De iogues e bundas-moles

Existem muitas pessoas inteligentes que não dão a mínima para uma vida saudável. Eu abro o clássico “A luz do Yoga”, de B. K. S. Iyengar e encontro as seguintes palavras:

“O iogue crê que seu corpo foi-lhe dado pelo Senhor não apenas para o prazer, mas também para serviro a seus semelhantes em cada momento alerta de sua vida. (…) O iogue compreende que sua vida e todas as suas atividades são parte da ação divina sobre a natureza, manifestando-se e operando na forma humana. Seu corpo é um templo que abriga a Centelha Divina. Ele sente que negligenciar ou negar as necessidades do corpo e pensar nele como algo não-divino é negligenciar e negar a vida universal de que ele faz parte. As necessidades do corpo são as mesmas do espírito divino que vive através do corpo. (…) O iogue nunca negligencia ou moritifica o corpo ou a mente; ele cuida de ambos. Para ele, o corpo não é um obstáculo para sua libertação espiritual, nem a causa de sua queda, mas um instrumento de aperfeiçoamento. Procura ter um corpo tão forte quanto um raio, saudável e livre de sofrimento, de modo a dedicá-lo ao serviço do Senhor.”

Alguma dúvida?

Sim, existe a geração saúde, uma categoria de pessoa que não se contenta em comer alimentos integrais e praticar exercícios dezessete vezes por semana. É necessário ir além, conquistar mais adeptos e aumentar a legião de pessoas maravilhosas que têm 5% de gordura no corpo e que não sabem o que são o álcool e a nicotina. Muitas dessas pessoas simplesmente não reconhecem que são viciadas em serotonina.

É claro que cada pessoa é livre para cuidar da própria vida como quiser — o que pode incluir, conforme a vontade do freguês, o uso de drogas e a manutenção de modos de vida degradantes. Mas a reafirmação da liberdade é uma forma gentil de exigir responsabilidade de pessoas bem crescidas.

Você é livre para fazer o que quiser. O mau uso da liberdade não o isenta das seguintes responsabilidades: i) as conseqüências do seu exercício de liberdade devem limitar-se a si próprio, ao contrário do sujeito que bebe todas e vomita no colo do amigo ao lado; ii) reconhecer-se como princípio e fim deste exercício, lembrando sempre que tudo o que lhe acontece é conseqüência de seus hábitos.

Soa óbvio, mas é bom dizer isso com todas as letras. Há pessoas demais que se entregam aos vícios, maltratam o corpo e esperam todo tipo de apoio das pessoas ao redor — financeiro, legal ou moral. Elas se vêem como campeãs da liberdade e crêem que merecem não apenas o apoio da sociedade, mas também medalhas e reverência. Não passam de bundas-moles. Nada mais abominável do que ser corajoso para atos abomináveis e ser um bunda-mole para todo o resto.

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