Um aviso e duas perguntas

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Retornarei depois do feriado, período em que dedicarei meu tempo à minha menina e à conclusão de meu mestrado — sobre isto, falarei no momento certo.

Por hora, tentem responder as questões abaixo, cujo cerne talvez seja objeto de posts futuros.

*
A fome ou a sede predispõem o indivíduo à eliminação da fome e da sede. Não existem indivíduos mais dispostos a receber água e comida do que o faminto e o sedento.

A ignorância, no entanto, não torna o indivíduo mais permeável à sabedoria; ela nem ao menos o leva a querer saber aquilo que ele não sabe. De um modo geral as pessoas se satisfazem com o pouco que sabem e o muito que ignoram; algumas chegam ao cúmulo de sentir orgulho dessa estreiteza. Em outras palavras: as pessoas que mais precisam de sabedoria, de inteligência e de conhecimento são aquelas que mais facilmente dispensam estas coisas. Estas pessoas não sabem que não sabem, não sabem que precisam saber e acreditam que já sabem tudo.

Vêm daí duas perguntas:

— Por que as pessoas são assim?

— É possível compartilhar conhecimento sem ser vítima do orgulho que as pessoas têm da própria ignorância?

(É claro que sei que parte dessas ponderações inclui a presunção de que o conhecimento é necessário para outrem, o que é algo bem parecido com ir à TV e dizer que você precisa de um novo secador de cabelos. Seja como for, eu aceito ser chamado de presunçoso desde que o leitor se disponha a demonstrar que o conhecimento pode não ser um bem necessário)

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5 comentários sobre “Um aviso e duas perguntas

  1. No primeiro caso, são necessidades instintivas. No segundo, espirituais. Em um ambiente que incentiva cada vez mais o instinto, quem sentirá falta de estudar?

    Os pensamentos mais fortes em circulação – na mídia, nas conversas, no trabalho – são os de fugir das responsabilidades e viver simplesmente pelos prazeres que escravizam. Assim, ninguém pode sentir falta da liberdade que vem com o conhecimento.

    Meu maior problema não é entender a ignorância, é saber lidar com ela, sem presunção, sem imposição e com real intento de ajudar (quando a ajuda será bem utilizada) ou me defender.

  2. Dificil responder. “O Jung diz que nem sempre se trata de resistência, muitas vezes é uma falta de imaginação e de reflexão o que constrange.” Esse trecho tirei de um email de minha mae.
    Uma possivel solucao a isso seria estimular a imaginacao das pessoas para outras possibilidades. Como? Nao sei.
    A maioria do povo de nossa regiao esta acostumado a que lhes passem a mao na cabeca, a serem vistos como vitimas, injusticados. Estao acomodados, passivos nessa postura de que o mundo lhes deve muito, mas que nao devem nada ao mundo. Eh essa a impressao que tenho. O Lula contribui muito pra este cenario se agravar ateh sabe se lah qual grau.
    Seria otimo se os idolos mudassem.
    Bem, como jah estamos cansados de saber, se eh dificil transformar a si mesmo, imagine transformar aos outros. Acredito que o melhor seja trabalhar na transformacao de si proprio, agir de acordo com a verdade. O que somos sempre influencia o que esta a nossa volta.

  3. A fome e a sede predispõe sim ao instinto de sobrevivência e quanto mais fome e sede sentimos deixamos de lado critério de qualidades ou de prazeres, deixando o instinto básico aflorar, se a oferta de alimento e agua são escassas comemos e bebemos dos alimentos mais improváveis e das aguas mais impuras.
    se dessa forma tivéssemos a ânsia do saber , quanto maior menos critério.
    nosso crescimento foi da necessidade, se há racionalidade minima ou conduta esta se fez pela necessidade e não pelo simples fato de querer ser sábio.
    quando você diz sabedoria fala de acumulo de cultura ou de aprendizado de vida?
    porque a diferença da sabedoria e do conhecimento , o conhecimento pode construir uma jangada a sabedoria diz da necessidade de aprender a nadar.
    Não se acorda um dia e por ler muito ou procurar informações se torna sábio, mas o que se faz com a informação recebida e o dia a dia a convivência consigo e com o resto do mundo.
    digo resto do mundo pois assim que percebemos o todo , pois tudo é percebido de nós para fora.
    se fala do conhecimento e da necessidade do saber mais, e da falta de vontade de descobrir novos horizontes e novas perspectivas , isso se torna pessoal e a ignorância nada mais é que uma benção.
    quanto mais se descobre mais responsabilidade adquirimos conosco e com os outros e se de tudo acreditamos tem um desígnio fica difícil a critica.
    é claro que tenho a enorme vontade de incinerar uma cidade inteira em alguns momentos e me achar o único ser pensante da face da terra e dos absurdos cometidos pela falta de critério e de civilidade, mas a arrogância de meu pensamento já fala o quanto me falta de sabedoria.
    em uma mesa posta com talheres de prata e taça de cristal, um vinho de uma boa safra com um fundo musical apropriado e uma refeição balanceada e temperada com ervas finas, acharia um gafanhoto vivo uma iguaria bem indigesta, mas de uma forma ou de outra tive oportunidade de ter parâmetros de julgamento, mas na fome cruel este inseto não teria a menor chance comigo.
    Quero dizer com isso que na critica aos outros esquecemos que alguns, digo alguns não tem uma procura por falta de conhecer algo melhor que
    lhe sirva de ponto de referencia e aqueles que tiveram oportunidade também esquivam-se da responsabilidade por se acharem superiores.
    outros também lhe cabem o que sabem e não querem mais nenhum conhecimento, por covardia, medo ou por comodismo mesmo, não existindo a fome e nem a sede não há necessidade da água e da comida.
    mas não somos todos assim?
    Não discordo da procura de conhecimento mas a grama que outros plantaram muitas vaquinhas de presépio pastam e ruminam as mesmas palavras, nada acrescenta e o que adquiriu ainda retorna na forma de fezes em um gramado que outrora foi deixado para ser feito um jardim.
    Isso também não é ignorância? comodismo? ou palavras bonitas proferidas de livros com profundo teor de sabedoria nos torna sábios?

  4. Olá, meu comentário está meio atrasado mas é que estava lendo suas postagens anteriores agora. Isso me lembra de um treinamento para professores do qual participei onde os novos professores eram aconselhados a 1) não corrigir os alunos a não ser que seja um erro crasso, “para não expor o aluno” e 2) não mencionar certos assuntos polêmicos como religião e política. Acho que orientações como essas da parte dos próprios educadores vão aumentando o “orgulho que a pessoa tem da própria ignorância”, como você mesmo disse. Pois se um aluno nunca é corrigido, ele passará a achar que está sempre certo, não? Até mais!

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