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Advaita Yoga é o nome de meu novo blog. É sobre yoga, claro. Eu já falei de yoga algumas vezes aqui em meu blog pessoal, mas tenho feito estudos e acumulado algumas anotações que ficariam melhores num ambiente especificamente dedicados ao yoga. Daí veio a idéia do novo blog.
O Advaita Yoga não é apenas um blog com posts sobre o yoga. Assim como em meu blog pessoal, há também e-books para download e papéis de parede.
Obviamente, a programação por aqui prossegue como de costume. Em breve retorno com atualizações.
Aos yogues e não-yogues, boas-vindas e muito obrigado.

Gosto muito de dias frios, mas a combinação entre baixas temperaturas e chuva constante e fina acaba com qualquer um que dependa do sol para encontrar algum calor — entendido aqui de todas as formas possíveis. O corpo fica lento, o humor vacila e a mente os acompanha, sem encontrar forças para conseguir assumir o comando de todo o conjunto. Tem sido útil lembrar a máxima yogi que diz que a respiração é a corda que se usa para descer ao poço da mente.
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Insular is no more. Talvez não seja o fim, pois ainda não sei se meus dias longe da ilha são permanentes ou provisórios, mas não há mais sentido em manter um blog que trata de um lugar onde não estou, sobretudo porque, como eu disse aqui, não se trata de um blog de ficção.
Talvez o Insular volte. O blog continuará lá, assim como todos os posts e artigos. Quem sabe um dia eu volte a escrever sobre Ilhabela.
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Arquitetura is no more — para mim, claro. Tenho intenção de escrever longamente sobre isso noutro momento, inclusive como forma de compreender o que houve. O fato, falando mais brevemente, é que decidi deixar a arquitetura de lado, encerrá-la como parte de um período particular de minha vida, já concluído.
A arquitetura — graduação e mestrado — trouxe pelo menos um efeito colateral positivo, em algum momento no início do segundo ano de faculdade. Esse efeito consistiu em desenvolver a consciência sobre o que meus
professores pensavam, sobre o que me era exigido, sobre o que se esperava de um estudante e de um profissional. Tudo isso ficou muito claro para mim a partir desse momento. Não era nenhum poder extra-sensorial, era apenas a capacidade de saber o que me era exigido e saber o que fazer.
Eu acredito que todos desenvolvam essa consciência em algum momento da vida — geralmente no final da juventude, o que pode coincidir com os anos de faculdade. O problema é que a maioria finge que não possui essa consciência. O sujeito sabe que o rei está nu, mas prefere elogiar o traje do monarca — e assim sua consciência só é usada na manifestação dessa preferência.
Não me vi em condições de denunciar a nudez real, mas em 12 anos como arquiteto também não encontrei condições de me alinhar à massa que elogiava as roupas do rei. Simplesmente saio de cena, confiante de ter feito a escolha certa, aliviado por não ter mais qualquer obrigação de súdito, mas consciente dos riscos a que me exponho — as pessoas toleram muito pouco quem não esteja disposto a alinhar-se com elas.
Pergunte-se e responda sinceramente se o mundo precisa de arquitetos. Eu fiz essa pergunta e decidi estudar a tradição do yoga.
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Educação é um troço muito chato. Falo da educação tal como é discutida em mesas redondas na TV, em programas políticos, em jornais e artigos. O problema é encarar a educação como aquilo que acontece em escolas, diante de um professor.
Logicamente há valor nesse formato de ensino, mas não há evidências de que as aulas de citologia e de termodinâmica que tive no colegial serviram ou servirão para alguma coisa. Pura perda de tempo — esteja à vontade para provar que não é.
Minhas parcas experiências com outras formas de ensino em áreas incomuns do conhecimento demonstram que boa parte da essência e do sucesso do ensino está na relação entre professor e aluno. Pessoas são muito mais importantes para o ensino do que costumamos acreditar. Gasta-se muito tempo e muito dinheiro com livros ruins e métodos capengas e pouco tempo e suor olhando a pessoa que ensina e a pessoa que aprende.
