Arquitetônicas

Alexandre Soares Silva fala do Palácio Monroe, que foi vítima de uma campanha de demolição.

É bastante interessante notar que as duas coisas — a campanha e a demolição — aconteceram na década de 70. Não nos caquéticos 30, não nos cinzentos anos 40, não nos consumistas e medíocres anos 50. Aconteceu nos anos 70, que é como se fosse ontem. Para alguns arquitetos, foi ontem mesmo.

Lucio Costa, é claro, adorou.

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Mencionei, uns posts atrás, que um dos grandes arranha-céus da Moscou stalinista será transformado num hotel da rede Hilton.

A renovação arquitetônica de Moscou não pára por aí e é interessante perceber que ela acontece irônica e justamente pelas mãos dos grandes incorporadores, tipo de pessoa (física e jurídica) que os soviéticos tentaram banir.

Desta vez parte uma das esquinas da Praça Vermelha deve receber reformas. Um edifício do século XIX, que já foi utilizado como depósito pelo Exército Vermelho, será reformado e transformado em um complexo residencial e hoteleiro projetado pelo arquiteto francês Jean-Michel Wilmotte. É a primeira vez que cidadãos comuns (não tão comuns, é claro, porque isso deve ser o Parque Cidade Jardim de l?) poderão adquirir uma propriedade na Praça Vermelha.

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Inaugurado recentemente, o Museu de Arte de Denver (EUA), do arquiteto Daniel Libeskind, retoma duas questões bastante pertinentes sobre a arquitetura deste início de século (mas não apenas deste período, é claro): i) a arquitetura como espetáculo, não como continente de objetos de interesse, mas ela mesma interessante por sua forma e por sua presença na paisagem urbana; ii) a síndrome de Frank Gehry, que, como decorrência da questão anterior, ataca arquitetos capazes de fazer algo único e atrai consumidores em lugar de clientes, que exigirão que ele faça algo único pelo resto da vida.

É claro que a questão ii é menor, pois são poucos os arquitetos atacados pela síndrome — a fama a precede, não o contrário.

A questão i é mais séria, porque ressuscita discussões sobre os deveres e possibilidades da arquitetura para com a paisagem urbana, sobre o papel do arquiteto e sua relação com a arte, sobre a dimensão publicitária da arquitetura.

Aqui, fotos do recém-inaugurado Museu de Arte de Denver.

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