Prevenindo e combatendo pragas virtuais

virus pc

O objetivo deste pequeno guia é listar e explicar brevemente os principais passos necessários para lidar com pragas virtuais. Isto inclui prevenção, detecção e resolução de problemas como vírus, invasões e perda de contas de email, Orkut e outros tipos de informações pessoais na Internet.

A maioria das dicas que passarei aqui é genérica, isto é, elas não se aplicam diretamente a uma praga específica ou a um tipo específico de invasão, conta hackeada no Orkut ou MSN, popups saltando enquanto você navega etc.

Embora genéricas, essas dicas podem ajudar a melhorar a segurança ao usar internet e deixar o PC mais estável — e, em alguns casos, podem ajudar a remediar problemas bastante comuns, como infecções de vírus e invasões ou hackeamentos de contas.

Lembro ao leitor que não sou técnico e muitas das sugestões deste manual apenas fazem parte de meus hábitos como usuário de PC e internauta. Recomendarei alguns programas, mas a afinidade pessoal também determina certas escolhas.

Update (8/8/2009): embora a maioria das pessoas chegue a este post por buscar um item específico e com isso seja impelida a dispensar todo o restante, algumas dicas que aqui coloquei só farão sentido se entendidas dentro de um contexto um pouco maior, que é o que efetivamente define um computador limpo, seguro e estável.

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O primeiro passo é fazer um checklist e tornar isso um hábito. Trata-se de uma verificação pessoal da condição geral do PC. Travamentos e lentidão não são eventos normais. Estes dois sinais são suficientes para desconfiar que há algo errado no PC e passar ao próximo passo deste pequeno manual. Além disso, em informática nem sempre vale aquela regra que diz que «não se mexe em time que está ganhando». Um PC em boas condições precisa ser verificado também (sobre o PC sem problemas aparentes falarei no final deste breve manual).

Quando se percebe algum problema, este checklist costuma ajudar bastante para detectar o problema e começar a organizar os procedimentos que vão salvar o PC:

1) Você deixou seu PC sem antivirus e firewall? Você esqueceu de atualizá-los?
Antivirus e firewall não são acessórios. Use-os sempre. Algumas pessoas dizem que firewall é dispensável ou que o firewall nativo do Windows é suficiente. O problema é que o firewall do Windows é simplório e não lhe dará o controle necessário sobre seu PC. Tenha sempre bons programas de segurança instalados em seu PC. E, claro, mantenha-os atualizados — no que diz respeito à segurança, downgrade não é um bom negócio.

2) Você abriu arquivos que recebeu por email ou MSN recentemente? Havia alguma chance de serem arquivos suspeitos?
Na internet, quase todo cordeiro é um lobo em potencial. Por mais que você confie em seus amigos, não é impossível que eles tenham sido vítimas de invasões ou vírus, que causam o envio (às vezes automático) de outros vírus. Certa vez recebi um vírus num anexo de um email. Abri achando que era um arquivo legítimo porque um amigo havia ficado de enviar um anexo importante no mesmo dia. Mas esse amigo estava com o PC contaminado por um vírus que se propagou por email. Por pouco não tive o meu PC contaminado. A recomendação é: mantenha o desconfiômetro ligado sempre. Sempre que tiver chance, confirme o recebimento de anexos com o remetente, que dirá se ele mesmo enviou o email ou se foi um «envio automático», isto é, um vírus. No MSN são bem comuns alguns tipos de vírus (adwares) que repassam automaticamente propagandas de links aos seus contatos.

3) Você clicou em links curiosos, divertidos ou estranhos no Orkut recentemente?
Não seja um «clicador maluco», tenha critério, saiba o que está fazendo ao clicar num link. Vale aqui a mesma regra dos arquivos recebidos por email e MSN: se você não pediu, não use, não abra, não clique. Você abre sua página de recados e está lá estampada uma mensagem dizendo que a pessoa ama você ou que você vai ganhar um prêmio incrível, seguida de um link que supostamente o leva à pessoa ou ao prêmio. Não pretendo discutir as razões que fazem as pessoas cairem nessas coisas, apenas alerto que quando essas coisas são legítimas elas se manifestam de outras formas, não pelo Orkut ou outras redes sociais, tampouco oferecem links com nomes estranhos. É de grande ajuda aliás, observar a barra de status de seu navegador. Nela você pode ver se o link realmente aponta para o site que é exibido nele.

