Summum bonum

buddha cards

O que é bom e o que não é bom — será que é tão difícil distinguir essas coisas, tão difícil que o indivíduo sente-se à vontade para declarar confusão em defesa própria?

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A perspectiva da própria insignificância, da morte e da extinção absoluta — todas as coisas que reduzem a condição humana àquilo que ela é ou àquilo que é seu destino podem ser superadas com ações que melhorem o mundo substancialmente, que tornem pessoas, ambientes, processos e coisas melhores.

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A presunção da qualidade não dispensa o indivíduo do exame constante da universalidade dessa presunção. Obviamente, esse exame começa dentro de si, não lá fora, no quintal alheio.

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Stricto sensu, a inexistência da maioria das pessoas poderia tornar o mundo melhor — ambientalistas, principalmente, têm argumentos bem elaborados a respeito disso e a noção de utilidade não abençoa todos igualmente. Mas não existe mundo em sentido estrito — aliás, existe algo em sentido estrito? Idéias revolucionárias erram com freqüência, e erram não apenas nas conclusões, mas nos pressupostos e sobretudo na facilidade com que tomam o mundo de uma forma rasa, como se os frutos da razão antecedessem a realidade.

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O mundo só pode ser encarado seriamente da forma como ele é — em sentido amplo, subjetivo, pessoal. Entendê-lo exige intimidade e isso não é possível a quem alimenta nojos e idéias como quem trata de gatinhos recém-nascidos.

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Em teoria, nada existe, nada basta, nada é suficientemente bom. Você pode ficar o resto da vida discutindo, se quiser, mesmo que esteja sozinho, e isso não lhe dará nenhuma garantia de que ao final você estará dois centímetros mais próximo da Verdade do que estava quando se tornou ranheta.

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A buddhist walks up to a hot dog stand and says to the guy: “Make me one with everything”.


A anedota prossegue, mas só faz sentido em inglês mesmo:

The guy makes the hot dog, and gives it to the buddhist. The buddhist pays with a twenty. The guy turns away, starts to leave.

Buddhist: “Where’s my change?”
Hot dog guy: “Change must come within.”

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4 comentários sobre “Summum bonum

  1. “A perspectiva da própria insignificância, da morte e da extinção absoluta — todas as coisas que reduzem a condição humana àquilo que ela é ou àquilo que é seu destino podem ser superadas com ações que melhorem o mundo substancialmente”

    Não acredito, em absoluto, na perspectiva da extinção absoluta. Tampouco em ações que melhorem o mundo substancialmente.

  2. Repost é assim mesmo.

    Eu também não acredito na perspectiva da extinção absoluta — agora, pós lições do Olavo.

    E vejo que também não acredito em «melhorar o mundo». Eu preservei traços desse slogan enquanto ele se mostrou inofensivo. Mas slogans contêm e constróem idéias e é evidente que há várias outras coisas muito mais importantes neste momento.

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