Não tem preço

não tem preço

Fala-se com certo orgulho da publicidade brasileira. Campanhas publicitárias são comparadas com obras-primas cinematográficas, como se a publicidade fosse a oitava arte e como se criar essa imagem não fizesse parte do trabalho das próprias agências. Propagandas geniais não são regra. Para cada 30 segundos de mensagem profunda e sincera há horas e mais horas de gritaria, ofertas explosivas, patrões loucos, degradês e letras garrafais. Aqueles 30 segundos geniais criaram um território de tolerância. Enquanto espera os próximos 30 segundos geniais, você tolera propagandas de cerveja, as letras miúdas dos comerciais de automóveis, a poluição sonora dos comerciais das Casas Bahia, até aqueles comerciais descaradamente mentirosos de produtos milagrosos de que você nunca precisou.

O que não tem preço, de verdade, é o respeito. O problema é que em breve muitas pessoas pagarão somas generosas para não serem tratadas o tempo todo como clientes ou consumidoras — e, é claro, não verão qualquer contradição nisso.

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Original da imagem aqui.

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