4) Seu navegador é o Internet Explorer?
Os navegadores deveriam ser considerados programas de segurança. Assim como um bom carro garante sua segurança numa estrada, o navegador ajuda em sua segurança na internet. A maioria dos navegadores hoje tem proteção contra fraude — inclusive o Microsoft Internet Explorer. O problema dos navegadores mais populares é justamente sua popularidade: quanto mais pessoas usando, mais pessoas tentarão criar vírus especificamente para esses programas e explorar vulnerabilidades que só existem neles. O Internet Explorer é um exemplo clássico disso. A versão 6 era especialmente vulnerável a fraudes de diversos tipos. As versões posteriores melhoraram a segurança, mas fizeram isso às custas de leveza e velocidade da navegação e nem todas as vulnerabilidades foram eliminadas. O Firefox tem menos problemas, mas sua popularidade tem atraído a atenção de hackers e adolescentes desocupados. Eu recomendo fortemente o uso do Opera. O Firefox também é boa opção. Apenas fique longe do Internet Explorer.

5) Suas senhas de email, MSN e Orkut têm menos de 10 dígitos e/ou são só numéricas ou só alfabéticas?
Na Internet o acesso a quase todos os serviços importantes baseia-se em senhas. Ainda não inventaram o cadeado virtual e a biometria ainda vai levar tempo até chegar aos serivços online — GMail, Hotmail, Orkut e congêneres. As senhas são a única barreira real entre sua conta e um invasor. Por isso, senhas fortes são fundamentais. Não é necessário usar senhas hexadecimais com 64 caracteres; embora elas sejam praticamente inquebráveis, dificilmente você conseguirá usá-las com praticidade. Senhas com 10 dígitos ou mais, que combinem letras, números e símbolos de forma aparentemente aleatória já são um bom começo. Naturalmente, é bom que as senhas sejam fáceis de lembrar, o que dispensará o usuário de anotá-las num papel (o que não é um procedimento seguro) ou no próprio PC (pior ainda) e prevenirá surtos de amnésia (eles acontecem, acredite); mas não tão fáceis a ponto de poderem ser adivinhadas por qualquer pessoa que saiba o dia do seu nascimento ou o nome de sua namorada. Uma boa forma de criar senhas é combinar duas, três ou quatro informações diferentes e misturá-las numa senha só. Caracteres comuns podem ser substituídos por símbolos, como por exemplo L torna-se £ ou S torna-se § e assim por diante. E lembre-se de trocar as senhas com freqüência. Quanto mais tempo com a mesma senha, mais tempo você dará ao invasor para tentar quebrá-la.

6) Você tem inimigos? Pessoas que teriam algum motivo para querer ferrar você na internet?
Aqui entra a «engenharia social». Se estamos falando de um vírus que você abriu acidentalmente de um anexo, trata-se de um caso como outros 99% da rede, um «tiro no escuro», sujeiras que os criminosos lançam na rede e esperam que algum usuário incauto os aceite. Se se trata de uma invasão direta a uma conta sua ou ao seu PC, vale a pena verificar até onde isso foi fruto de uma falha ou desatenção sua ou um ataque especialmente planejado para seu PC ou sua conta. São casos raros, mas é importante ter certeza se é um ataque pessoal ou não. E se realmente for pessoal, talvez seja o caso de procurar um advogado especializado em crimes pela Internet.

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Se você respondeu «sim» a algumas dessas perguntas, é quase certo que seu PC está contaminado ou sua conta realmente foi invadida. Passemos então aos procedimentos para limpar seu PC e recuperar suas contas. Como são dois problemas diferentes em muitos aspectos, os procedimentos também são um pouco diferentes.

Apesar das diferenças, vale lembrar que quase todas as invasões de contas são resultado da contaminação do PC. Por exemplo, os trojans (ou cavalos-de-tróia) é um tipo de virus muito comum que faz o que o nome sugere: ele é plantado no PC com a função de permitir que o criminoso o invada e o controle.

No caso de uma conta invadida ou hackeada, o primeiro passou é organizar provas da invasão e enviar aos responsáveis pelo serviço. Isto costuma funcionar, pois os responsáveis pelos sites têm todos os recursos técnicos para desfazer a ação do hacker. Há vários casos bem sucedidos de usuários que perderam seus perfis no Orkut e suas contas no GMail e, graças à boa documentação, conseguiram recuperar suas informações pessoais.

Tentar hackear o invasor para recuperar suas contas não é boa idéia. Algumas pessoas tentam fazer isso, mas eu não recomendo esse tipo de solução: o invasor já teve a vantagem da iniciativa e provavelmente sabe mais do que você sobre procedimentos ilegais na Internet. É quase certo que você estará sempre um passo atrás dele e, no fim, o problema pode ficar ainda mais sério.

