O problema do ensino superior

escolástica

Leio sobre a decadência do ensino superior. Universidades sucateadas, professores e estudantes sem motivação e preparo. Nenhuma palavra sobre quantidade. Ninguém vê relação entre o fracasso dos diplomados e a enorme quantidade de estudantes, cursos e instituições de ensino, coroada por uma carga horária cada vez mais fast-food. Gente demais reunida com o propósito de sair o mais rápido possível das universidades, com diploma na mão. Pouco tempo, muita gente e um objetivo fraco — eis os problemas do ensino superior.

Além do diagnóstico falho, as soluções encontradas são ruins. A pós-gradução tem sido usada cada vez mais como extensão da graduação, como forma de preencher lacunas e formar um indivíduo apto a realizar-se profissionalmente. Colocar-se no mercado tem exigido um conhecimento que o indivíduo raramente encontra fora do mercado — que naturalmente só ensinará aquilo que o mantenha como está hoje, o que não ajuda o profissional nem o próprio mercado, muito menos as universidades.

Além disso, espera-se que o Estado crie e cumpra leis que melhorem a condição de vida de certas classes profissionais (eis, por exemplo, os conselhos, ceifando a pouca renda dos profissionais liberais) e que as empresas sejam socialmente responsáveis. Sem dúvida é muito bom poder trabalhar em empresas que vão além das leis trabalhistas, mas o mundo que surge de um Estado forte e de empresas socialmente responsáveis é um mundo de indivíduos fracos, um mundo de mendicância e gritaria.

O que a maioria das pessoas pede é que se façam cada vez mais profissionais iguais a elas mesmas, sem perceber que isso está na raiz do sucesso e do fracasso profissional. É, sem dúvida, uma questão de quantidade, que exige a maturidade de resolver em si mesmo algo que só se tenta resolver fora.

Você estuda para ser igual ou para ser diferente?

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A propósito deste assunto, é esclarecedora a leitura de Educação Liberal, do filósofo Olavo de Carvalho.

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5 comentários sobre “O problema do ensino superior

  1. Uma coisa é interessante nisto tudo. Naquela grevinha na USP, os valorosos ocupantes da reitoria pediam autonomia. Mas esta autonomia era somente pra gastar o dinheiro público do jeito que achavam melhor. Eu apoiaria se essa autonomia fosse em relação à grade curricular. Cada universidade decidiria o que ensinar aos seus alunos e isso diferenciaria uma e de outra, criando uma tradição educacional que criaria uma procura maior por métodos mais eficientes.

    Mas a grade é imposta pelo MEC. E se o Estado é ineficiente irresponsável em todas as seus obrigações, não seria diferente em relação ao ensino universitário. Obrigando todos a estudarem as mesmas coisas, nivelam todas as instituições na mesma porcaria.

  2. Não sei onde vi, Christian, uma faculdade de direito que teve uma turma com zero aprovados na OAB. Zero.

    Enquanto isso, falemos das púbicas, onde, sei não, um ensino profissionalizante é menso deletério do que o marxismo de boteco.

    E a mão de obra dos professores, waaal. Vai ver São Carlos.

  3. Cada universidade decide ensinar aos seus alunos , sim.

    O MEC não diz o que ensinar aos alunos. Ele diz qual é o mínimo a se ensinar a esses alunos. E isso é bem diferente.

    Além do que, falta-me conhecimento para uma análise geral, mas pelo menos na área de computação, é comum ajustarem-se os currículos pela ACM, e não pelo MEC.

  4. Bem como vcs eu tambem não tenho muito conhecimento sobre o assunto, pois estou me interessando agora mais sobre isso, pois odiei terminar a facul, e sair de la sem fazer nada, deixar minha marca. Olha sei que existe muitas facul com problemas e tals, e essa ideia de almentar as quantidades para dar mais condições as pessoas é sinistro, pois não ta sendo mais merito entrar na facul, hoje qualquer um entra. E o nivel intelectual e critico das pessoas que entram, ai entramos não somente na questão fraca da universidade mas sim tambem dos escolas primarias e secundaristas hehehee. Como um professor meu disse, sobre o campus onde eu estudava, levando o comentario a toda universidade, isso nao é uma facu e sim um colejão hehehehehehehehehee.

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