Paulo Leminski

leminski

Comecei a ler poesia da pior forma possível: precisei decorar os primeiros versos de “Os Lusíadas” e declamá-los em voz alta e bom som diante de uma platéia que não me suportava e que me considerava — erroneamente, é claro — um nerd sociopata. Levei muito tempo até me recuperar. Quando me recuperei, me deparei com os haiku de Paulo Leminski. E fiz o favor — para mim e para o poeta curitibano — de deixar Camões de lado por um tempo.

No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela é silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
l? pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

50 poesias de Paulo Leminski, aqui.

Kamiquase, o saite oficial.

Aqui o poeta fala do judo e de sua relação com a poesia — a força individual, a não-hesitação. Leminski era faixa preta e professor de judo.

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