Não sugiro nada além de buscar saber como funciona a rotina de estudos num dojo tradicional (seja ele de zendo, de artes marciais, de uma arte tradicional japonesa) e por que o ensino nesses moldes costuma ser bem-sucedido. “É pequeno”, dirão alguns, aludindo ao fato de que as melhores escolas são aquelas com poucos alunos e que, afinal, artes como o chado não são para qualquer aluno. Mas quem disse que o ensino convencional é para qualquer um? Quem disse que ele deve ser para qualquer um?
Talvez esteja aí o erro crasso dos métodos, ações e políticas modernas: a massificação do estudo, a idéia de que o estudo é uma obrigação universal — tanto para quem deve oferecê-lo como para quem supostamente se beneficia com ele. É realmente ruim que o filho de um alfaiate decida largar os estudos para dedicar-se ao ofício do pai? Não é maravilhoso que uma pessoa decida assumir a responsabilidade pela própria vida dessa forma? O que é mais necessário para um país, pessoas educadas ou pessoas responsáveis?
Utilidade pública, pelo menos para quem pratica yoga.
Havia um site que mostrava 611 imagens de asanas (posturas do yoga) demonstradas por Dharma Mittra, um brasileiro que vive em Nova York que é considerado por muitos (por mim e por um de meus professores, inclusive) como um dos grandes mestres da atualidade. As imagens vieram do livro “608 Yoga Poses”, um livro à altura do famoso “Light on Yoga”, de B. K. S. Iyengar.
Pois bem. O site saiu do ar, mas tive tempo de salvar todas as imagens. Na verdade, ainda é possível ver as imagens uma a uma aqui. Para facilitar a pesquisa, reuni todas as imagens num único arquivo compactado, que pode ser baixado aqui.
Não precisa agradecer. Pratique.
Não morri, não fui preso (meu avô sempre perguntava se eu havia sido preso quando ficava muito tempo sem visitá-lo), não estou morando num mosteiro. Apenas mudei de cidade. Estou passando um tempo — semanas, meses, anos ou a vida toda, ainda não sei — longe de minha cidade, praticando e estudando yoga.
Uma das conseqüências do estudo de uma disciplina espiritual é o distanciamento da rotina anterior, supostamente não-espiritual. Isto explica minha ausência. E também explica meu crescente desinteresse por todas as coisas que não tenham relação com a disciplina em que me coloquei. Não se trata de empáfia, como ocorre com freqüência com os iniciados, mas de comedimento, moderação ou, como se costuma dizer, de freio na língua. Trata-se de não abrir a boca sobre assuntos desconhecidos, porque o estudo mostra nosso desconhecimento e os riscos de apostar na própria erudição. Você vê adiante a longa trilha que tem a percorrer e sabe que falar é perda de tempo, é desvio, é estupidez. E por isso se cala e volta-se para sua disciplina.
Por isso a ausência e o silêncio.
Entretanto, como é sensato não deixar este site desvanecer, eis alguns tópicos que têm me acompanhado estes últimos dias.
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Yoga
Aquilo que usualmente se chama yoga é na verdade um ramo do yoga: o hatha yoga, que em grande parte limita-se à prática de asanas (lê-se «áçanas») e à preparação do corpo para a meditação. Uma das descobertas mais interessantes nestes meus primeiros dias como estudante de yoga está relacionada à insuficiência da prática física — ou à sua natureza transcendental. Contorcer-se é bom, mas não é o bastante. A prática de asanas melhora a saúde, reforça os músculos, previne problemas articulares, torna a postura mais bonita e equilibrada, beneficia a respiração, a circulação e a condição física geral do indivíduo. Mas lapidar o espírito é outra coisa. O praticante pode tornar-se um paspalho narcisista ao perceber os primeiros resultados da prática dos asanas e permanecer assim indefinidamente.
Outro problema, não menos sério, é que o praticante também pode tornar-se um paspalho narcisista ao perceber os primeiros resultados do yoga sobre o espírito. A ascese genuína não dá espaço para efeitos colaterais desse tipo; saber identificá-la e distingui-la é parte do treinamento do yogi.
