O troço preto

Se eu tivesse que explicar a um estrangeiro como funcionam as leis brasileiras, eu daria apenas um exemplo.

Recentemente o Senado aprovou o projeto que libera o uso de insulfilm mais escuros nos vidros dos carros. O uso desse tipo de película torna impossível ver o interior do carro e, portanto, inúteis as leis que proíbem usar o celular ao volante e dirigir com uma mão só.

Caso o motorista opte por usar o troço preto, ele estará automaticamente dispensado de cumprir outras duas leis do Código Nacional de Trânsito.

Aparentemente nem os legisladores conhecem as leis. Eu me arriscaria a dizer que a eles falta senso de organicidade — aquela visão que permite situar uma parte ou um objeto dentro de um conjunto ou sistema, maior e mais complexo, mais ou menos como explicava Aristóteles —, mas talvez falte algo mais simples e fundamental: saber lidar com os objetos e ferramentas do dia-a-dia.

Se fossem marceneiros ou alfaiates, passariam fome. Como são legisladores e vivem no Brasil, gozam gordo pasto.

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Um comentário sobre “O troço preto

  1. E mais, atrapalha o trânsito. Pois da mesma forma que não se consegue ver o que há dentro não se consegue ver através do vidro (um verdadeiro problema se o carro estiver estacionado em uma esquina).

    Quanto ao tópico posterior eu trocaria o Anac e UFPE por UFRJ e UFPE. Parece-me que foi a UFRJ que elaborou a prova para a Anac (o que demonstra o nível das nossas universidades).

    Abraços

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