Proselitismo ateu

richard dawkins
Fiat bardus.

«Proselitismo», sobretudo nas religiões cristãs, é definido como

«…nome dado à busca ativa de uma religião por novos fiéis. Em sua origem grega, o termo designava a adesão de pagãos ao judaísmo, mas esse sentido primeiro foi perdido há muito tempo. Hoje, “proselitismo” é usado com conotação negativa, para descrever a suposta agressividade de uma religião (concorrente) em converter novos seguidores.»

(Definição encontrada aqui)

A maioria dos ateus usa o proselitismo como argumento para demonstrar o viés autoritário das religiões. Argumentar desta forma não é como julgar um livro pela capa. Pode-se dizer muitas coisas sobre um livro a partir de sua capa. O proselitismo explica algo sobre a religião que a pratica na medida em que o observador efetivamente oferece alguma atenção a ele. Não tem sido este o caso.

A atitude comum, no entanto, é de repulsa. Para um ateu, a simples menção a Jesus Cristo é razão para cenhos franzidos e afastamento — sinais evidentes de nojinho ignorante. Falar «Nosso Senhor Jesus Cristo» leva o ateu a lavar as mãos com iodo e buscar uma vacina que lhe proteja de tão repugnante ameaça. A «ameaça repugnante», no caso, é tomar conhecimento da Boa Nova, pois o proselitismo, tal como o entendo na tradição cristã, resume-se a divulgá-la.

A crítica dos ateus resume-se, assim, a uma espécie de «não li e não gostei». Muitos deles lêem a Bíblia com alguma atenção, é verdade, mas existe uma diferença grande entre ler a Bíblia e compreendê-la. Existe uma diferença grande entre ler «para» encontrar contradições, imprecisões e falsidades e ler para aprender e entender o Cristianismo e as lições de — sim, digo-o em alto e bom som — Nosso Senhor Jesus Cristo.

E até aqui estou falando de lições, de palavras, de livros e também de fé e espiritualidade e de como algumas pessoas se opõem a todas essas coisas. Friso isso porque me surpreendo ao ver a sede com que essas pessoas exercem seu ateísmo. Praticam assim um proselitismo mais grave do que aquele que criticam. Causam mais danos do que as religiões que criticam. Desperdiçam energia e tempo preciosos lançando bolhas de sabão na direção de muros de pedra.

Entendo que estas palavras não provam coisa alguma contra o ateísmo. O que prova algo contra o ateísmo é a indisposição dos ateus em conhecer as religiões desde dentro. O Cristianismo, por exemplo, não é só a Bíblia e nos escândalos que envolvem meia dúzia de sacerdotes — a mídia nunca foi uma boa fonte para conhecer tradições. Nenhuma religião é apenas um punhado de livros e aquilo que falam dela. Pelas obras os conhecereis.

Ateus não se dão o trabalho de conhecer aquilo que criticam; dizem que não há o que conhecer, já que Deus não existe. Isto, naturalmente, é patifaria demais: existem pelo menos as pessoas que acreditam n’Ele, existem livros e mais livros dedicados à demonstração de Sua existência. Existem cristãos, budistas, muçulmanos e cada um crê na existência de Deus e realiza suas obras à sua maneira. Existe também o próprio ateu, cuja vida não pode ser totalmente explicada sem recorrer a uma certa dose de Mistério (religioso ou científico, porque a ciência também tem seus mistérios e dogmas).

O proselitismo, que causa tanto nojinho nos ateus, deve ser entendido como parte das religiões, não como uma verruga. Os crentes não têm motivos para se envergonhar disso.

O que os move — Dawkins e demais ateus delirantes — é mais uma frescura, é mais uma falta do que fazer do que propriamente um desejo sincero de reparar o mundo e ajudar as pessoas. Se fossem sérios e sinceros, começariam por aqueles que explodem inocentes em nome de Deus ou que divinizam ideologias sanguinárias.

.
Original da imagem aqui.

Anúncios

3 comentários sobre “Proselitismo ateu

  1. Você tem certeza que conhece algum ateu?
    Todos os ateus que conheço já leram a bíblia e conhecem muito sobre história da religião.
    E ironicamente todos já foram pertencentes a alguma religião antes de se tornarem ateus.

    Uma dica:

    Use argumentos lógicos e coerentes para criticar os ateus ou qualquer outra coisa e/ou pessoa, e pesquise bem antes de escrever algo, mas infelizmente o achismo é típico de religiosos.

  2. Joana,

    peça aquilo que você pode oferecer. A sua experiência não constitui regra, mas exceção. Perceba que seu comentário — bem-vindo, aliás — pode ser tomado como uma espécie de proselitismo ateu.

    Ademais, ler a Bíblia e conhecer a história das religiões é bem fácil — é outra coisa. As escrituras de uma religião e sua história não são a religião. Lembro de ter feito essa distinção no texto:

    Existe uma diferença grande entre ler «para» encontrar contradições, imprecisões e falsidades e ler para aprender e entender.

    Não há ironia no fato dos ateus de seu círculo terem sido religiosos outrora — é justamente isso que lhes permite afirmar que conhecem aquilo que criticam. O próprio ateísmo é definido desde a raiz como “não-deus” — athèos. A ironia está no fato do ateísmo constituir-se cada vez mais como uma religião qualquer, com dogmas, escrituras e líderes.

  3. Como ateísmo não é ideologia, não tem uma crença ou parâmetros sendo apenas a descrença em Deus, não pode haver proselitismo ateu. É apenas uma reação a milênios de imposição e repressão religiosa. Ateísmo não é bandeira para um mundo melhor, mas o despertar para que o mundo não fique pior. sou contrário ao proselitismo religioso e entendo que deveria ser criminalizado como na Grécia. Só que aqui por outro motivo que não o dos gregos (proteger a Igreja Ortodoxa Grega).
    Na Grécia proselitismo é crime.
    “Lei grega nº 1.363/1938
    Artigo 4 º

    1. Aquele que pratique o proselitismo incorre em pena de prisão, além de multa no valor de 1.000 a 50.000 dracmas; também é colocado sob vigilância da polícia por um período de seis meses a um ano, conforme determine a sentença de condenação. A pena de prisão não pode ser convertida em pena de multa.
    2. Por proselitismo deve ser entendida, sobretudo, toda tentativa direta e indireta de se intrometer nas crenças religiosas de uma pessoa de confissão diferente (heterodoxo), a fim de modificar o seu conteúdo, por qualquer intermédio de qualquer tipo de prestação ou promessa de auxílio moral ou material, ou por meios fraudulentos, ou abusando de sua inexperiência ou confiança, ou aproveitando-se de sua necessidade, ignorância ou ingenuidade.

    3. Realizar qualquer desses atos em escola ou outra instituição educativa ou filantrópica constitui uma circunstância agravante.”

    Ocorre que, como em países islâmicos, essa proibição tem como finalidade proteger a Igreja Grega Ortodoxa, como os islâmicos a sua crença. Aqui no Brasil precisamos disso de um modo particular: para acabar com a disputa de mercado e a indústria da fé, garantir o direito de todas as crenças sem pretensões hegemônicas e o direito daqueles que não admitem para si fé religiosa alguma. Acabar com a propaganda religiosa em rádios e televisões e manifestações religiosas públicas com finalidade propagandista. Pronto!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s