A música


Vamo lá Salieri! Canta comigo!
“O homem é assim pensa que é o rei da malandragem/
meu negocio é papo reto você quer é sacanagem…”

De manhã cedo, eu mal havia chegado em meu local de trabalho e tive a infelicidade de encontrar diante dele um furgão que, de portas abertas, espalhava pela rua mais um hit do funk carioca. Mesmo sem me dar conta da impertinência do horário, pensei:

– A história da civilização mostra que uma das coisas que a define é a idéia de progresso.

– Ao contrário do que pode parecer, a idéia de progresso vale para coisas abstratas e pouco discutíveis como a música. Mesmo que sejam abstratas e pouco discutíveis, é possível diferenciar, por exemplo, o “Concerto para piano nº21”, de Mozart, e “Sou feia mais to na moda”, de Tati Quebra Barraco.

– A comparação pode ser injusta para a funkeira, ofensiva para a alma do austríaco e confusa para todos, porque parte do pressuposto de que as duas obras são música, já que elas são reunidas sob esse nome.

– Para desfazer a injustiça, a ofensa e a confusão e para fazer ver que depois de “Le Sacre de Printemps”, de Igor Stravinsky, a música só apareceu em obras esparsas de músicos corajosos, pobretões e pouco conhecidos, mais adequado seria chamar o “Concerto para piano nº21” de música e arrumar um outro nome para “Sou feia mais to na moda”.

– Claro e evidente que eu não pretendo mencionar este nome aqui.

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