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Leituras
O modo como a cultura torna os seus filhos sociáveis é lhes ensinando a confiar primeiramente nos julgamentos que estão fora deles mesmos. Para socializar uma criança você precisa inspirar nela somente três princípios: aceitar a informação vinda de fora, buscar as recompensas exteriores e ignorar a voz interior, caso ela conflite com o que vem de uma autoridade externa. Essa é a maneira de treinar uma criança para que ela seja membro de uma sociedade. Por isso, quando a mãe diz «faça isso», você faz, mesmo que sinta em seu coração que não é o certo. Se você se sair bem agindo dessa forma, será bem-sucedido na sociedade; caso contrário, será um proscrito.
Quando dizemos «confie na sua intuição», quando passamos a encorajar isso, estamos revertendo o processo. Quando despertamos, começamos a agir de dentro para fora, e não de fora para dentro — e essa é a transformação que realmente buscamos. Ela conduz a um comportamento baseado não no auto-interesse esclarecido, mas nos mecanismos de um coração desperto.
Trecho de Caminhos para Deus — Ensinamentos do Bhagavad Gita, de Ram Dass.
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Opera 10
O melhor navegador da atualidade ainda está em fase beta, mas traz inovações que podem tirá-lo do injusto ostracismo em que se encontra (não à toa, o Opera é injustamente conhecido como «o melhor navegador que ninguém usa»). Além da tradicional velocidade e grande quantidade de recursos, a atual versão do Opera traz o serviço Opera Unite, um novo conceito de compartilhamento de dados.
Com o Opera Unite o PC se torna um servidor com a capacidade de compartilhar arquivos, imagens, músicas. Sem novidades, você dirá, porque diversos programas fazem isso — como os programas de torrent e de compartilhamento P2P. A diferença é estes programas fazem todas essas coisas separadamente. O Opera Unite reúne todas as funções de compartilhamento de arquivos (e várias outras funções) no navegador, tornando-as mais fáceis e rápidas de utilizar, sem necessidade de uploads, sem necessidade de add-ons ou plugins.
Saiba mais aqui.
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O triunfo do indivíduo
Acho que encontrei resposta para uma dúvida antiga e freqüente (freqüente, sim, eu estou me lichando para a súcia ortográfica): num mundo cada vez mais desorganizado e sobrecarregado com informações contraditórias ou falsas, como encontrar equilíbrio, paz de espírito e, mais importante, como encontrar a Verdade?
A resposta está no indivíduo. Sua consciência é naturalmente capaz de testemunhar a realidade e interpretá-la e distinguir o real do irreal, a verdade da mentira, a ordem do caos. O filósofo Olavo de Carvalho expressa essa idéia de forma brilhante na frase que apresenta seu site: «Somente a consciência individual do agente dá testemunho dos atos sem testemunha, e não há ato mais desprovido de testemunha externa do que o ato de conhecer.»
Perco-me com freqüência no excesso de notícias, de escritos, de idéias, de discussões. Encontro-me quando deixo estas coisas de lado e busco o indivíduo (ou os indivíduos) por trás de tudo — minha própria consciência e a consciência de quem transmite a informação. Ocorre então uma identificação semelhante àquela cumplicidade que ocorre entre autor e leitor (nos bons livros). Vejo a pessoa que se manifesta, que escreve, que diz algo, que realiza estas ou aquelas ações. E a confusão se desfaz: a pessoa manifesta claramente tudo aquilo que supostamente permanece invisível ou intocável, ela completa as lacunas eventualmente esquecidas.
Não são idéias, não são notícias, não são discussões — são indivíduos. Boa parte dos problemas deste mundo está na facilidade de ignorar as pessoas e tomá-las por aquilo que nunca serão — qualquer coisa, menos gente.

Obamasana — ou a postura do herói.
Makoto é um dos princípios basilares do aikido. Makoto significa sinceridade ou honestidade, mas também pode ser entendido como verdade ou coerência entre palavra e ação. No yoga, o princípio que mais se aproxima de makoto é satya — verdade.
Nos dois casos, seja o praticante um aikidoka ou um yogue, o compromisso com a verdade é um pressuposto ao trilhar um caminho espiritual como uma arte hindu ou uma arte marcial japonesa.
