Para ler ou ver notícias

TV quebrada

Eu falei de desconfiômetro em meu post anterior. Então.

Na TV vejo o noticiário sobre o ataque num shopping center dos EUA, com oito mortes e o suicídio do criminoso. Um grande destaque é dado para a notícia. A correspondente dos EUA traz notícias de primeira mão, com link ao vivo. Não há adjetivos no texto. O fato não é classificado desta ou daquela forma, ele apenas é noticiado. No entanto, fala-se pela milésima vez da facilidade de comprar armas nos EUA.

Apesar da imparcialidade da narração, você vê os adjetivos quando liga os pontos, amplia o campo de visão e o foco mental para além daquilo que é noticiado e os coloca na realidade próxima.

Em São Paulo, por exemplo, a média desde o início deste ano é de quatro mortes por dia — algo em torno de 130 mortes violentas todos os meses.

Aqui não há psicóticos que querem se celebrizar com assassinatos e suicídios. Aqui não se compram armas sem passar por uma burocracia que faria o Capitão Nascimento pedir pra sair.

Aqui há, por outro lado, a banalização da vida — inclusive por parte da imprensa, que denuncia o cisco no olho do vizinho e faz que não vê a trave no seu próprio.

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Original da imagem aqui.

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