Capitalismo saudável

Christian Rocha
Jornal da Ilha – novembro de 2006

Você olha ao redor e vê contrastes sociais intensos. Como quase todo o Brasil, o litoral norte é rico em exemplos desse tipo: condomínios fechados, turismo sofisticado e carros importados de um lado; favelas, violência urbana e miséria de outro lado. Parece injusto que uns tenham tanto e outros tão pouco; que uns vivam na opulência e outros sofram privações até mesmo para comer e morar. Muitas pessoas, movidas por essa percepção, precipitam-se em buscar culpados. Lamentavelmente essa busca é pautada por aquilo que os olhos vêem e pela emoção que invariavelmente os acompanha. Emocionado, o observador apressado dirá: “a culpa é das elites” (em dias de hoje, sob o pontificado do Sumo Apedeuta, costuma-se dizer “da zelite”). Raciocinando sobre esses pressupostos, ele irá adiante: “a pobreza gera violência”. Já encoberto pelo lodo de sua ignorância, concluirá: “a culpa é do capitalismo, é este sistema perverso que causa a miséria e todos os outros problemas sociais”. A partir daí é inevitável odiar os EUA (a maior nação capitalista do mundo) e admirar todos os que o odeiam e que propõem uma nova ordem. Nova ordem é o eufemismo para o sistema composto por socialismo, totalitarismo e estatolatria, tudo isso regado com o sangue dos opositores.

É bom deixar algumas coisas claras. O capitalismo não é um sistema. O capitalismo é uma tendência natural de todo ser humano. Qualquer pessoa, colocada a trabalhar ou gerenciar um negócio, tentará produzir da melhor forma possível e enriquecer, isto é, procurará obter o melhor retorno financeiro a partir de seu esforço. É desta forma que as coisas funcionam em qualquer sociedade razoavelmente civilizada. E é desta forma que as pessoas conseguem primeiro fazer o bolo para depois reparti-lo.

A pobreza, o dinheiro e as diferenças sociais não geram violência. Há diversos casos de nações pobres e pacíficas e há também inúmeros casos de violência em ambientes ricos. O que gera violência é o modo como as pessoas encaram essas coisas. O modo de ver a pobreza, o dinheiro e os problemas sociais não é determinado pelas elites, tampouco pelo capitalismo, mas pela educação, pela cultura, pelas bases morais, pela mídia e sobretudo por intelectuais e formadores de opinião. O próprio mito de que a pobreza gera violência é uma criação dos intelectuais — pessoas que, vejam bem, são pagas para observar, analisar e estudar a realidade, mas que raramente vão além das respostas automáticas.

O capitalismo, como eu ia dizendo, é a tendência natural do indivíduo gerar riqueza em sociedades livres. Que às vezes essa tendência se torne abominável e gere diferenças sociais terríveis é algo que prova duas coisas: primeiro, que a sociedade ainda goza de alguma liberdade; segundo, que a economia e a política são menos importantes do que a educação e a constituição de bases morais e culturais. O progresso material precisa sempre ser acompanhado de progresso moral e cultural. Qualquer empresário honesto, bem-sucedido e razoavelmente educado sabe que seu sucesso depende do sucesso das pessoas ao redor.

O socialismo, o antagonista fictício do capitalismo, é a forma que os intelectuais inventaram para chegar ao poder com apoio popular. Afinal, quem não gostaria de ver as desigualdades sociais eliminadas pela força da lei, pelas mãos do Estado-pai? Quem não aplaude o político que sobe ao palanque para denunciar as mazelas do mundo e assumir o compromisso de combatê-las? A retórica elege presidentes. O que isso tem a ver com o combate às desigualdades sociais? Nada.

A inabilidade empresarial dos intelectuais originou o socialismo. Criou-se com ele um rosário de asneiras em torno do capitalismo. A única diferença entre o “capitalismo selvagem” e o capitalismo saudável é a consciência que o indivíduo tem das prioridades. O capitalismo pode ser muito ruim quando o indivíduo coloca o dinheiro acima de todos os outros valores — justiça, boa-fé, bondade —, mas falar que ele é naturalmente perverso implica que o socialismo, o seu antagonista, pode ser naturalmente bom ou pode ao menos contornar a maldade humana, o que é uma mentira muito cara-de-pau, que nega toda a história do próprio socialismo. Se há uma natureza socialista ela é totalitária e, em muitos casos, genocida.

Não existe socialismo saudável. Se há países em que o socialismo parece saudável e próspero, observe e verá que ali existe uma quantidade considerável de pessoas trabalhando, gerando e acumulando riqueza, ao melhor estilo norte-americano, apesar dos arroubos de estatolatria e do cerceamento progressivo das liberdades individuais. São pessoas que, em outras palavras, estão praticando o capitalismo saudável, algo que os intelectuais de esquerda se recusam a enxergar, mesmo quando esse capitalismo os beneficia com casa, comida e liberdade.

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3 comentários sobre “Capitalismo saudável

  1. Chris, socialismo ? coisa de moleque tonto que vive ?s custas do Pai. Ali?s, um dos baluartes dos socialistas, Marx, viveu ?s custas do tio o quanto p?de. Depois andou pedindo dinheiro a Engels.

    Mas se o socialista em quest?o n?o for um moleque bobo que vive ?s custas do pai, ele ? um rapper ou funkeiro da periferia, que enriqueceu vendendo discos e livros para este mesmo moleque tonto que vive ?s custas do pai, mas ainda se diz \”um favelado\” v?tima de preconceito, quando flagrado dirigindo o seu carro importado sem habilita??o.

    H? mais dois tipos de socialistas, menos ing?nuos que o moleque tonto que vivem ?s custas dos pais e ainda mais safado que o rapper ou funkeiro da periferia, que enriqueceu vendendo discos e livros para este mesmo moleque tonto que vive ?s custas do pai: s?o os intelectuais e os pol?ticos. Um fala qualquer bobagem em troca de uns trocos e um t?tulo universit?rio; o outro fala bobagens para ganhar a elei??o e ficar na mesma situa??o do moleque tonto que vive ?s custas do pai.

    O pai, neste caso, somos n?s. Por isso quando eu vejo esse tipo de discuss?o eu sempre me pergunto quem ? o verdadeiro idiota nela. Quem diz bobagens ou quem sustenta ?queles que dizem bobagens?

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