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Eu gosto de historinhas zen. Até disponibilizei um ebook com uma boa coletânea aqui em meu site. O problema é que muitas dessas histórias não fazem sentido ou, quando não fazer sentido é o objetivo expresso da história (originando assim um koan), ela já está resolvida de tão conhecida que é. Há o problema do deslocamento, da quantidade de poeira acumulada sobre essas histórias, do preconceito, dos clichês.
Muitas dessas histórias tornaram-se exatamente aquilo que pretendiam criticar ou evitar. Cristais bonitos, mas com pouca utilidade — a não ser que o indivíduo tenha aprendido antes da leitura aquilo que a história pretende ensinar.
Eu penso com freqüência em finais alternativos para histórias conhecidas na tradição zen. E vejo, aos poucos, que esse exercício tem alguma relação com aquilo que o conjunto dessas histórias pretende ensinar. A idéia é precisamente transcender aquilo que já foi dito — não porque inovar é bacana, mas porque é interessante exercitar aquilo que achamos que aprendemos.
Nan-In, um mestre japonês durante a era Meiji (1868-1912), recebeu um professor de universidade que veio lhe inquirir sobre Zen. Este iniciou um longo discurso intelectual sobre suas dúvidas.
Nan-In, enquanto isso, serviu o chá. Ele encheu completamente a xícara de seu visitante, e continuou a enchê-la, derramando chá pela borda.
O professor, vendo o excesso se derramando, não pode mais se conter e disse:
«Está muito cheio. Não cabe mais chá!»
«Como esta xícara,» Nan-in disse, «você está cheio de suas próprias opiniões e especulações. Como posso eu lhe…»
Antes que o mestre pudesse terminar a frase, o professor pegou a xícara e a lançou no chão, que ficou coberto de chá e cacos de louça rústica. O mestre sorriu suavemente.

2008 já vai tarde. Que o Jûgyû-no-zu sirva de inspiração para o ano que se inicia.
A todos, um feliz 2009.

As coisas são mais simples do que parecem ser.
Releia.
As coisas são mais simples do que parecem ser.
A frase é propositalmente ambígua. “As coisas” pode significar pessoas, emoções, idéias, objetos; pode até significar tudo isso ao mesmo tempo. “Simples” pode referir-se àquela mesma simplicidade do copo d’água quando se tem sede ou pode referir-se à simplicidade de um minueto, que só é simples comparado com o que veio depois, na biografia de um grande compositor. “Parecem” pode referir-se à aparência propriamente dita — texturas, cores, peso etc. — ou ao seu reflexo na retina e na mente, já que ver é interpretar e, portanto, você jamais saberá a diferença entre uma coisa e a outra, a despeito da simplicidade do objeto.
Dito de outra forma, palavras são armadilhas e é tarefa do leitor não tomá-las a sério a ponto de obrigar o escritor a desdobrar-se em explicações sobre elas. Se explicações forem necessárias, toda a graça se perde. Explicar uma idéia é sempre pior do que explicar uma piada. Explicada a piada, perde-se apenas a risada. Explicada a idéia, ela própria se perde porque a explicação toma definitivamente seu lugar.
E assim as coisas deixam de ser simples. E assim você já não sabe mais se eu estava falando de simplicidade ou da arte de manipular palavras.

Ele conseguia.
O que é meditação?
Meditação é a arte de ficar quieto, em silêncio e parado por tempo suficiente para você perceber que está fazendo algo diferente daquilo que costuma fazer.
Como se pratica?
A meditação pode ser assim resumida: sentar-se no chão com a coluna reta e permanecer parado nesta posição por pelo menos 30 minutos, respirando conscientemente e em silêncio. Os primeiros 10 minutos serão difíceis. Haverá dor nos joelhos e na região lombar; a respiração ficará forçada, talvez você fique ofegante. Se conseguir encontrar algum conforto nos minutos seguintes, você poderá sentir sono e o equilíbrio será compensado com mais tensão na coluna, o que novamente causará dor. Ao término dos 30 minutos você terá a certeza de que perdeu seu tempo. Read the rest of this entry »

De Charlotte Joko Beck — A iluminação não é algo que se atinge. É a ausência de alguma coisa. A vida inteira, a pessoa vai atrás de algo, perseguindo suas metas. A iluminação está em deixar tudo isso de lado.
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