Paulo Mendes da Rocha ganha o Pritzker


Praça do Patriarca, uma das obras mais conhecidas
de Paulo Mendes da Rocha

O Pritzker, para meus leitores não-arquitetos, é o Nobel da arquitetura. Antes de Paulo Mendes da Rocha, Niemeyer havia recebido o prêmio em 1988. Pronto, o yin e o yang da arquitetura brasileira já foram premiados. Agora chega.

Curiosamente eles coincidem em pelo menos um ponto: Niemeyer e Mendes da Rocha, embora um seja aproximadamente 20 anos mais velho que o outro, são da fase heróica da arquitetura, quando se acreditava que os arquitetos podiam mudar o mundo. Quem mudava o mundo não eram os arquitetos, eram os grandes investimentos em obras públicas (essa discussão fica pra outra hora, ela é bem longa).

As coincidências param por aí. Niemeyer é comunista assumido, declarado, romântico. Mendes da Rocha, talvez pela própria origem e ascendência, apesar dos clamores de sua época, manteve pelo menos um dos pés no chão. Não deixa de ter seu romantismo, é claro. Ainda crê nos poderes divinos da arquitetura e faz dessa crença um trampolim para refletir sobre a cidade. E a arquitetura, como a maioria das artes e das carreiras, carece de inteligência e de reflexão.

Talvez a premiação a Mendes da Rocha não seja o máximo — que o diga a turminha de Santos, que muitos anos atrás quebrou o pau com ele por causa de seu projeto para o Aquário Municipal –, mas que é uma lição providencial para quem crê que arquitetura é feita de Armentanos, Weinfelds e Ohtakes, isso é.

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