Ecologia

caosPara quem ainda não compreende o conceito de ecologia, o apagão aéreo fornece uma lição preciosa. A explicação serve também para o holismo, a concepção sistêmica e o organicismo, que são imagens diferentes de uma mesma idéia.

O sistema de transporte aéreo pára de funcionar. As pessoas que viajariam para destinos turísticos deixam de viajar ou viajam para destinos mais próximos, de carro e de ônibus.

No Nordeste, empresas do setor hoteleiro amargam prejuízos diários de alguns milhões de reais. Restaurantes permanecem com mesas vazias. O comércio deixou de contratar funcionários temporários para o fim-de-ano. A expectativa é que o problema afete toda a temporada de verão. Até mesmo o vendedor de coco na praia está tendo prejuízos, isto é, está vendendo menos.

As pessoas que optam por viajar de ônibus e carro já estão engordando as estatísticas dos congestionamentos, dos acidentes e, em alguns casos, das vítimas do trânsito brasileiro — que é reflexo da absoluta falta de estrutura das estradas, sobretudo as federais. Ao observar a malha rodoviária brasileira, uma pergunta pertinente, mas incômoda, é: quantas pessoas vão morrer por causa do apagão aéreo?

As pessoas que vivem em São Paulo, a maior cidade do Brasil, escolherão destinos mais próximos. Além de colaborar para o aumento dos problemas nas estradas, deixarão a estrutura nordestina ao léu e sobrecarregarão cidades mais próximas, como as do litoral norte paulista, que, evidentemente, não têm a estrutura necessária para receber um número de turistas maior do que aquele que já recebem a cada verão. Não é exagerado imaginar que pode haver falta de água em algumas cidades, além, é claro, de congestionamentos e acidentes decorrentes do excesso de veículos e aumento significativo da criminalidade. Outra pergunta pertinente seria: quantas ocorrências policiais a mais serão registradas neste verão nas cidades do litoral norte paulista? Poderíamos perguntar também sobre a sobrecarga de esgoto nas praias e de lixo nos aterros. Enquanto isso, hotéis nordestinos permanecem vazios.

Tudo isso por causa do apagão aéreo, que, aliás, está longe de terminar.

*
O espetáculo do crescimento já começou.

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Um comentário sobre “Ecologia

  1. Christian,

    Acho a expressão “apagão aéreo” perfeita. Tem cara de greve, mas não foi pronunciada como pelos (des)controladores do tráfego aéreo. Parece mais um “vejam como nós somos importantes e estamos sobrecarrecagos!”

    Tudo para que não se chege a um veredito sobre a tragédia do vôo da Gol!

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