O quintal do mundo


Se a cultura brasileira não é capaz da filosofia dos gregos, da arquitetura dos italianos, da música dos alemães, da empresa dos americanos, da disciplina dos japoneses, talvez seja capaz de criar mato e de mantê-lo para os gregos, italianos, alemães, americanos e japoneses. A vocação do Brasil é tornar-se quintal do resto do mundo. A vocação do brasileiro é ser índio, daqueles que dão ouro e madeira nobre em troca de espelhos e roupas velhas.

Isso, em outras palavras, pode significar tornar-se uma superpotência do turismo — porque quem vive de turismo se contenta com ninharias e em ver o seu quintal sendo admirado e fotografado — e um grande produtor de cartões postais, desde que a chegada maciça de turistas não nos faça desenvolver cacoetes higienistas, como aconteceu com os franceses.

O problema é que o brasileiro — como as gentes de um modo geral — se leva tão a sério que não consegue imaginar uma vida digna que se resuma a servir e proteger.

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