.

Eu acredito que todos desenvolvam essa consciência em algum momento da vida — geralmente no final da juventude, o que pode coincidir com os anos de faculdade. O problema é que a maioria finge que não possui essa consciência. O sujeito sabe que o rei está nu, mas prefere elogiar o traje do monarca — e assim sua consciência só é usada na manifestação dessa preferência.

Não me vi em condições de denunciar a nudez real, mas em 12 anos como arquiteto também não encontrei condições de me alinhar à massa que elogiava as roupas do rei. Simplesmente saio de cena, confiante de ter feito a escolha certa, aliviado por não ter mais qualquer obrigação de súdito, mas consciente dos riscos a que me exponho — as pessoas toleram muito pouco quem não esteja disposto a alinhar-se com elas.

Pergunte-se e responda sinceramente se o mundo precisa de arquitetos. Eu fiz essa pergunta e decidi estudar a tradição do yoga.

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Educação é um troço muito chato. Falo da educação tal como é discutida em mesas redondas na TV, em programas políticos, em jornais e artigos. O problema é encarar a educação como aquilo que acontece em escolas, diante de um professor.

Logicamente há valor nesse formato de ensino, mas não há evidências de que as aulas de citologia e de termodinâmica que tive no colegial serviram ou servirão para alguma coisa. Pura perda de tempo — esteja à vontade para provar que não é.

Minhas parcas experiências com outras formas de ensino em áreas incomuns do conhecimento demonstram que boa parte da essência e do sucesso do ensino está na relação entre professor e aluno. Pessoas são muito mais importantes para o ensino do que costumamos acreditar. Gasta-se muito tempo e muito dinheiro com livros ruins e métodos capengas e pouco tempo e suor olhando a pessoa que ensina e a pessoa que aprende.

Não sugiro nada além de buscar saber como funciona a rotina de estudos num dojo tradicional (seja ele de zendo, de artes marciais, de uma arte tradicional japonesa) e por que o ensino nesses moldes costuma ser bem-sucedido. “É pequeno”, dirão alguns, aludindo ao fato de que as melhores escolas são aquelas com poucos alunos e que, afinal, artes como o chado não são para qualquer aluno. Mas quem disse que o ensino convencional é para qualquer um? Quem disse que ele deve ser para qualquer um?

Talvez esteja aí o erro crasso dos métodos, ações e políticas modernas: a massificação do estudo, a idéia de que o estudo é uma obrigação universal — tanto para quem deve oferecê-lo como para quem supostamente se beneficia com ele. É realmente ruim que o filho de um alfaiate decida largar os estudos para dedicar-se ao ofício do pai? Não é maravilhoso que uma pessoa decida assumir a responsabilidade pela própria vida dessa forma? O que é mais necessário para um país, pessoas educadas ou pessoas responsáveis?

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link da imagem

clavin thesis
Imagem meramente ilustrativa

Fim.

Depois de três anos no mestrado da FAU-USP, a dissertação foi entregue, avaliada, apresentada e discutida com três professores. Falta apenas pegar o certificado ou diploma — não sei como chamam isso na pós-graduação.

Quem tiver muito, mas muito interesse em saber mais sobre minha dissertação ou até baixá-la e lê-la na íntegra, vá até o Insular. Como muitos notarão, eu a disponibilizei por lá porque toda a pesquisa é sobre a cidade de Ilhabela.


Nem a super-balsa agüentou o tranco desta vez.

Longe de mim amaldiçoar quem vem para Ilhabela para descansar ou se divertir — todo turista educado é sempre bem-vindo —, mas há pelo menos um lado bom em eventos como o que ocorreu logo após o Réveillon deste ano, quando a suspensão do serviço de balsas causou longas esperas para chegar ao continente.

Como todos sabemos, o problema na travessia surgiu em decorrência de um fenômeno natural. Foi uma coincidência infeliz: ventos fortes obrigaram o serviço de balsas a parar justamente numa das épocas de maior movimento, resultando em filas inacreditáveis e esperas de mais de oito horas. Read the rest of this entry »

pequea

Chega o fim do ano e inevitavelmente as pessoas fazem planos e balanços, que incluem uma análise dos meses que passaram, das ações e realizações. Realismo é sempre bem-vindo; não é possível querer já no próximo ano tornar-se o presidente de uma grande corporação se ao longo deste ano você nem sequer concluiu os estudos. As pretensões podem ser grandes, mas tudo tem seu próprio tempo. Entre concluir os estudos e tornar-se presidente de uma grande corporação existem etapas que precisam ser cumpridas necessariamente. O que diferencia o zé ninguém do sujeito bem-sucedido é essa noção de ordem dos fatores, de crescimento progressivo, de dependência daquilo que se realizou antes.

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pró-atividade

No jargão do mundo corporativo, pró-ativo é aquele sujeito que se antecipa às ordens de seu chefe. O empregado pró-ativo (ou colaborador, eufemismo que alguns insistem em usar) está atento ao seu ambiente de trabalho, aos objetivos de sua empresa e não se limita às suas próprias responsabilidades. Ele pensa, ele fala, ele age. Ele se pergunta constantemente sobre como melhorar as coisas ao seu redor e planeja as ações nesse sentido. O empregado pró-ativo é o sonho de todo empresário.