Praticantes do aikido e do yoga têm — talvez mais do que outras pessoas — um compromisso com a verdade que deve ultrapassar suas vidas, suas disposições e pretensões. Há nessas artes a obrigação de desenvolver a capacidade de ver através da névoa espessa da mentira e da falsidade, ainda que essa visão implique a destruição de ilusões que sustentavam a vida do praticante; daí que makoto e satya podem causar frustração e desencanto. Em alguns casos, makoto ou satya podem fazer o praticante abandonar sua arte, caso ele seja incapaz de encarar a verdade que lhe é revelada.
Qual não foi minha surpresa quando vi que nessas duas artes há pessoas capazes e gabaritadas e ao mesmo tempo crédulas, desligadas da mais mínima consciência sobre makoto ou satya?
O boletim de yoga que recebo quase todos os dias começou hoje falando da posse do novo presidente:
Obama and Yoga — Regardless of what politics you may practice, today is a day of change and renewal. (…) Before he began his presidential campaign, he was asked why he wanted to become president. Obama answered that he wanted to be of service.
Como não encontro um link para o texto deste boletim, talvez o leitor queira ver outras referências a Obama no site da revista Yoga Journal. Não são poucas.
Dias atrás descobri um vídeo no YouTube intitulado Aikidoists for Obama, que mostrava um treino especial para levantar fundos para a campanha do democrata.
Eu entendo o que uma eleição presidencial pode significar para um país e mesmo quem deveria não se envolver com política de forma alguma acaba se envolvendo com ela até o pescoço. Mas é especialmente surpreendente e assustador quando esse envolvimento contraria princípios que sustentam as artes que essas pessoas praticam, o que significa que, ao menos em potência, essas pessoas estão dispostas a sacrificar essas artes em nome de… nada, em nome de uma imagem, em nome de algo meticulosamente construído para assumir o poder de um país e tornar-se símbolo de esperança e mudança, a despeito da abundância de evidências em contrário.
Eu não espero que essas pessoas leiam isto ou que conheçam as fontes citadas neste texto, mas o mínimo que espero delas — por uma questão simples de fidelidade àquilo que praticam e por autoproteção — é makoto e satya, um compromisso irrestrito com a verdade, mesmo que ela mostre, no fim, que mudança e esperança não constróem nações.

Uma das coisas mais encantadoras no yoga é a possibilidade de experimentar formas muito elementares e ao mesmo intensas da unidade entre corpo e mente. Cada postura e cada exercício exigem que o indivíduo esteja ali, inteiro, e que ele continue assim, mesmo depois do final da prática. Mesmo que ele se desligue de seu corpo ao longo do dia — em razão das obrigações intelectuais que precisará cumprir, como o trabalho e o estudo –, seu corpo dirá que aquele indivíduo não é mente ou corpo ou espírito isolados.
A vida é feita de posturas, mesmo que o indivíduo passe horas lendo ou escrevendo. A respiração sustenta-o o dia todo, a todo instante. O yoga apenas lembra-o dessas verdades primordiais, de modo que respiração, postura e todas as coisas que interferem em sua saúde funcionem da melhor forma possível. Não se trata apenas de ter boa saúde, mas de desenvolver o próprio vigor físico e mental e de aproveitá-lo ao máximo. Isto é possível através do estabelecimento da unidade entre corpo e mente. Quem desenvolve esta unidade não desperdiça energia e tem total controle sobre todas as suas funções: a mente não mais oscilará conforme a disposição física, a alimentação e o repouso; o corpo responderá a qualquer comando dado desde dentro e não adoecerá; o espírito ascenderá naturalmente, conduzido por veículos absolutamente saudáveis e puros.
O principal problema de seguir artes ou caminhos espirituais é também sua principal qualidade e o que leva muitas pessoas a procurá-los: a falta de compromisso com a realidade. Não quero dizer com isso que essas artes — como por exemplo o aikido, o yoga ou o kung-fu — sejam alienantes; é fácil reconhecer um praticante alienado: normalmente ele é aquele sujeito que fala o tempo todo da arte que pratica, e fala como se nada mais importasse para sua vida e para vida dos outros. Estes casos são excepcionais e, geralmente, patológicos. O que importa aqui são as pessoas normais, sensatas e atentas à realidade, pessoas às quais não associamos desvios como alienação e arrogância. O que quero dizer é que mesmo nestes casos, mesmo para estas pessoas, essas artes trazem alguma dose de alienação e de deslocamento da realidade.
