Steppenwolf

steppenwolf
(link da imagem)

Uma das coisas mais difíceis para quem escreve, mesmo para alguém amador como eu, é aceitar o fato de que suas palavras constroem uma imagem de você. Enquanto lêem o que escrevo, as pessoas que não me conhecem concebem inconscientemente uma imagem de mim. As que me conhecem também concebem inconscientemente uma imagem de mim, mas esta imagem é justaposta àquela que já possuíam.

No primeiro caso existe o risco de frustrar o leitor que não me conhece quando decido alterar a imagem que ele tem de mim, por pouco que seja. Não tenho muitos leitores, claro, mas já perdi alguns quando expus minhas posições políticas ou quando decidi que iria escrever como um dadaísta. Eu não sou um sujeito político, tampouco dadaísta, mas a liberdade — que eu faço questão de ter pelo menos neste teclado e neste site — pode custar caro.

No segundo caso existe o risco de frustrar ainda mais o leitor, porque ele vem aqui buscando confirmar algo que viu lá fora — aquela justaposição nunca é despretensiosa e inocente. O problema é que a constância lá fora é maior do que aqui. Neste caso eu não sou escravo das minhas palavras; minhas palavras é que são escravas daquilo que construí fora daqui, o que significa que eu não poderia expor aqui meu radicalismo político ou meu lado dadaísta simples e exatamente porque nunca os expus em outros momentos e lugares, para essas pessoas. O contraste entre minha personalidade (ou aquilo que elas acham que minha personalidade é) e minhas palavras as feriria de alguma forma. É chato ser bonzinho, mas é muito pior ser mau.

Imaginar que não há leitor algum e que tudo que acontece aqui é exatamente igual ao processo de produção destas linhas — solitário — ajuda, mas leva a uma honestidade cruel que não pode ser mantida senão como experiência, pois crueldade genuína sempre se volta contra o dono.

***

Este site passou no teste do bafômetro.

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3 comentários sobre “Steppenwolf

  1. Eu até concordo em parte no que você diz. Eu não ligaria tanto se você escreve ou deixa de escrever sobre política. O que importa, é que aquilo que você escreve, é uma forma interessante de fazer entender certos assuntos – pelo o menos para mim -, o que torna isso facilitado em certo aspectos. Por exemplo, eu não tenho essa visão política que você têm. E o que você escreve já ajuda para que eu possa ter outro pensamento sobre este assunto. De qualquer forma, para mim isso não será tão frustante. De um lado o escritor e do outro, apenas um leitor.

    Saudações.

    ;)

  2. escrever se torna obrigatório para si e não para os outros e de umas forma bem egoísta marca-se no tempo que confrontamos depois.
    experiencias que podem ser aceitas ou não, que importa? que bom que posso ler o que pensas, principalmente sabendo ser sincero na medida do possível e coerente , seja então um espelho sem imagem e deixe refletir a quem lê.

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