Ser e fazer

japanese swordsmith

O que impressiona e encanta é a capacidade de ser aquilo que se se faz, de manifestar por si só aquilo que se é e os hábitos e fazeres e rituais que constróem sua personalidade.

Eu não vejo como a arquitetura pode levar a esse tipo de manifestação. A arquitetura não é arte, mas processo — dos croquis até a obra pronta, quantos capítulos. A arquitetura não é obra de gênio, mas de grupos — pense em Niemeyer escultor e seu mecenas; ou em Niemeyer arquiteto e seu calculista.

Relação diferente entre obra e criador há nas artes marciais, na dança e nas artes em geral, nos rituais de algumas religiões, na filosofia. Há ascese, há sentido, há genialidade (mesmo que apenas potencial) na medida em que o indivíduo se baste em si mesmo ao criar sua obra, na medida em que ele, sozinho, possa ser considerado artista, gênio, indivíduo pleno, completo e indiscutível.

Você não discutiria com Sto. Tomás de Aquino, com Fídias, com Bach ou com Morihei Ueshiba porque estamos falando de mestres indiscutíveis, mas porque aquilo que eles fizeram basta tanto quanto aquilo que eles foram. E porque, afinal, não se percebe neles nenhuma diferença entre ser e fazer.

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Original da imagem aqui.

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Um comentário sobre “Ser e fazer

  1. Oi Christian,

    Considero que a arquitetua pode ser considerada arte assim como as outras atividades que vc citou como exemplo… e que todos esses exemplos são também processos, assim como a arquitetura…

    Que preconceito com a arquitetura… ;-)

    Abs
    Sandra

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