Internet e filosofia

– O que interessa na filosofia é sua capacidade de melhorar e ampliar a visão de quem se serve dela — isso nada tem a ver com redações escolares com o título “o que é filosofia?”.

– Um livro sobre filosofia não é um livro de filosofia. Ele pode ser genial — como aquele de Ortega y Gasset —, mas em geral não é.

– Você pode ler mil livros sobre filosofia, mas nenhum conceito dará conta de explicar a materialidade do papel, a urgência de pagar um boleto vencido e aquela dor persistente na coluna.

– Blogs são bons na medida em que falam de um mundo que não está na internet — também chamado de mundo real. Blogs são ruins na medida em que falam de blogs, da arte de blogar, das ferramentas mais do balacobaco e dos layouts mais originais para blogs

– Analogamente, há filósofos que se dedicam exclusivamente à história da filosofia, às biografias dos filósofos e às crises existenciais que incluem questionamentos sobre o papel do filósofo na sociedade.

– Sim, a fase dos diários on-line foi superada (sabe quem eu vi ontem?), o miguxês foi colocado em seu devido lugar (o limbo da gerassaum internet), mas o voluntarismo continua tendo péssimos representantes. A maioria deles discute as polêmicas surgidas em outros blogs, que serão reproduzidas por outros blogs, o que causará um trackback vicioso e sem fim. Não que isso não possa ser importante. Apenas não é importante sempre. Aliás, não é importante na maior parte do tempo.

– Fundamental, fundamental mesmo, é acertar na ortografia, saber pensar e ter algo a dizer. Você não pode escrever Merchior (José Guilherme Merquior), Getulho (Getúlio Vargas) e Belo Horisonte. Ou pelo menos não pode escrever e querer ser levado a sério.

– Filosofia perene e blog de qualidade: coisas comuns, verdadeiras e necessárias para a vida, como filmes, livros e músicas, o almoço de domingo, paisagens, inteligência, honra e seriedade.

– Disseram que a internet revolucionaria o mundo. Não revolucionou. Ainda há guerras, comunistas, drogas, espécies em extinção, novelas da Globo, dietas.

– Na internet, o máximo da revolução será publicar um texto original com menos de vinte e sete links e escrito em português correto, permitindo entrever que o autor e a cadeira à frente do PC não são simbiontes. Ou isso ou um mouse com soro.

– A TAM criou sua versão no Second Life, um mundo virtual em que as pessoas podem voar.

– Das pessoas que participaram daquela enquete e elegeram o Cristo Redentor uma das 7 novas maravilhas do mundo, quantas já estiveram lá? A enquete tem mais impacto pelo que ela representa na era da internet do que pelas maravilhas eleitas através dela.

– A filosofia já derrubou governos. A internet apenas os confirma.

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2 comentários sobre “Internet e filosofia

  1. A internet, acima de tudo, é uma reafirmação da realidade de um povo, não? Exceto pelo fato de apenas uma parcela geradora de conteúdo participar dessa rede, acho que podemos dizer que ela é democrática a partir do momento que qualquer um, com 10 minutos, cria um Blig (eca) no iG (eca!).

  2. Acho que o unico blog digno de ser assunto de outro blog é o do Reinado Azevedo. Simplesmente porque tem assunto que só ganha desdobramento lá. Isto posto, concordo. Só mais uma coisa: o grande muro entre o que os blogueiros falam da realidade e a que é “mostrada” nas outras mídias ganhou um furinho; a vaia. Essa vai vem dos blogs.

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