O risco dos impropérios

Olavo de Carvalho está certo quando diz que diante de um esquerdista às vezes o melhor início de conversa pode ser uma escarrada na cara, em vez de bom senso, argumentos e silogismos. Em seu artigo Mais um advogado do marquês, ele ilustra essa idéia:

Ele é uma espécie de cocô metafísico, transcendental, inefável e inexprimível. Nem todos os demônios do inferno defecando juntos poderiam produzi-lo. Talvez só ele próprio, em agonias intestinais dantescas, conseguisse se gerar a si mesmo por propulsão gasosa, invertendo-se todo na saída do jato pelo orifício anal e, com as tripas no lugar do cérebro, julgasse por isso ver o mundo às avessas.

Considerando a pessoa a quem estas palavras se dirigiam, pode-se concluir que Olavo foi gentil. Mas me ocorrem duas ou três coisas a respeito disso.

Eu não sou daquelas pombinhas que se afetam com palavrões, mas, vejamos, nem sempre é possível escarrar na cara das esquerdas. O que nos coloca a seguinte questão: o que fazer?

Desfiar um rol de impropérios pode ser divertido — e é –, mas leva a algo? Quem conhece as esquerdas, sabe que elas realmente merecem as alcunhas que se lhes propõem. Mas quem não as conhece e crê que se trata de uma turma supimpa simplesmente não será iluminado por palavras tão lodosas. Não há ponte possível desta forma. Não me refiro a unir direita e esquerda ou trazer a esquerda para o lado de cá, refiro-me apenas a conseguir levar alguma informação às pessoas que ainda seguem o catecismo vermelho, a colocá-las diante de fatos simples. Por exemplo, alguém com mais de dois neurônios é capaz de levar a esquerda latino-americana a sério? Você consegue mesmo ouvir mais do que duas frases expelidas por Hugo Chávez sem imaginar estar diante de um retardado?

Olavo de Carvalho tem realizado com sucesso a tarefa fundamental de dizer aquilo que ninguém quer dizer — por interesses escusos ou por nojinho baitola mesmo. Eu mesmo achava a esquerda um negócio supimpa. Eu já aplaudi o PT. Não aplaudo mais. Mas para aquelas pessoas que têm raizes socialistas mais profundas, o que fazer? Como lidar com elas? Xingar pode ser divertido, mas inútil.

É claro que carregar a verdade no lombo não é uma escolha. Se a esquerda ascende na América Latrina, a obrigação de qualquer sujeito esclarecido é manter sob a luz dos holofotes as verdades simples, ainda que isso implique dizer que tal líder da esquerda é um cocô metafísico. Mas há que se considerar, nos intervalos das palavras originais, que isso não apenas não ilumina a vala comum em que a esquerda se lança e para qual arrasta as nações, como também reforça nela aquele rancor que lhe deu energia para passeatas, guerrilhas e crimes de todo tipo.

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2 comentários sobre “O risco dos impropérios

  1. Olha Christian, eu que fui salvo da esquerda por ter sido exposto ao Olavo – em grande parte por sua colabora??o, j? te contei isso – me sinto sempre compelido a levar informa??o a quem ainda n?o juntou A com B. Mas n?s tamb?m j? estamos em uma idade em que alguns amigos e convivas j? fizeram da esquerda um meio de vida, ent?o o cinismo impera sobre a verdade, e torna o dialogo dif?cil, e a aceita??o da verdade imposs?vel. Though…

  2. Também já balancei a bandeira do PT. Não tenho vergonha em dizê-lo. Errar não é vergonhoso.

    Com 12 anos de idade, já tinha consciência de que não existe cidadania sem posicionamento político (mesmo não tendo total compreensão de seus significados). Apenas sentia que algo precisava ser feito. Empunhar uma bandeira estava ao meu alcance.

    Queria poder sentir aquela alegria inocente mais uma vez. Mas não consigo.

    E não consigo entender como tanta gente inteligente – amigos meus, pessoas de quem gosto – consegue olhar tanta podridão e continuar defendendo determinados partidos políticos em nosso país.

    Não consigo entender como podem se dizer favoráveis aos chamados “Direitos Humanos” e ao mesmo tempo defender assassinos como Fidel Castro e Che Guevara.

    Não tenho nada contra ideais socialistas. Admiro homens como Mahatma Gandhi e Path Adams (http://www.youtube.com/watch?v=8Q7aqa-G0l8)

    Tenho asco por políticos corruptos como Maluf e Quércia como tenho asco de todo capitalista irresponsável.

    O ponto é: defender hipócritas como Hugo Chavez e Lula não parece muito inteligente. Discutir essas idéias com qualquer esquerdista é como acender um barril de pólvora.

    A esquerda perdeu seus argumentos ao continuar apoiando um presidente que faz exatamente tudo aquilo que sempre criticou. Um sujeito que neste ano de 2008 comemorou os recordes de lucros das intituições financeiras, mesmo sabendo que o povo continua na merda. Se você acha que não, olhe para a calçada da rua e conte os indigentes que se aglomeram.

    Hoje, adotei um lema: só discuto política com esquerdistas que fazem alguma coisa de concreto pelo social. Se começar com aquela masturbação retórico-socialista eu escarro na cara. Vá mostrar o quanto você é hipócrita pra outro trouxa.

    O bacana dessa atitude é que nunca mais discutí política com ninguém. Não encontro nenhum esquerdista que tenha peito pra fazer alguma coisa concreta.

    A grande maioria dos esquerdistas fazem exatamente as mesmas coisas que eu e você. A única diferença é que eles negam isso.

    À minoria que faz algo de concreto pelo social, minha mais profunda admiração.

    À todo o resto de cínicos, uma catarrada no olho. Esquerdo.

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