Reação do cerumano

“Na minha vida política, a vaia e o aplauso são dois momentos de reação do ser humano. A única coisa que eu, particularmente, fico triste é que eu fui preparado para uma festa. É como se eu fosse convidado para o aniversário de um amigo meu, chegasse lá e encontrasse um grupo de pessoas que não queria a minha presença lá.” — o Rei de Pindorama, sobre ter sido vaiado na abertura dos Jogos Pan-Americanos.

Menas.

A metáfora, evidentemente, está incompleta. Ele esqueceu de mencionar o que o “grupo de pessoas” tem suportado nestes últimos anos. E, definitivamente, o Brasil não é uma festa.

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25 comentários sobre “Reação do cerumano

  1. Tem hora e lugar pra tudo. Era o presidente representando seu país ali, na cerimônia de abertura de um evento importante, e não simplesmente o presidente Lula. Ele pode ser vaiado? Sim, pode. Naquele momento era adequado? Não era – era uma festa (sim, era uma festa) cujos principais elementos eram os atletas, e não o presidente – fosse o presidente o elemento de destaque, aí a vaia caberia. Foi algo totalmente deslocado do seu contexto – e simplesmente ridículo.

  2. Mark,

    Não me fale de adequação, contexto e ridículo. Experimente avaliar o governo Lula com 1/3 do rigor com que você avaliou as vaias. Apenas para começar.

    Quem sofre mais: os cidadãos que estão há seis anos nas mãos dessa máfia ou o presidente que levou umas vaias em seu momento de “representante da nação”?

  3. Eu nao falei em momento algum que:
    1) o presidente nao mereceria vaia
    2) “os cidadãos que estão há seis anos nas mãos dessa máfia” não sofrem
    3) eu não avalio o governo Lula com ruim (ou com menor rigor do que a avaliação que fiz daquela manifestação, como você afirmou)

    Não fico nada admirado de você apoiar uma manifestação deslocada de seu verdadeiro contexto – as suas respostas igualmente deslocadas não mudam o fato de que aquela foi sim uma vaia fora de uma situação em que ela seria válida.

    [ TRECHO APAGADO PELO MODERADOR ]

  4. Mark,

    1) Você disse que o presidente não merecia vaia “naquele momento” (“Ele pode ser vaiado? Sim, pode. Naquele momento era adequado? Não era”). Quando estaria bom pra você? 2011?

    2) Os cidadãos não sofrem? Pense bem, não subestime a força do lulismo, todo seu currículo, seu gingado, sua mão leve, sua incompetência sem limites.

    3) Não me interessa como você avalia o governo Lula. Se você realmente acha que isso é “governo”, já começou avaliando errado.

    4) Deslocamento é dizer que o momento em que o presidente e a vaia efetivamente se misturaram não é adequado. Poderia ter sido diferente, mas não foi. Manter pelo menos um pé na realidade e encarar o que de fato aconteceu parece uma atitude sensata.

    A propósito, o parágrafo final de seu comentário foi deletado por razões óbvias: este site fica melhor sem demonstrações gratuitas de má educação.

  5. 1) Em uma situação (espaço) apropriada, não necessariamente relacionado há um momento (temporal), meu caro – e isso é uma obviedade até para um aluno do ensino fundamental. Mas você prefere gastar mais tempo fazendo uso das suas ironias desnecessárias – que, como eu já disse, só são adequadas e permitidas quando saem da sua boca – do que dispensando um mínimo de atenção e sensatez para entender o que está escrito.
    2) Eu já falei sobre isso. Deixe de querer fazer uso de qualquer coisa para expor o seu discurso previsível o óbvio – como se ninguém mais no Brasil tivesse a capacidade de perceber isto e, portanto, ter a mesma opinião.
    3) Se você não avalia isso como governo, então não há realmente o que discutir. Contudo, o fato de que é péssimo não muda a sua natureza – isto é um governo (ruim), quer você queria ou não, quer você goste disso ou não.
    4) Idem ao item “1” e incluo aqui o descrito no item “2”.

    A propósito, o seu discursinho irônico – assim como a sua pretensa comicidade – também pode ser interpretado como “demonstração gratuita de má educação”. Isso só não é óbvio para você, claro. Demonstre respeito antes de exigi-lo.

  6. Oh, sim. Não me venha falar que eu em algum momento faltei com o respeito com os “os cidadãos que estão há seis anos nas mãos dessa máfia” e, por isso, você teria editado o parágrafo final do meu segundo comentário – a previsibilidade do seu discurso torna isso bem provável.
    Tente uma outra desculpa menos óbvia – puxa, eu já estou enjoando de ter que usar tanto este termo aqui. Mas é uma tarefa bem difícil não usa-lo com você.

