Compartilhar

Quando treinamos Aikido exercitamos e desenvolvemos o corpo e a mente e estas duas coisas confundem-se facilmente com o ego. Tem-se a impressão de que ficamos mais fortes, física e emocionalmente, o que se expressa da seguinte forma “eu fiquei forte, eu adquiri sabedoria”. Pode-se treinar Aikido assim, como uma musculação, como um curso para obter um diploma, como uma sessão de relaxamento, mas nada disso tem valor se você não é capaz de compartilhar, de passar adiante aquilo que aprendeu. Se o ensinamento é bom, o compartilhamento dirá que ele é bom e o fará perpetuar. Se o ensinamento é ruim, o compartilhamento dirá que ele é ruim e ele desaparecerá no momento mesmo em que tentarmos transmiti-lo. Mas é importante compartilhar. A transmissão só ocorre quando percebemos que o Aikido envolve responsabilidades que as academias de ginástica e as sessões de relaxamento não nos exigem. Esta é a maior dificuldade do Aikido. Não são as técnicas, os movimentos e a etiqueta, mas simplesmente a necessidade de compartilhar aquilo que se aprendeu.

Se você é um professor de Aikido, isso é automático e relativamente simples. Você assumiu conscientemente a tarefa de ensinar e se preparou para isso. Se você não é professor, o compartilhamento é menos evidente, porque esbarra nas imperfeições que ainda não superamos. Isso, no entanto, não torna a tarefa menos necessária, o que propõe ao estudante a seguinte questão: como compartilhar quando não tenho total segurança a respeito daquilo que sei?

A pergunta pode sugerir a seguinte resposta. Sempre há algo em que podemos nos apoiar para compartilhar o conhecimento adquirido com o treino do Aikido. Desde o primeiro dia de treinamento surgem novas informações, lições, ensinamentos, técnicas. Se o Aikido é para todos, há algo na arte que está em permanente conexão com os aspectos mais elementares do ser humano. Equilíbrio, respiração, concentração, serenidade são alguns destes aspectos — eles podem ser compartilhados e transmitidos por qualquer pessoa e a qualquer pessoa. A simples pesquisa de cada um desses aspectos traz benefícios, por isso é razoável compartilhá-los e, assim, pesquisá-los.

Mas eu me referia, aqui, a trocas simples, à responsabilidade aprender algo e de levar esse conhecimento adiante. Não equivale a convidar uma pessoa para aprender Aikido, colocá-la num tatame e ensiná-la algumas técnicas. Ensina-se pelo exemplo — embora esse tipo de professor seja cada vez mais raro. Ensina-se com palavras. Ensina-se sendo aquilo que você admira em outras pessoas. E é maravilhoso quando esse lado das artes marciais é compreendido, sobretudo por aqueles que as perpetuam.

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3 comentários sobre “Compartilhar

  1. Exato, compartilhar e retribuir tanto que nos foi dado,
    Agradecimento sincero e o desejo de ensinar e aprender com todos no dia a dia dos treinos e levar o Aiki para sua casa.
    Adoraria poder treinar contigo diariamente.
    Domo Arigato

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