O segredo de Walden

Thoreau parece deslumbrante nas páginas de Walden porque fez algo que, hoje, ninguém é capaz de fazer — por absoluta falta de cojones. Ele largou tudo, embrenhou-se no meio do mato e viveu por dois anos uma vida solitária, de trabalho braçal, caça e pesca.

O que parece ter sido o primeiro manifesto hippie de que se tem notícia foi na verdade o oposto da covardia urbanóide de que o mundo é feito atualmente — na qual se apóiam os restos do movimento hippie (v. av. Paulista aos domingos).

Todo o ambientalismo — inclusive o de Thoreau — poderia ser bem explicado com uma expressão que lhe é oposta: a segurança do artifício.

Schopenhauer já havia alertado para a facilidade com que o homem cria mundos artificiais que lhe dão segurança e conforto. Thoreau apenas colocou isso de forma mais crua e clara. O homem cria espaços e expulsa a natureza deles por covardia e egoísmo, por não gostar de mosquitos, por ter medo de cobras, por achar que o mato é feio e o mangue malcheiroso.

O ambientalismo será bem-sucedido quando todos os ambientalistas fizerem aquilo que Thoreau fez e demonstrarem, dessa forma, que a natureza não é só matéria-prima para pacote turístico e para a National Geographic. Em outras palavras, o ambientalismo terá sucesso depois que se livrar do lixo mercadológico e ideológico que acumulou nos últimos 30 anos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s