E-books

e-book

Recentemente fui contatado por uma estudante de jornalismo que me propôs uma entrevista por e-mail a respeito de e-books. Como alguns dos leitores deste site sabem, já faz tempo que disponibilizo e-books por aqui, embora eu não seja um ativista nesse sentido.

Como o tema me parece interessante e tem relação com discussões ainda mais sérias sobre direitos autorais e outras mídias eletrônicas, achei que seria adequado reproduzir a entrevista aqui.

Que tipos de e-books vc costuma ler?

Não tenho o costume de ler e-books. Gosto de tê-los à mão, tenho vários em meu PC e constantemente estou baixando alguns e, como você pode notar, disponibilizando outros em meu site pessoal. Eu tomo os ebooks como complementos dos livros comuns. Como são mídias muito diferentes dos livros comuns, eles têm qualidades e recursos que são impossíveis de existir no papel.

A maioria dos ebooks que coleciono é de livros que já li ou que pretendo comprar para ler. Os temas mais freqüentes para mim são filosofia, religião, artes marciais e filosofia das artes marciais, yoga e tradição hindu, política e alguns romances.

Quais as vantagens e desvantagens que você vê nos e-books, como consumidor?

Os e-books têm qualidades inexistentes nos livros tradicionais — e vice-versa. O que mais me atrai nos e-books é a possibilidade de acessar o conteúdo com mais facilidade e objetividade. Gosto de tê-los porque eles facilitam encontrar num livro que já li aquele trecho especial e memorável. Com eles é mais fácil também reproduzir alguns trechos no meu site ou para amigos, em emails.

Creio também que o e-book ajuda a dar maior visibilidade a certos títulos. Há autores que ganharam certa projeção na internet com e-books e que depois colheram os frutos disso.

A principal desvantagem do e-book é o desconforto da leitura. Até agora nada conseguiu superar o conforto do livro impresso, que pode ser lido em qualquer lugar, com a luz desejada, na posição desejada. O e-book ainda tem alguns obstáculos técnicos a superar para oferecer esse mesmo tipo de conforto ao leitor.

Você acha que o aumento no número da oferta de e-books vai aumentar também a pirataria, como foi o caso do mp3 com a indústria fonográfica?

É inevitável que os e-books sejam distribuídos de formas indesejadas ou não previstas pelas editoras. Mas, diferentemente do que ocorre com a música, no caso dos livros essa pirataria pode ser vantajosa. Quem tem o hábito da leitura ainda prefere livros. A mudança dessa situação depende do desenvolvimento de equipamentos leitores de e-books que possam oferecer conforto e praticidade pelo menos igual ao dos livros impressos.

No caso da música, o MP3 e a pirataria relacionada a esse formato mostrou-se muito mais prática e barata do que os CDs fabricados pela indústrica fonográfica. Baratos, os e-books já são, mas eles ainda não são tão práticos como os livros.

Em outras palavras, a pirataria vai aumentar, naturalmente, mas acho que isso não vai significar para as editoras nem metade dos problemas e prejuízos que a indústria fonográfica teve com o MP3, os programas P2P etc. É até bem possível que as editoras faturem mais com a popularização dos ebooks, mesmo que não haja ganhos diretos com esse formato.

Você acha que essa discussão sobre e-books deve ser levantada no Brasil, um país onde o acesso da população aos livros e a tecnologia de um modo geral é pequeno, se comparado a países como a Alemanha?

À primeira vista eu diria que sim, já que é importante que os livros tenham mais e mais projeção, dada a carência cultura existente no Brasil. Por outro lado, me pergunto quem seriam os protagonistas dessa discussão. O governo? Seria péssimo ver essa discussão em pauta pelas mãos do governo. As editoras? Ainda pior, pois a prioridade delas é o faturamento possível com os títulos e a inserção num mercado digital significa o risco delas sofrerem os mesmos problemas que hoje afetam a indústria fonográfica.

Quem poderia ter a iniciativa nessa discussão são primeiramente os próprios escritores, pois é do trabalho deles que estamos falando, e em seguida os leitores, que se servem desse trabalho. Blogueiros — os sérios — também têm alguma condição de contribuir para esse debate, já que eles já estão inseridos nessa digitalização da literatura desde sua origem. Além disso, a própria internet sugere modificações para a literatura e para a produção de livros — assim como há livros digitalizados disponíveis na internet, há livros que nasceram de blogs e de outros escritos publicados primeiramente na internet. O processo está longe de perder fôlego; embora não seja comum ler livros inteiros na internet, muitas pessoas gastam bastante tempo lendo muita coisa dessa forma — jornais, blogs, revistas, além de livros também.

Talvez algumas dessas discussões devam ser iniciadas “pelas bordas”, como aconteceu quando surgiu o Creative Commons ( http://www.creativecommons.org.br/ ) e, antes, o GNU ( http://pt.wikipedia.org/wiki/GNU ), que resultou nos softwares de código aberto. Creative Commons e GNU trouxeram à tona uma questão que está relacionada aos e-books e outras mídias digitais: a questão dos direitos autorais. No caso da propriedade intelectual (como é o caso dos e-books e das músicas), o que se coloca cada vez mais é que os direitos sejam dados principalmente a quem realmente os merece: os autores.

***
E você, leitor, como responderia estas perguntas?

.
link da imagem

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s