A maioria dessas artes surgiu numa época em que elas eram necessárias. As artes marciais, por exemplo, surgiram como uma resposta a uma questão de sobrevivência e seu valor residia justamente no fato de que eram uma boa resposta. Esse valor ainda existe, mas a importância de uma arte marcial para a sobrevivência de uma pessoa mudou bastante ao longo dos séculos. Read the rest of this entry »
Lota é este jarrinho:

Como ele se realiza um dos kriyas do yoga, chamado jala neti. O jala neti consiste em deixar correr água pelas fossas nasais de modo a higienizá-las e descongestioná-las.
Completei recentemente minha primeira semana de jala neti diário. O objetivo deste post é compartilhar minha experiência com esse kriya.
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O início é estranho. Desde que aprendi a nadar não tinha a sensação da água percorrendo minhas fossas nasais e a lembrança daquela época não é das mais agradáveis. No entanto, pesquisando e conversando com pessoas experientes pude descobrir que o jala neti é muito menos desagradável, totalmente seguro e muito eficaz. Mais tarde a experiência confirmou o que a teoria sugeria.
Você nunca sabe se deve colocar todas as fichas num único número ou se deve dividi-las em vários números — correndo o risco de dividir assim sua fé em várias partes e perder inevitavelmente.
Você nunca sabe se aquela é a melhor direção a ser seguida e o resultado obtido com a escolha lamentavelmente exclui a comparação com o resultado que seria obtido caso você seguisse a outra direção.
Você nunca sabe se é feliz o suficiente, se deve aceitar serenamente tudo o que tem — inclusive as coisas ruins — e se este é o melhor dos mundos.
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A embalagem de batata frita sugere que o comensal se pergunte o que ele pode fazer para tornar o mundo melhor. Se era para levar a sério a questão, um bom começo seria não comprar batatas fritas — principalmente aquelas de saquinhos, que têm sal, gordura e corante em excesso e geram lixo. Mas, stricto sensu, o melhor começo seria ignorar baboseiras desse calibre.
Enquanto a maioria das pessoas se pergunta como fazer um mundo melhor, você, que é um pouco mais esperto, segue fazendo pequenas coisas melhores a cada dia: uma refeição melhor, uma postura melhor, um trabalho melhor, uma voz e uma fala melhores, um sono melhor, um pensamento melhor. Estas coisas você conhece. Você pode não saber de um monte de coisas, como eu disse no início, mas você sabe muitas coisas e parece adequado e bom dedicar-se a conhecê-las cada vez mais e torná-las cada vez melhores. Se hoje, por exemplo, você consegue caminhar 10km sem se cansar, talvez amanhã você consiga chegar a 12 ou 15km e isso será muito bom.
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Não existe bem suficiente. Nada é suficientemente bom. Nenhum caminho é finito e é bom que você saiba se é finito o caminho em que você se encontra hoje. Ascese — acredite, isto é importante — inclui fazer algo que continuará quando você se for.
A possibilidade constante de auto-superação é mais importante do que a auto-superação mesma, geralmente isolada, superestimada e pontual. Você não precisa quebrar seus próprios recordes, mas precisa — porque assim se constrói uma vida — dedicar-se a todo instante como se esse recorde pudesse ser quebrado a qualquer momento ou apenas como se não houvesse recordes a serem quebrados. A glória que você busca não é a da auto-superação, mas a da prática, do esforço, da ascensão, pequena mas constante, lenta mas firme.
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“A mente faz parte daquilo que é percebido e não tem poder próprio de perceber” — Yoga Sutra 4.19, Patañjali.

Conversamos no treino de ontem a respeito das relações entre corpo, mente e centro. Nosso sensei destacou a importância do uso do centro nos movimentos e nas técnicas e um de meus amigos perguntou-lhe se o que se move é o corpo ou o centro.
