Lições de vida, lições divinas

buddha

Dar significado à vida não é uma opção. Você não escolhe conferir-lhe significado ou não. Ela terá significado e ele será bom ou ruim conforme aquilo que você pensa e faz de sua própria vida. O homem sábio não tem dúvidas sobre isso e não vive em meio período; não se é sábio pela metade, a sabedoria não permite hora-vaga. Esqueça, portanto, as férias, viva integralmente — o que é diferente de mas tão importante quanto viver com integridade –, seja intransigente consigo mesmo, seja pleno, não tolere seus próprio erros. Não seja genial pela metade. Não se preocupe, acima de tudo, com a possibilidade de sua genialidade enfadar as pessoas ao redor — sua mediocridade as enfada muito mais, você é que não percebe isso.

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Não me entendam mal nos momentos em que escrevo as coisas que eu gostaria de ouvir. Muitos aqui devem ter notado que repito a mim mesmo as lições que eu ainda não absorvi, porque preciso delas, porque delas dependo para viver, porque nelas encontrei algum sentido para viver — ainda que não as tenha aprendido inteiramente.

De um lado essas lições falam do momento presente, das obrigações da hora, daquilo que, como a respiração e a postura, me permite viver, e viver bem. De outro lado, elas falam da perfeição divina, de como cada criatura participa da obra de Deus e de como cumprimos nossa parte nessa obra, ora errando e teimosamente contrariando a divindade, ora acertando e aquiescendo humildemente às determinações do Criador.

Ignorar as determinações divinas pode lançar-nos à falsa noção de que ascendemos e que encontramos êxito, já que até mesmo os ateus esclarecidos (deixando para depois o fato de que isso é um paradoxo) encontram algum êxito nesta vida. Resta saber se ele dura a vida toda ou se esse êxito não seria como confundir uma queda livre com um vôo.

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Estão certos os que dizem que tudo se resume a um momento, àquilo que se faz aqui e agora. “Ichi go, ichi e”, “um encontro, uma vida” diz a tradição zen. Contudo, só tem significado o momento que é reconhecido como manifestação de Deus. Deus não reconhece o tempo por estar acima dele. Ele está aqui hoje, ele estará aqui e lá amanhã, como esteve ontem. Ele está e é muito antes que o próprio tempo existisse. Isto significa que este momento depende de nossa capacidade de reconhecer a eternidade de Deus. Viver o momento pode ser um caminho de perdição hedonista ou um caminho de realização divina; pode ser um caminho de desintegração niilista ou de comunhão com Deus, de renascimento e ascese.

Vistos de fora, pode haver pouca diferença entre escolher este ou aquele caminho. O Jardim de Epicuro é tido como exemplo de sabedoria, assim como a longa meditação de Buda sob a figueira. As semelhanças, ao observador atento, terminam aí. É necessário olhar além, investigar as doutrinas de Buda e de Epicuro e perceber as respectivas posturas diante do mundo.

Epicuro: se o inferno é aqui, recolhamo-nos no Jardim, que é um lugar pacífico, um simulacro do Éden.

Buda: se o inferno é aqui, recolhamo-nos em meditação para que o espírito de Deus nos ilumine e nos tome como instrumentos de Sua ação sobre este mundo.

Na verdade, grande parte de nossas angústias tem a mesma direção do isolamento de Buda ou de Epicuro. Diante de um mundo ruim, o primeiro passo importante é afastarmo-nos dele, por uma questão simples de integridade e auto-preservação. Os passos seguintes são os mais importantes. Isolado em seu quarto é possível ignorar a realidade e inventar uma nova ou refletir sobre ela e compreendê-la, o que não ocorre sem uma grande dose de aceitação cristã ou budista. Para Epicuro, o mundo é mal e é necessário afastar-se dele. Para Buda — assim como para Cristo — o mundo é mal e é necessário aceitá-lo, da mesma forma como o Pai recebeu o Filho.

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Original da imagem aqui.

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