  7. Mark,

    1) Be my guest. Fique à vontade para dizer quando e onde o presidente poderia ser vaiado. Aproveite e me explique por que é que vaiar um político onde e quando quisermos não está incluído no conceito elementar da liberdade de expressão.

    2) Releia o que você escreveu: “‘os cidadãos que estão há seis anos nas mãos dessa máfia’ não sofrem”. Se o que eu disse é óbvio, como você pode expelir asneiras desse quilate?

    3) Sim, Lula e PT nominalmente são “o governo”. E…?

    *
    “Demonstre respeito antes de exigi-lo.”

    Releia a seqüência de comentários antes de me acusar de qualquer coisa. Quem primeiro faltou com respeito foi você. Ademais, eu sei que você não faltou com respeito com “os cidadãos” e eu nem disse isso. Você faltou com respeito comigo. Lembre-se que você não está na sua casa.

    Se quiser levar esse debate adiante, atenha-se ao tópico, que está todo condensado no item 1 dos nossos comentários.

  8. Mark, seu favelado mental.

    QUEM É a esquerda para falar em momento e forma correta para se manifestar? Enquanto seus amiguinhos estão invadindo reitorias, ocupando terra dos outros e jogando tortas na cara em nome dus oprimidu e do “outro mundo possível” você vai reclamar de uma VAIA? Faça-me o favor.

  9. 1) repetindo o que eu disse antes, mas você não entendeu – ainda!!! – ou preferiu não entender:
    “era uma festa (sim, era uma festa) cujos principais elementos eram os atletas, e não o presidente”
    O que você pode concluir disso? Se você ainda não entendeu, imprima este trecho, leve para a cama e releia toda noite antes de dormir. Em algum momento – há esperanças – você pode entender.
    2) estou apenas repetindo a imensa obviedade – e a asneira, segundo sua propria afirmação – que saiu da sua boca. Viu as aspas ou além de tudo você tem cegueira seletiva? (algo que não duvidaria que você tem, por sinal)
    3) …
    4) Ah, eu fui ofensivo a você. Nossa, mil desculpas. Sério.

    Querido Bernardo:
    Você me conhece para julgar que faço parte da “esquerda”?
    Se você entendeu que com isso estou defendendo a “esquerda” e todos os baderneiros que você citou, seja feliz: você não sabe ler.
    E observe o uso que você fez da palavra “favelado”. Seria “retardado”, não? E você usou favelado junto com “mental” para tentar lhe dar este sentido. Hum….eu diria que você ter a usado, como termo pejorativo, diz muito sobre você. Eu, ao contrário de você sobre mim, acabei conhecendo você bem mais.

  10. Ah, esqueci.
    Liberdade todos temos de fazer o que quiser nesta questão. Eu posso, inclusive, não apenas vaiar o presidente, mas de ir muito além dentro do que me é no”conceito elementar da liberdade de expressão”.
    Mas o conceito de adequação também existe, sabia? Claro, não é algo tão celebrado e delineado quanto o “conceito elementar da liberdade de expressão”, mas ele existe. Vaiar o presidente, que não tinha qualquer importância crucial naquele tipo de evento – espero que você já tenha entendido o que quero dizer com isso -, é tão inadequado quanto o mesmo presidente fazer confissões sobre seu medo de avião e a inevitabilidade das falhas destes meios de transporte frente à vontade de deus, em uma cerimônia que tratava justamente para demonstrar atitudes tomadas para resolver as falhas de seu governo – que nada tem a ver com a vontade de deus – neste setor. Não apenas inadequadas e deslocadas tais confissões são, vindas de um presidente em um cerimônia política oficial, mas também guardam a intenção excusa de ser um pontapé inicial para que ele (e seu governo) possa se isentar de qualquer culpa. Este sim seria o momento mais do que adequado para sonoras vaias.
    Entendeu a inadequação agora?

  11. Mark,

    talvez você esteja tentando apelar para aquela idéia que diz “um erro não justifica o outro”. Se é este o caso, entendo que a vaia é um instrumento bem chulé — sujeito sabe vaiar, mas não sabe votar. Em última instância a culpa do lulismo é do populacho que caiu no papo e o colocou no topo. Você não disse isso, mas vamos supor que disse. Ok, legal, muito bom.

    Agora, muito sem noção é você dizer que o presidente “não tinha qualquer importância crucial naquele tipo de evento”. Vá dizer isso para o COB. Vá dizer isso para as pessoas que estavam no Maracanã. Mark, um presidente da República é importante o tempo todo e é justamente isso que faz dele um presidente da República. Ou você acha que ele estava no Maracanã para representar a família dele?

