Terapia marcial

“Os milenares ensinamentos do ninjutsu podem ser aplicados ao dia-a-dia para se ter mais qualidade de vida”.

Ah, a qualidade de vida… Quando leio essas coisas ainda me surpreendo pelo fato das artes marciais não terem sido formalmente incluídas nos cursos de Terapia Ocupacional.

Lamentavelmente, as artes marciais modernas podem ser resumidas assim: existem as competitivas e existem as terapêuticas. Que no passado elas tenham servido para matar, não altera em nada sua situação atual.

Sobre as competitivas não pretendo me pronunciar. Questão de higiene.

Sobre as terapêuticas, duas ou três palavras.

Pratico Aikido há alguns anos. Iniciei meu treinamento porque queria me aproximar dos conceitos difundidos pela arte. As idéias de não-violência, de harmonia e de aproveitar a força do oponente, embora ambíguas aos olhos mais atentos, me pareciam muito interessantes num mundo inclinado em direção oposta.

Ao longo destes anos percebi que eu não poderia obter nada com a prática do Aikido. E, assim, não fazia sentido algum falar em melhorar a qualidade de vida através do treinamento. É claro que obtive algumas coisas com o Aikido; provavelmente não criei uma barriga ridícula até hoje porque transpirei muito sobre o tatame. Mas quando digo que não obtive nada, quero dizer algo como “Ganhar é sofrimento, perder é iluminação?”. E só treina verdadeiramente uma arte marcial quem percebe que o ego, a satisfação pessoal, a qualidade de vida são despojos dos quais temos que nos livrar, são cascas se comparados com a profundidade do caminho espiritual. Buda não se tornou um andarilho para se sentir bem. Lao Tsé não compôs os versos do Tao Te King para melhorar a autoconfiança do leitor chinês. Morihei Ueshiba não criou o Aikido com objetivos ginásticos.

A quem sobe no tatame com o objetivo de melhorar sua qualidade de vida, uma dica: vá jogar bola com a rapaziada. É melhor para você — que aprenderá mais sobre como gerenciar pessoas e tornar-se um executivo de sucesso — e, principalmente, é melhor para a arte.

Se arte marcial fosse terapia, a psicanálise teria nascido na China ou no Japão feudal, não no divã do Dr. Freud, na Áustria.

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8 comentários sobre “Terapia marcial

  1. “Buda n?o se tornou um andarilho para se sentir bem. Lao Ts? n?o comp?s os versos do Tao Te Ching para melhorar a autoconfian?a do leitor chin?s. Morihei Ueshiba n?o criou o Aikido com objetivos gin?sticos.”

    Como voc? sabe que foi isso mesmo ? Na verdade, n?o d? realmente para saber se o que est? inscrito em cima ? verdade ou n?o. Tudo isso ? mera especula??o….

  2. “A quem sobe no tatame com o objetivo de melhorar sua qualidade de vida, uma dica: v? jogar bola com a rapaziada. ? melhor para voc? ? que aprender? mais sobre como gerenciar pessoas e tornar-se um executivo de sucesso ? e, principalmente, ? melhor para a arte.”

    Mais uma opini?o do autor, baseado nas pr?prias cren?as, condicionamentos e experi?ncia. Outra pessoas tem opinin?es diferentes. H? pessoas que aprenderam a gerenciar pessoas de uma forma sist?mica atraves do Aikido e isto ? fato.

    Pergunta, se o autor n?o quer nada do Aikido, por que ou para que o pratica ?

    Como pode afirmar que outras pessoas ter?o o mesmo ou diferentes resultados com a pr?tica ?

  3. Jorge,

    – a tradi??o n?o ? minuciosa sobre as biografias dos mestres, mas h? bons ind?cios de coisas que n?o fizeram parte delas.

    – onde est? escrito que o autor n?o quer nada do Aikido? Lembro de ter escrito (e est? registrado no texto) que “percebi que eu n?o poderia obter nada com a pr?tica do Aikido”, o que n?o significa n?o querer nada, mas ter consci?ncia dos pr?prios desejos e expectativas em rela??o ? arte.

    – os resultados de outras pessoas com a pr?tica de uma arte marcial dependem delas pr?prias. Se na pr?tica do Aikido a pessoa prioriza a vis?o do executivo, por exemplo, ela obter? uma resposta correspondente a essa vis?o. Se ela prioriza a vis?o do artista marcial, ela obter? uma resposta diferente. O que afirmo ? exatamente essa id?ia, mesmo com as imprecis?es que as palavras originam.

    ? claro que ? poss?vel aplicar com sucesso o Aikido no gerenciamento de pessoas, e n?o h? uma contradi??o necess?ria entre pr?tica marcial e empreendedorismo. Mas, curiosamente, as pessoas mais bem-sucedidas nesse objetivo s?o aquelas que percebem que essa habilidade ? uma conseq??ncia — muito secund?ria, ali?s — do bom treinamento.

  4. Caro Christian,

    Defina com maior clareza o seguinte coment?rio:

    “Sobre as competitivas n?o pretendo me pronunciar. Quest?o de higiene.”

    Aguardo resposta pois assim ser? mais realizar um coment?rio sobre seu texto.

    Obrigado,

    Jo Tada

  5. ?timo.
    Vi ent?o que ? uma grande perda de tempo falar sobre este assunto com vc.
    Vi tamb?m que este t?pico est? no Orkut. Prefiro, se for realmente necess?rio, escrever sobre o assunto l?, pois est? acess?vel a um n?mero maior de pessoas.

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