Caso você não consiga recuperar sua conta com a ajuda do servidor, verifique se você ainda consegue acessá-la. Caso consiga acessá-la, é sinal de que o invasor não mudou sua senha (algo relativamente comum para não denunciar a invasão da conta). Neste caso você pode limpar seu PC e fazer a alteração da senha.

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A limpeza do PC começa com a verificação completa com um bom antivirus devidamente atualizado. Recomendo o Avira, que é gratuito e fácil de instalar e configurar. No caso do Avira bem configurado, ele detectará e removerá o vírus automaticamente. Feito isto, faça nova verificação para garantir que o PC realmente livrou-se do vírus.

Caso queira uma segunda opinião — o que em segurança de informática é algo altamente recomendado — use o A-Squared free. Este programa oferece proteção ainda mais poderosa do que a do Avira contra spywares (outra forma de vírus ou, como dizem alguns, malware), mas na versão gratuita só pode ser usado para verificações manuais — isto é, não serve para proteção ativa, enquanto o usuário navega ou trabalha com seu PC. Mesmo assim, ele é uma ótima opção para uma nova varredura no PC. O A-Squared também é fácil de instalar e configurar.

— Há casos em que o PC está tão infectado que é impossível sequer rodar um antivirus nele. Mas, curiosamente, a navegação continua funcionando sem problemas. Para estes casos — bem comuns, aliás — um antivirus online pode ajudar ou até resolver a infecção. Um bom serviço online é o da F-Secure, que também produz um bom antivirus pago.

— Seja qual for o programa escolhido, esteja atento aos falsos positivos. Quanto mais poderoso um programa de proteção, maiores as chances dele classificar como vírus um arquivo que não é vírus — isso é o falso positivo. E apagar um arquivo legítimo pode causar problemas bem sérios a você e ao seu PC. Portanto, siga a regra de ouro: tenha sempre consciência do que está fazendo. É bem simples ler os relatórios que o antivirus gera depois de uma verificação e conferir (via Internet, por exemplo) se aquilo que ele chama de vírus é realmente um vírus ou é um falso positivo. O site VirusTotal é uma espécie de «prova dos nove» e é grande ajuda em relação a potenciais falsos positivos.

— Limpar o PC inlui também eliminar as informações confidenciais contidas nele. Não falo de seus arquivos pessoais, pois você certamente prefere mantê-los no PC. Refiro-me aos cookies e outros dados que são usados por seu navegador para personalizar e agilizar a navegação. O site do Firefox também oferece boas explicações sobre cookies e de como configurar o navegador para gerenciá-los de forma segura.

Históricos de internet e senhas pessoais também são informações confidenciais de seu PC; muitas vezes elas são gravadas automaticamente em seu navegador e também devem ser eliminadas regularmente.

A forma mais prática de se fazer isso é usar um programa que realize a tarefa automaticamente, como o CCleaner (aqui você encontra um bom guia de utilização desse programa simples e eficiente). Mas recomendo a configuração de seu navegador para que isso seja feito independentemente do uso de um programa de limpeza. Todo navegador atual dispõe dessas configurações, mas continuo recomendando o uso do Opera para isso — ou o Firefox, se for de sua preferência.

Assegurando-se de que o PC está limpo, instale um bom firewall, caso você já não o tenha. Ele o ajudará a prevenir invasões em seu PC e oferecerá maior controle sobre ele; com o firewall é muito mais fácil monitorar as transferências de dados durante a navegação ou a evolução dos processos ativos em seu PC. Não pretendo entrar em detalhes sobre isso aqui — o que poderia render dezenas de posts. Por hora, recomendo qualquer um destes três firewalls, provavelmente nesta ordem: Comodo, Online Armor e Outpost, todos gratuitos.

Uma vez feita a limpeza do PC com o antivirus e com alguma programa de limpeza e manutenção do sistema e instalado o firewall, você pode partir para a alteração das senhas.

Neste ponto seu PC deverá estar limpo e suas contas (se foram invadidas) terão sido recuperadas, com senhas novas e fortes. Se não é este o caso ainda, reveja os passos acima e verifique novamente o PC e suas contas.

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A prevenção é tão importante quanto a cura. Esta regra vale para computadores também. De pouco adianta livrar o PC de virus e recuperar as contas se você continua tendo maus hábitos de navegação e usando programas de segurança ruins e/ou desatualizados.