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aikido ilhabela

O site do Shin Shin Toitsu Aikido Ilhabela está em novo endereço. Este:

http://aikidoilhabela.wordpress.com/

Para quem não sabe, trata-se do grupo onde treino há aproximadamente 10 anos (também sou um dos instrutores).

O site do nosso dojo ganhou novos recursos e dispões de textos sobre a arte, informações sobre as aulas, além de ebooks para download, imagens e links interessantes.

Quem estiver em Ilhabela e região, aceite meu convite para participar de um de nossos treinos e, querendo, juntar-se a nós.

storm sailing boat
Tempestade à frente? Só o futuro dirá. (link da imagem)

Se as eleições revelam até onde as pessoas estão dispostas a ir para realçar as diferenças, as semanas que as sucedem trazem-nas de volta à realidade: este arquipélago é um só. Isto significa que não há diferenças importantes, mesmo que os partidos e seus líderes digam o contrário.

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berrante
Chamando para a festa da democracia. (link da imagem)

Eu emburreço em ano eleitoral. Na verdade eu emburreço um pouco todos os anos, sinto-me cada vez mais idiota, incompetente e inútil. Vejamos: ando numa praia e vejo um sujeito passeando com seu delicado pitbull; peço a ele para deixar o cão em casa e obtenho como resposta uma palavra tão delicada quanto o animal de coleira; informo as autoridades competentes sobre o fato e obtenho como resposta um silêncio constrangedor; informo a mim mesmo sobre a inutilidade dos meus pedidos e obtenho como resposta do subconsciente o imperativo “desista, não é tão sério assim”. Processo semelhante ocorre quando vejo praias sujas, o trânsito cada vez mais maluco e infestado de imbecis, a indiferença conveniente de muitos veranistas e a boçalidade que predomina nos debates do lado de cá do Canal de São Sebastião. As etapas e os processos são os mesmos e todos me dizem que não existe problema sério ou importante demais que mereça os vincos da minha testa. Afinal, se tantas pessoas ignoram o que é errado, talvez o erro não seja assim tão sério.

Ano eleitoral é um caso à parte. Read the rest of this entry »

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carro de som
Isto sim é que é carro de som bão.

Tento descobrir a lógica oculta sob carros de som, muros pintados e panfletos que emporcalham as ruas. O esforço é vão, porque essa lógica é semelhante àquela outra, não menos misteriosa, que leva algumas pessoas a estourar fogos de artifícios quando um navio se vai, a abrir o porta-malas de um carro para que todos ouçam o som que vem dali e a acelerar forte uma moto barata de escapamento aberto em plena madrugada. É a lógica da melancia no pescoço, que diz que a melhor forma de conseguir algo que se deseja é fazer barulho, chamar a atenção, mostrar-se mesmo que de formas ridículas.

Se essa lógica se mostra impenetrável em meses normais — porque eu acho que nunca vou entender motociclistas e fogueteiros —, no período eleitoral ela ganha alguns flancos a partir dos quais seria possível (eis minha esperança) compreendê-la, expugná-la e bani-la deste arquipélago.

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coligação

Não fossem cômicas, seriam um pouco trágicas para o município as coligações e parcerias que têm sido formadas para as eleições deste ano. Não digo com isso que certas inimizades políticas devam ser mantidas eternamente ou que não possa haver convergência de interesses. As pessoas mudam, os objetivos mudam e a conjuntura muda e indica direções diferentes daquelas observadas nas eleições anteriores.

O que impressiona é perceber que não houve mudanças conjunturais significativas. As pessoas continuam as mesmas e os objetivos são iguais aos da eleição passada. A despeito disso, os dois sujeitos que ontem não se bicavam, hoje aparecem nas fotos como melhores amigos — unidos para conquistar o poder público municipal. Aqueles outros dois sujeitos, que já trocaram ofensas pessoalmente ou através da imprensa, hoje trocam alianças e seguem de mãos dadas para o pleito de outubro.

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ilhabela antiga

Quem conhece Ilhabela há mais de 25 anos deve lembrar-se de como este lugar era diferente do que é hoje. Eu não vou saber explicar todas as diferenças. O que vem à mente agora é uma mistura de memórias de infância com senso crítico sobre o lugar que vejo hoje. Essa mistura me leva a valorizar aquilo que existia 25 anos atrás e a desprezar o que existe hoje. Sei que essa atitude não é totalmente justa, porque o passado já foi e tudo que temos de fato é o que vemos ao redor, aqui e agora. Não se pode comparar o que é com o que não é mais. Não se pode comparar realidade palpável com memória.

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ciclovia ilhabela

O fiscal pára o carro num dos principais cruzamentos da cidade. Em tom grave e sonoro ele diz, apontando para o motorista: “Cinto de segurança e criança no banco de trás!”. É claro que o motorista não disse palavra; limitou-se a fazer o que lhe foi determinado e agradeceu em silêncio o fato de não ter sido multado, pois a infração era dupla.

Minutos antes eu pedalava quando me deparei com diversos grupos de pessoas caminhando pela ciclovia — as pessoas desembarcam dos navios e acham lindo caminhar justamente ali. Read the rest of this entry »

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