Imagens que falam, imagens que gritam

Pratico Aikido há cerca de 8 anos. Estou longe de ser um professor proficiente; ainda mais longe de ser um mestre — grau que com alguma sorte e muita dedicação atingirei quando já for um ancião, se me for permitido chegar lá –, mas eu me envergonharia de ser fotografado com esta fisionomia, nesta posição:

A imagem acima e a palavra Aikido, na capa deste livro, são tão compatíveis quanto alpiste e tubarões.

Compare, por exemplo, com as fotos em que o fundador do Aikido, já muito idoso, aparece sorrindo serenamente enquanto demonstra as técnicas que ele mesmo desenvolveu ao longo de uma vida dedicada às artes marciais, como esta:

Ou esta, preparando as articulações para o treinamento:

É evidente que o fundador sabia ser severo — e assim o era, conforme dizem muitos de seus discípulos –, mas foi graças à energia yin da religião (a.k.a. espiritualidade ou algo que não é deste mundo) que a severidade carrancuda do Daito-ryu Aikijiujutsu foi substituída pela gentileza do Aikido. Essa gentileza pode ser mortal, como bem o sabem os aikidokas, mas trata-se da mesma forma com que a água nos trata: pode nos afogar, como pode nos preservar a vida.

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