Pedi licença a nosso sensei e respondi que as diferenças entre mente, corpo e centro surgem por razões muito didáticas, surgem porque simplesmente não entenderíamos esses elementos se não os tomássemos dessa forma, como elementos estanques. É uma necessidade muito humana a de esmiuçar coisas que só existem inteiras. Não existe, por exemplo, corpo e mente separados. Não existe centro e corpo como partes distintas, mesmo que de uma única coisa, pois o centro do corpo jamais pode ser visualizado ou vislumbrado como tal, como um ponto geometricamente perfeito e passível de reprodução por outras vias (gráficas, por exemplo). E, portanto, não existe o movimento do corpo e o movimento do centro: quando um se move, o outro também move-se porque os dois são uma única coisa.

A vantagem de escrever coisas cada vez mais pessoais é livrar-se da obrigação de mentir. Eu não preciso inventar assuntos, fingir interesse por coisas que na melhor das hipóteses tornam a passagem do tempo mais suportável, aplaudir coisas sérias demais que só interessam a pessoais sérias demais.
Os riscos de mostrar-me como sou, um sujeito ordinário, são compensados pela chance e pela alegria de poder dedicar-me às coisas de que realmente gosto e de tornar-me um pouquinho menos ordinário, s’il vous plaît.
Eu disse, por exemplo, que não mais trataria de notícias aqui. O Governo Federal merece tanto espaço aqui quanto em minha casa ou em meu subconsciente. O mesmo vale para atualidades atuais demais ou quase tudo aquilo que reluz artificiosamente, como páginas de revistas, a imagem das TVs e carros recém-saídos das concessionárias. Esse brilho não existe em pessoas autênticas, porque elas não se importam com a sujeira delicada das estradas de terra e das imperfeições alheias — porque elas não escondem as delas próprias e não têm nojinho de andar (descalças ou com charmosos chinelos de dedo vermelhos) em estradas de terra e se você lhes pede para andar uma milha, elas andam contigo duas, três ou mais.
Diante disso tudo, é razoável que eu fale da única coisa que eu realmente conheço: eu mesmo. Não há nisso a presunção de que sou tão interessante quanto os assuntos realmente importantes que têm aparecido neste site. Há nisso uma verdade simples: a única forma de não mentir e de não falar de assuntos que eu não conheço é falar de mim mesmo, esperando naturalmente que o leitor a quem eu não interesso seja tolerante e sinta-se à vontade para ler outra coisa — és bem-vindo a qualquer momento, sabe.
Em essência, o que faço aqui é o que faço todos os dias: deixo a porta e as janelas abertas. Às vezes chove dentro e o vento já entrou quebrando coisas preciosas, mas há pássaros que pousam sobre a minha mesa e de meu posto sempre dá para ver o céu.
Eu não vou escrever em miguxês (o que seria ofensivo) e também não vou mostrar minha gaveta de cuecas (o que seria grotesco). Mas não vou esconder e fingir, insinuar e ironizar («Seja o seu sim, sim, e o seu não, não; o que passar disso vem do Maligno»), não vou esconder coisas importantes se a única razão para escondê-las for vergonha (que também é egoísmo) — o que não implica expô-las por puro exibicionismo ou por orgulho bobo de fazer algo que milhões de pessoas sabem fazer melhor do que eu.
Eu sei que valho pouco, mas sou tudo que tenho.
A graça de expor coisas pessoais é expor-se ao risco de aperfeiçoá-las e com isso aperfeiçoar a própria vida. Não são poucas as chances de que passe aqui alguém que sabe muito mais do que eu das coisas que estudo e às quais me dedico. Logo, há chances de torná-las melhores para mim mesmo.
Também há chances — menores, é claro — dessas palavras servirem para outras pessoas da mesma forma que descrevi acima. Já houve quem encontrasse aqui uma boa leitura, uma boa imagem, uma boa idéia, uma boa orientação. É raro, mas acontece. E nestes casos, mesmo tão poucos, este site fica automaticamente justificado e ficam automaticamente perdoadas as bobagens que fiz meus oito leitores fiéis tolerarem. Minha gratidão, portanto.
Bom, tem muito mais aí embaixo.







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