A cura para todos os males

A cura para todos os males do espírito está em ouvir Bach. Quinze minutos diários são suficientes; basta apenas que a audição seja atenta, livre de interferências. Tenha à mão a integral das cantatas (224 ao todo; um bom começo é este site), a obra para violoncelo (Pablo Casals, Yo-Yo Ma, Mstislav Rostropovich) e para violino (Yehudi Menuhin, Gidon Kramer). Desnecessário mencionar as Paixões (de São João e de São Mateus) e a obra para teclado, que deve incluir as versões de Glenn Gould para as Variações Goldberg e para os concertos para cravo (transcritos para o piano). Tendo à disposição esse repertório mínimo, ouça-o diariamente, com atenção. Um bom headphone é útil, embora cause algum desconforto; prefira instalar-se num cômodo silencioso e fresco e ouça Bach. Se você é do tipo que não faz a menor idéia do que é música erudita, esvazie a xícara e seja bem-vindo ou mantenha essas mãos sujas longe do gênio de Eisenach. E é sempre saudável procurar saber do que tratam a Paixão Segundo São Mateus e a Paixão Segundo São João ao ouvir estas jóias, o que será apenas o começo.

A cura para todos os males do corpo está no yoga clássico, tal como praticado e transmitido por Bellur Krishnamachar Sundararaja Iyengar (ou simplesmente B. K. S. Iyengar). Um bom começo é ler Light on Yoga, sem o afobamento de ir direto aos asanas. Leia com calma, dedique tempo suficiente à leitura dos preceitos e ao aprendizado dos oito estágios do yoga, que demonstrarão que os asanas são apenas uma parte do que o yoga é e que outras partes incluem alimentação e respiração. Ter à mão o Bhagavad Gita também é bom. A orientação de um guru é importante  (e esqueça o significado que o ocidente deu à palavra guru). Trinta minutos por dia são suficientes, embora uma hora dedicada à prática do yoga seja o ideal. O caminho do budo também deve ser aqui mencionado; sempre adequado lembrar que ele, como o yoga, vai além dos assuntos do corpo.

A cura para todos os males da mente está na leitura da obra de Olavo de Carvalho. Passe direto pelos artigos, vá às apostilas e aos livros, onde o filósofo dispõe do tempo e do espaço necessários ao que realmente interessa. Comece com Educação Liberal. Siga adiante com Inteligência e Verdade e O Abandono dos Ideais. São estes, de longe, os três melhores escritos. É claro que a cura para todos os males da mente não se reduz à leitura de um único autor. O que quero dizer ao sugerir a leitura de um único autor é que esta leitura conduz a outras leituras. É inevitável ser conduzido, a partir daí, a Aristóteles, Confúcio, Tomás de Aquino, Mortimer Adler, Ortega y Gasset, Mário Ferreira dos Santos, apenas para citar alguns autores que merecem ser conhecidos. Aqui, novamente, trinta minutos por dia são suficientes, mas o ideal inclui uma ou duas horas diárias de estudo. E quem sente nojinho só de ouvir o nome de Olavo de Carvalho sem ao menos ter lido O Jardim das Aflições (as esquerdas e mais uma patota que não merece ser nomeada neste site) é ruim da cabeça, para ficar naquele mínimo necessário à preservação do bom-tom deste post.

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3 comentários sobre “A cura para todos os males

  1. lemrei de um trecho de uma música do Patu Fu:
    “toda cura para todo mal
    está no hipoglós, no merthiolate e sonrisal.”

    …mas concordo e tento adotar essas medidas super gostosas para uma vida evolutiva!

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