    Decerto as coisas são mais complexas do que essa discussão faz crer. Nem todos os problemas do país são culpa do presidente. Muito pouca coisa pode ser resolvida na base da vaia. Mas todo presidente deve ser o primeiro a assumir as responsabilidades por esses problemas, coisa que o Rei de Pindorama não faz, ou pelo menos não com o timing esperado para um chefe de estado.

    Para você entender melhor o que estou dizendo, leia isto:
    http://resende.blogspot.com/2007/07/o-presidente-em-seu-reduto.html

  12. É claro que não preciso dizer que vaia é um instrumento insípido de ação – por ser o protesto pelo protesto, sem qualquer efeito além do constrangimento – não é preciso qualquer esforço de reflexão para saber disto. Foi isso que eu quis dizer com o “ir muito além dentro do que me é permitido no conceito elementar da liberdade de expressão” – pode-se fazer coisa melhor do que vaiar, como você citou – votar direito, afinal, voto também é um meio muito mais adequado e eficiente de expressar-se.
    O presidente é sim importante em todos os momentos. Mas o seu papel varia muito dependendo da situação. Sua presença ali era a de representante do país para proferir a abertura dos jogos. Ele representava o Brasil diante do mundo e em um evento esportivo. Por pior que seja avaliado um presidente, eu duvido muito que em um país como os Estados Unidos isso teria acontecido nesta mesma situação – e pouco me importa se Bush é melhor ou pior do que Lula.
    Quer vaiar? Vaie ele na abertura de um novo aeroporto, a mais recente “solução” para o caos aéreo, ou em alguma cerimônia que festeje a mais nova “bolsa-esmola” deste governo que só enxerga o assistencialismo como solução para a miséria. Vaia-lo em um evento de cunho esportivo é realmente muito cômodo para o povo que só se organiza nestas situações.

  13. Sim, Mark. Sua opinião eu já sei. Você não gostou das vaias no Maracanã, na cerimônia de abertura do Pan.

    Só que elas aconteceram. Aconteceram também em inaugurações (os momentos que você considera “adequados”). E aconteceram de novo no Maracanã, no encerramento dos jogos.

    O que fazer?

    Entenda que o cerne da discussão não são as vaias. Elas aconteceram; não se deve discutir os fatos, deve-se compreendê-los. É possível que continuem acontecendo. O que surpreende — e foi isto que originou o post — é que o presidente fique “triste” (palavras do próprio) com isso.

    Surpreende também que pessoas como você digam que vaiar naquele momento foi inadequado (o que me leva a perguntar quais são os critérios para se definir um local e um momento adequados para vaias), quando todos sabemos que manifestações espontâneas de apoio ou repúdio são fundamentais para o bom funcionamento de uma sociedade livre.

    Você pode não ser esquerdista ou lulista, mas são atitudes como a sua que ajudam a manter picaretas em suas torres de marfim, sempre às nossas (minhas, suas) custas.

  14. Não estou julgando o efeito – se é que teve, – da manifestação sobre o presidente, tampouco estou julgando o fato de ele ter declarado ficar triste com isso (pouco me importa se o presidente ficou triste – neste cargo ele já deveria estar preparado para tanto). O cerne da discussão pra mim, desde o início, é a adequação da manifestação à situação e não o seu efeito. Mas, inegavelmente, mesmo que ela sempre surte efeito de alguma forma, é um situações como esta que ela perde muito do seu impacto e validade (e não vou ficar aqui explicando quais os “critérios para se definir um local e um momento adequados para vaias” – estaria me repetindo, pois já exemplifiquei quais seriam) pela sua inadequação. Eu vejo desta forma, e também já expliqueir porque agora há pouco.
    Agora, eu não acho que minha ponderação sobre críticas ao governo o “ajudam a manter picaretas em suas torres de marfim, sempre às nossas (minhas, suas) custas”. Quer você queira ou não, todos merecem tratamento justo e adequado, assim como devem receber críticas e manifestações contrárias de maneira adequada – até mesmo o governo Lula. Eu apoio qualquer crítica ao governo feita em situações inequivocamente políticas e cujo personagem/motivação/razão da situação seja também de natureza inequivocamente política. Naquela situação específica, sem dúvidas, não.

  15. Mark,

    reconheça que esse papo de “agora pode / agora não pode” só traz benefícios às potenciais vítimas das críticas (governo e políticos), sem beneficiar os críticos (cidadãos) em nada. Por isso eu disse que esse tipo de atitude é tudo que os picaretas querem de cidadãos bem intencionados como você.

