Música para o domingo

Tonari no Totoro

Eu adoro anime. Mas não qualquer anime. O que passa na TV a cabo geralmente é um fragmento da grande arte que é feita no Japão, que vira uma coisa estranha nas mãos dos lunáticos do cosplay. Quando falo de grande arte, refiro-me às animações do Studio Ghibli, cujo fundador é Hayao Miyazaki. Já se disse que Miyazaki é uma espécie de Walt Disney. Isto pode servir como prefácio, mas não basta para explicar a importância que Miyazaki tem para a arte do desenho animado e mesmo do cinema em geral. Faltam-me elementos teóricos para sustentar minha afirmação, mesmo assim acredito que Miyazaki é um dos grandes mestres do cinema do oriente, talvez maior que Akira Kurosawa.

Sobre o cinema de Miyazaki, escrevi um longo artigo que compara as idéias presentes em suas obras mais recentes. Mas como este é mais um “Música para o domingo”, o que interessa aqui é o que vamos ouvir.

Miyazaki, como todo mestre do cinema, sabe da importância da trilha sonora. Ela dá vida à ação, que, pela natureza da imagem cinematográfica, é algo distante e bidimensional. Suas animações não seriam geniais se as trilhas sonoras não estivessem à altura das histórias e dos personagens. E assim foi.

Um dos principais parceiros de Miyazaki é Joe Hisaishi. É dele a maioria das composições aqui apresentadas. Em alguns vídeos, o próprio Hisaishi aparece regendo ou interpretando os temas dos desenhos para os quais compôs trilhas. Noutros, a música pode ser ouvido tal como aparece nos desenhos ou, por fim, em clipes elaborados por fãs.

“Country Road”. Esta é uma das melhores seqüências de “Mimi wo sumaseba” (“Suspiros do coração”), uma história aparentemente simplória sobre uma menina e as dificuldades da passagem da infância para a adolescência.

Tema principal de “Mononoke Hime” (“A Princesa Mononoke”), versão para orquestra. Embora o vídeo mostre apenas uma seqüência de slides, a música é grandiosa como os personagens e a história.

“Jornada para o oeste”. Outra música da trilha sonora de “Mononoke Hime”. O herói Ashitaka sofre uma maldição e viaja para uma terra distante em busca da cura.

A doce canção “Itsumo Nandemo” pode ser ouvida durante a exibição dos créditos de “Sen to Chihiro no Kamikakushi” (“A Viagem de Chihiro”). Neste vídeo, a canção acompanha um trailler do desenho que recebeu o Oscar de longa de animação em 2003.

A seqüência da estação de trem é a mais maravilhosa de toda a obra de Hayao Miyazaki, não apenas pelo que ela significa dentro da história de “Sen to Chihiro no Kamikakushi”, como também pelo que ela representa isoladamente, por sua poesia, pela paisagem intencionalmente surreal, pela profundidade e pela simplicidade da ação, pela sutileza das pessoas que são sombras. A música de Joe Hisaishi, que pode ser ouvida ao longo de toda a seqüência, chama-se “A sexta estação de trem”.

Tema principal de “Hauru no Ugoku Shiro” (“Castelo Animado”), o longa mais recente de Hayao Miyazaki, com Joe Hisaishi na regência e ao piano.

Tema principal de “Tonari no Totoro” (“Meu vizinho Totoro”). Esta animação de Miyazaki é muito famosa no Japão, bem como o personagem principal, que é o símbolo do Studio Ghibli. Aqui, o tema é interpretado por Joe Hisaishi ao piano, acompanhado por nove violoncelos.

Anúncios

9 comentários sobre “Música para o domingo

  1. Eduardo,

    Oficialmente, só há DVDs com legendas em português de “A Viagem de Chihiro” e “Castelo Animado”.

    Mas em São Paulo, no bairro da Liberdade, há lojas especializadas em anime e é possível que lá você encontre os outros desenhos do Studio Ghibli, devidamente legendados.

    Se você não vive em São Paulo, uma alternativa é obter os desenhos pela internet. Embora isso seja possível, a grande dificuldade é encontrar legendas em português.

  2. Obrigado pela dica! Como não moro em SP, apelei para os torrents e encontrei a obra completa dos estúdios Ghibli (pena que com áudio em inglês). O único que achei com áudio em japonês foi Tales from Earthsea, que assisti ontem. Muito bom e muito loucão.

  3. É uma pena que não foram lançados no Brasil todas as animações do Studio Ghibli. Mas talvez não desse certo mesmo, por exemplo, “Mimi wo sumaseba” eu acho que não teria grandes vendas nem público aqui.

    Eu também gosto muito de anime (não qualquer anime também) e às vezes assisto algum dorama. Tenho um colega aficcionado por cinema e sugeri que visse alguma animação do Miyazaki, mas ele torceu o nariz e nem mesmo quis saber do que se tratava, me disse “odeio desenhos”. Uma pena, eu tento manter a mente aberta, se bem que para música eu sou tão cabeça dura quanto ele, me recuso a ouvir artistas populares contemporâneos, você deve saber bem por que. :)

    Gostei dos links que passou.

  4. “Mimi wo sumaseba” não faria sucesso no Brasil. É um desenho simples, que não tem nenhum atrativo especial. Se “A Viagem de Chihiro” e “Castelo Animado” são pura magia, “Mimi wo sumaseba” é uma história simples de uma menina comum, de seus sentimentos, dúvidas e angústias. Quem vê desenho quer heróis, lutas, fantasias.

    Isso não impede que “Mimi wo sumaseba” seja um desenho maravilhoso e deslumbrante — sobretudo ao espectador capaz de ver através da aparente simplicidade da história. Como não se emocionar com a versão japonesa da música “Country Road”, acompanhada por um improvisado conjunto de música renascentista?

    *
    Kiki, diga ao seu colega que as animações de Miyazaki não são simples animações como são, por exemplo, Branca de Neve ou Rei Leão. Ademais, sempre considerei Miyazaki um mestre do cinema, não apenas dos desenhos animados. Se ele vir “A Viagem de Chihiro” e não ficar deslumbrado, desista de convencê-lo…

    *
    Como sempre, obrigado pelo seu comentário, Kiki.

  5. “Kiki” é um apelido que você deve imaginar de onde eu tirei, né?

    A cena onde eles tocam e a Shizuku canta deve ser a preferida de quase todo mundo que viu a animação, é uma cena mesmo muito inusitada, com aqueles instrumentos…
    Eu fiquei pensando qual a minha cena preferida e acho que é quando ela desce as escadarias na casa do Seiji e vê a cidade lá de cima, uma visão que ela nunca tinha tido antes, eu me emociono naquela ceninha. Fico pensando ela naquele condomínio apertado que ela mora e depois toda a imensidão que é a cidade vista do alto, com os vales ao fundo.
    O final quando eles correm para assistir o sol nascendo também é muito legal.
    Como você disse, é um desenho ‘simples’ e as pessoas normalmente não conseguem ter alguma empolgação com isso.

    Quanto ao meu colega, ele é bastante ‘xiita’ e cinema de verdade é europeu/iraniano/clássicos e acabou. Nem comento com ele que vejo os tais doramas, senão…
    Quem sabe um dia eu dê “A viagem de Chihiro” de presente, aí ele será obrigado a assitir (risos).

    Christian, adoro o seu site. Eu não costumo fazer comentários na internet, mas aqui me sinto à vontade.

    p.s: O primeiro vídeo saiu do ar.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s