E agora?

lotus
*

Você nunca sabe se deve colocar todas as fichas num único número ou se deve dividi-las em vários números — correndo o risco de dividir assim sua fé em várias partes e perder inevitavelmente.

Você nunca sabe se aquela é a melhor direção a ser seguida e o resultado obtido com a escolha lamentavelmente exclui a comparação com o resultado que seria obtido caso você seguisse a outra direção.

Você nunca sabe se é feliz o suficiente, se deve aceitar serenamente tudo o que tem — inclusive as coisas ruins — e se este é o melhor dos mundos.

*
A embalagem de batata frita sugere que o comensal se pergunte o que ele pode fazer para tornar o mundo melhor. Se era para levar a sério a questão, um bom começo seria não comprar batatas fritas — principalmente aquelas de saquinhos, que têm sal, gordura e corante em excesso e geram lixo. Mas, stricto sensu, o melhor começo seria ignorar baboseiras desse calibre.

Enquanto a maioria das pessoas se pergunta como fazer um mundo melhor, você, que é um pouco mais esperto, segue fazendo pequenas coisas melhores a cada dia: uma refeição melhor, uma postura melhor, um trabalho melhor, uma voz e uma fala melhores, um sono melhor, um pensamento melhor. Estas coisas você conhece. Você pode não saber de um monte de coisas, como eu disse no início, mas você sabe muitas coisas e parece adequado e bom dedicar-se a conhecê-las cada vez mais e torná-las cada vez melhores. Se hoje, por exemplo, você consegue caminhar 10km sem se cansar, talvez amanhã você consiga chegar a 12 ou 15km e isso será muito bom.

*
Não existe bem suficiente. Nada é suficientemente bom. Nenhum caminho é finito e é bom que você saiba se é finito o caminho em que você se encontra hoje. Ascese — acredite, isto é importante — inclui fazer algo que continuará quando você se for.

A possibilidade constante de auto-superação é mais importante do que a auto-superação mesma, geralmente isolada, superestimada e pontual. Você não precisa quebrar seus próprios recordes, mas precisa — porque assim se constrói uma vida — dedicar-se a todo instante como se esse recorde pudesse ser quebrado a qualquer momento ou apenas como se não houvesse recordes a serem quebrados. A glória que você busca não é a da auto-superação, mas a da prática, do esforço, da ascensão, pequena mas constante, lenta mas firme.

*
“A mente faz parte daquilo que é percebido e não tem poder próprio de perceber” — Yoga Sutra 4.19, Patañjali.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s