    Agora, crítica só pode ser política e em “situações políticas”? Me poupe. Uma vaia não é uma crítica política. A insatisfação com o presidente não é política. É moral, é financeira, é social, é até mesmo estética. Política, não. Quem faz política é político. Quem vaia o presidente não está insatisfeito com sua ação política, está insatisfeito justamente com a politização excessiva de todos os setores do país. Isto, é fácil perceber, pesa no bolso, pesa no moral e na confiança das pessoas, pesa no funcionamento do país. Politicamente, eu estou me lixando para o que o presidente faz, desde que ele não desmoralize o país, desde que seu governo não fique com 40% de tudo que este país produz, desde que ele cumpra suas obrigações mínimas de chefe de estado.

    Quando um sujeito vaia o presidente, ele não está falando de política, mas dessas coisas básicas que ele espera que um presidente faça. Só que o presidente não faz.

  16. Discussãozinha besta…
    Parte-se do princípio que o respeito há de ser mútuo.
    Se o governo não cumpre com a parte dele, me dá o direito de vaiar quando e onde eu bem entender.
    Enfim…

  17. “Agora, crítica só pode ser política e em “situações políticas”? Me poupe”

    Eu acho que você não entendeu até agora o que eu disse. Poder, meu caro, pode – já disse. Agora, eu também posso vaiar o presidente na festa de aniversário dele. Faz sentido? Soa adequado? Se pra você soa – e desde início parece soar – ótimo. Pra mim não sou nem a pau. Inclusive, acharia isto uma tremenda falta de educação – não apenas deslocado e inadequado, como disse anteriormente e reitero sobre aquela manifestação naquela situação específica.

    A insatisfação com o presidente não é política. É moral, é financeira, é social, é até mesmo estética. Política, não. Quem faz política é político.

    Eu não disse que a vaia era uma atitude política – não sei onde você viu isso – apesar de que ela pode ter sido política sim senhor. Eu disse que a situação NÃO era – estou me repetindo – , assim como não era apenas o Lula que estava ali, mas o presidente do Brasil (fosse quem fosse) representando o seu país diante de representações de outras nações das Américas. Se você acha que o país está sendo desmoralizado por ele, eu acho que aquela atitude do público para com o seu representante, diante de tantas outras nações, não ajudou em nada para melhorar. E não me venha dizer que isso demonstrou consciência política do povo – nem repetir que demonstrou “insatisfação moral, financeira, social e até mesmo estética” porque eu já li isso.

    “reconheça que esse papo de “agora pode / agora não pode” só traz benefícios às potenciais vítimas das críticas (governo e políticos), sem beneficiar os críticos (cidadãos) em nada.”

    Eu não reconheço coisa alguma porque discordo – e com veemencia. Não vou deixar de fazer o que eu acho justo e certo porque, na sua opinião, isto estaria beneficiando “às potenciais vítimas das críticas (governo e políticos)”. Aí, você é quem tem que reconhecer: eu estaria censurando a minha própria liberdade de expressão – me poupe digo eu!

    E, mentiaca:
    besta é a sua maneira simplista de resumir a discussão.

  18. Alias, este meu último parágrafo (não o que me dirigi ao mentiaco) anulou a discussão por completo.
    Mesmo que eu ache inadequado – e eu nunca vou deixar de achar – o público tem o direito de expressar-se – o que eu nunca neguei – dentro do que você chamou de “conceito elementar da liberdade de expressão” assim como eu tenho todo o direito, por estes mesmo “conceitos elementares” de discordar, achar inadequada e inoportuna esta mesma atitude, mesmo que ela acabe beneficiando “às potenciais vítimas das críticas (governo e políticos)” – na sua opinião, obviamente.

  19. Mesmo que eu ache inadequado — e eu nunca vou deixar de achar — o público tem o direito de expressar-se — o que eu nunca neguei — dentro do que você chamou de “conceito elementar da liberdade de expressão”

    Ufa.

  20. Da forma como você colocou minhas palavras, em conjunto com sua onomatopéica expressão, fica parecendo que eu cheguei a esta conclusão – que eu já tinha clara para mim desde o início – através do seu iluminante raciocínio.

    Tsc, tsc…

    P.S.: Você esqueceu de citar o resto do parágrafo. Ou melhor, preferiu não dar atenção. rsrsrsrs!

  21. Mark,

    eu não sei se você me superestima ou se você se subestima. Uma das duas coisas deve explicar o fato de você ter associado meu comentário anterior à suposição de que você percebeu algo por minha causa. Sinceramente, não pretendo nem espero isso.

    A propósito, para quem tem alguma intenção de dialogar, você supõe muito. Eu nem esqueci de citar, nem preferi não dar atenção. Apenas não citei.

    Até a próxima.

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