Metendo a colher em Ilhabela

Christian Rocha
Jornal do Arquipélago — 29 de abril de 2006

Embora burocrática em sua origem, é interessante a iniciativa da Prefeitura de disponibilizar em seu saite um formulário para que os internautas dêem sugestões sobre os rumos do município e, assim, ajudem a definir a LDO2007. O que torna o gesto tão interessante é a simples oportunidade de pensar um pouco sobre a cidade. Já pensou nisso?

Pensar sobre a cidade e dar sugestões para melhorá-la não é tarefa simples, sobretudo porque em Ilhabela também não é simples o acesso a informações e diagnósticos confiáveis. Mesmo assim, com a ingenuidade de quem acredita que Ilhabela tem salvação, arrisquei-me a oferecer meus palpites. Seria muito bom se todos pudessem fazer o mesmo.

Muitas das minhas sugestões, como o leitor perceberá, se baseiam numa percepção simples: há cerca de 20 anos Ilhabela mergulhou perigosamente na urbanização descontrolada. Os principais problemas desta cidade não são nada além de sintomas desse processo. Tratar dos sintomas sem a consciência de estar lidando com um problema maior e mais amplo é simplesmente não tratar do problema. A seguir, as respostas que enviei pelo saite da Prefeitura:

Educação — todos sabemos que a educação está na base de problemas tão sérios e distintos como violência, saúde e trânsito. No ensino formal, bastaria agregar aos curricula a educação moral e a alfabetização funcional. Um pouquinho de filosofia (do grego, amor pelo conhecimento) também não faria mal e não é nenhum bicho-de-sete-cabeças.

Saúde — ampliação da medicina preventiva (algo que também está relacionado à educação), sobretudo através da inclusão da educação alimentar (nutrição) e da educação física dentro dos programas de saúde.

Esportes — investimento e organização de modalidades e atividades físicas não-competitivas.
Competições trazem troféus e medalhas, mas também criam uma legião de derrotados. Atividades não-competitivas como o Aikido, o Yoga e os jogos cooperativos desenvolvem a consciência de que o esporte pode ser um caminho de paz, de autoconhecimento e de fraternidade.

Lazer — vide Esportes e Cultura.

Meio Ambiente — em duas palavras: preservação e ecoturismo. A preservação não é importante em si, porque a natureza é um negócio lindo, mas porque dela depende a sobrevivência das pessoas e da economia de Ilhabela.

Assistência social — Impressionam a quantidade de crimes protagonizados por adolescentes e o aumento da delinqüência, sintomas da incapacidade de pais e de familiares para educar seus filhos. Núcleos familiares sólidos seriam meio caminho andado para solucionar problemas de educação e de segurança.

Turismo — em uma palavra: ecoturismo, o que vai muito além de oferecer jipes para os turistas que vêm em navios de passageiros nos meses de verão. Divulgação é um negócio muito bom, desde que se tenha o que divulgar. No ritmo em que vão as coisas, nossas belezas naturais não vão durar dez anos. E, por favor, chega de fogos de artifício.

Cultura — a cultura de Ilhabela não é caiçara, é cosmopolita. Em vez de suspirar pela cultura do passado, bastante degradada, que tal pensarmos na cultura que queremos daqui para frente? Cultura para quê? Para lazer, para consumo ou para o bem-estar do cidadão? Respondendo estas perguntas fica fácil fixar políticas e ações para a cultura.

Obras e planejamento urbano — seria muito bom se existisse planejamento urbano. Todo arquiteto é também urbanista e Ilhabela os tem aos montes. Que tal aproveitá-los num concurso de idéias, num fórum municipal de urbanismo? Seria um primeiro passo para lidar com o problema da ocupação desordenada, da condominização da cidade e do trânsito.

Outros — Ilhabela precisa pedalar e caminhar. Isso tem a ver com segurança, trânsito, obras públicas, saúde, economia, meio ambiente e turismo. Ilhabela precisa também de segurança: como uma cidade em que todo mundo se conhece e em que todos entram e saem por um único e mesmo lugar não é capaz de resolver o problema da criminalidade crescente?

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Um comentário sobre “Metendo a colher em Ilhabela

  1. Todos os pontos que vc colocou,são prioritários.
    Vcs precisam organizar fóruns e congressos na cidade.
    Pelo que tenho lido à respeito da Ilha,a maioria da população quer mudanças.
    E acho que isso não é impossível.
    Se a prefeitura não disponibiliza fins lucrativos,montem ações comunitárias.Aulas esperimentais(como de Yôga,atividades físicas e de consiêntização).
    Sou estudante de turismo,trabalho na área,estive pesquisando na internet locais maravilhosos para se desfrutar e fazer girar a economia.Quando me deparei com os problemas q vcs estão enfrentando,entrei na comunidade do Orkut.
    Espero poder ajudar.
    Abraços,Rossana.

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