Shugyo

“Realizando coisas justas, tornamo-nos justos, realizando coisas moderadas, tornamo-nos moderados, fazendo coisas corajosas, tornamo-nos corajosos” — Aristóteles.

Entrevistado sobre a conquista da medalha nos Jogos Pan-Americanos, o karateka que ganhou uma das medalhas de ouro da modalidade disse que treinava cinco horas por dia, todos os dias. Diversos fatores diferenciam uma pessoa comum de um campeão, mas o fator mais importante é a tolerância à rotina. Até eu seria campeão em uma modalidade esportiva se a treinasse cinco horas por dia, todos os dias.

Num país novidadeiro como o Brasil, competições esportivas tradicionais são bem-vindas não porque mudam a rotina das pessoas, mas porque mostram a importância que a rotina pode ter.

No Japão, nas artes marciais, há um nome para rotina: shugyo. Na verdade, shugyo é traduzido como “treinamento austero”; nesta palavra está embutida a idéia de repetição e constância. Shugyo demonstra que a perfeição e a habilidade técnica dependem da repetição de movimentos específicos. Há na tradição da espada samurai (no kendo, iaido, aikido e os respectivos -jutsu) o exercício chamado suburi, que consiste em cortar o ar com a espada repetidas vezes. É comum um praticante mediano fazer cerca de mil suburi todos os dias.

Mesmo que você não pratique artes marciais (o que seria uma pena), você pode perceber a importância da rotina no seu dia-a-dia. Você reconhece o valor de certas práticas porque as repetiu diversas vezes e porque foram elas que permitiram você chegar até aqui com razoável saúde e conforto — desde o sono (suponho que você durma todos os dias) até a prática profissional, cuja excelência não se obtém de véspera.

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2 comentários sobre “Shugyo

  1. Não sei se a palavra rotina é a mais adequada… geralmente a palavra rotina traz junto a idéia de repetição impensada ou irrefletida. E sem a prática (ainda que repetitiva) CONSCIENTE não há progresso.
    Talvez por isso a palavra disciplina seja tão mais usada nesse contexto.

    Ou é só uma frescura semântica minha. Talvez precisemos estudar a etimologia dessas palavras. Ou não.

    Abraço

  2. Talvez a palavra não seja adequada porque seu uso mais comum é o mais inadequado. Eu, pessoalmente, amo rotina porque percebo que através dela eu cresço. Sem dúvida isso pressupõe aquela dose mínima de consciência sem a qual nada floresce.

    Talvez seja o caso de renovar o sentido da palavra para lançar nova luz sobre ela. Ou não.

    Valeu.
    Abraço!

    *
    Rotina: do fr. routine (1559) ‘rotina’, der. de route ‘caminho muito freqüentado’ + suf.fr. -ine; ver romp-; f.hist. 1836 rutina

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