Close up

Você já acostumou com isso e já sabe por que ocorre. Mas vale a pena colocar por escrito, para que ninguém tenha dúvidas. A Rede Globo preza tanto cada milisegundo de sua transmissão, leva tão a sério cada milímetro quadrado de seus quadros que se recusa a divulgar o que quer que seja sem autorização prévia.

Em muitos canais, as entrevistas esportivas coletivas são transmitidas assim:

entrevista corinthians
(Globo Esporte mode off)

No Globo Esporte, no Esporte Espetacular e outros programas esportivos da rede, ficam assim:

entrevista corinthians close up
(Globo Esporte mode on)

Até aí tudo bem. Cada TV tem o direito de mostrar o que quiser. Eu sugeriria, no entanto, cortar a imagem e transmitir apenas o áudio da entrevista com uma daquelas imagens congeladas da pessoa — à semelhança de correspondentes internacionais que não encontram um lugar seguro e/ou bonito para instalar uma câmera. Não me interessa ver as perebas do entrevistador e ninguém, em sã consciência, entrevista uma pessoa a menos de 20 cm de seu rosto. A impressão que se tem é que a câmera está a essa distância do entrevistado — o que, no mínimo, é uma grosseria para com ele. Tudo para evitar mostrar as marcas que compõem o pano de fundo do entrevistado ou o boné da marca que o patrocina.

O que dói é ver isso tornar-se espécie de padrão estético, como se não houvesse um limite para aproximar-se do rosto e dos assuntos alheios. O que dói é ver a banalização de algo que já foi primorosamente usado para causar um impacto específico — coisas da sétima arte:

psicose psycho scream scene

O “Arquivo Confidencial” no Domingão do Faustão, ao contrário, leva isso às últimas conseqüências, força o recurso ao limite do mau gosto:

arquivo confidencial latino
Latino chorando na TV, digo, no Domingão do Faustão.

Sem mais comentários. Bill Watterson disse tudo, há muito tempo:

calvin and hobbes bill watterson
(Clica na imagem para ampliar)

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3 comentários sobre “Close up

  1. Acho que foi devido a esses closes microscópicos que os times passaram a colar um mini-banner com a marca do patrocinador na ponta dos microfone. Dessa forma encobre a boca de quem fala, mas a emissora não tem como fugir da publicidade. Ou faria como naquelas reportagens em que não se pode mostrar quem fala devido à segurança da pessoa, e por isso foca apenas nos olhos ou boca.

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