O checklist que propus no início pode ser usado também para aperfeiçoar os procedimentos de prevenção. Ao detectar a origem de uma contaminação ou invasão, é possível também descobrir os melhores meios de prevenir novas contaminações e novas invasões. Obviamente, você terá mais informações e mais experiência para evitar novos problemas.

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Outros aspectos importantes da segurança no uso de PCs e na navegação

Um programa de proteção ruim pode ser pior do que nenhuma proteção, porque ele dá a sensação de ter o PC protegido quando na verdade seu PC continua vulnerável. Exemplo clássico disso é o Avast, antivirus muito famoso entre os internautas brasileiros, mas que em quase todos os testes de que tem participado tem se mostrado muito fraco na detecção e na remoção de virus. O Avast tem três qualidades que lhe deram boa fama: é gratuito, tem versão em português e a interface é visualmente agradável. O problema é que esses três itens não têm nada a ver com segurança; um programa pode ser bonito e ineficiente (como é o caso do Avast) ou pode ser feio e poderoso (como é o caso do Avira, cujo visual eu considero medíocre). Além disso, vale lembrar que os melhores programas de proteção ainda não têm versão em português. Para escolher um bom programa, pesquise fóruns de discussão sobre segurança. Norton, McAfee e Kaspersky, nomes fortes quando se fala de antivirus, já tiveram dias melhores. Kaspersky continua sendo um bom antivirus, mas é pago. Norton e McAfee não recomendo para ninguém; estes dois programas são no máximo medíocres.

Não existe proteção real sem conhecimento. E conhecimento significa pesquisar fóruns de discussão, ler manuais, acompanhar e realizar testes e muito mais além disso. Se você é do tipo que não quer saber porque acha que isso tudo dá trabalho pacas, saiba que, sim, realmente dá trabalho e que não querer saber significa duas coisas: 1) você terá que pagar para alguém tornar o seu PC seguro ou 2) seu PC simplesmente não estará seguro.

Programas de proteção são fundamentais, a não ser que você seja um especialista em informática com hábitos de navegação muito espartanos (e mesmo que você mantenha seu PC desconectado sempre, em algum momento você vai rodar um CD nele, aí então…). Alguns desses especialistas dizem que é possível navegar com segurança sem um firewall, sem um antivirus ou sem os dois. Sim, é, mas o uso desses programas, embora consuma recursos de seu PC, economiza tempo precioso. Você não precisa se tornar um especialista; basta ler um pouco, pesquisar e saber escolher bons programas. Com efeito, a função mais importante dos firewalls (em particular aqueles dotados de HIPS) é precisamente informar ao usuário o que é que está acontecendo no PC, o que entra, o que sai, o que está em atividade, o que está tentando ser ativado etc. Sem um firewall fica bem mais difícil ter esse controle e obter essas informações. O antivirus, analogamente, é importante por motivo semelhante: o usuário não terá que verificar manualmente cada arquivo recebido ou aberto; o antivirus já possui um banco de dados e recursos para avaliar se o arquivo é seguro ou nocivo.

Mantenha o desconfiômetro sempre ligado. Por melhores que sejam os programas que você usa, por mais estável e seguro que seja seu PC, é fundamental estar atento. Ainda não inventaram programa à prova de estupidez. Antivirus e firewalls podem avisar sobre arquivos e processos suspeitos e até bloqueá-los automaticamente, sem intervenção do usuário, mas na maioria dos casos é decisão do usuário permitir que esses arquivos e processos invadam de vez o PC ou não. Os programas ajudam na proteção do PC, mas é você que controla esses programas.

Programas de proteção sempre vão alterar o desempenho do PC. É comum dizerem «Ah, esse programa deixou a Internet lenta» ou «Meu PC está demorando mais pra ligar/desligar». É claro. Antes seu PC fazia essas coisas sem qualquer tipo de verificação dos processos e do tráfego de dados. Agora, com programas instalados nele, essa verificação é feita, consome tempo e recursos. Inclusive por isso é importante colher informações sobre os programas que você pretende instalar em seu PC; o desempenho varia muito. Por exemplo, os melhores programas da atualidade são aqueles que combinam «engines» (motores) de dois ou três programas diferentes. De fato são excelentes na proteção, mas consomem tantos recursos do PC que é praticamente impossível utilizá-los sem ficar irritado e sem prejudicar o desempenho do PC naquilo que realmente importa, como trabalho e estudo. Há programas que consomem alguns recursos do PC (como memória RAM) e que aumentam um pouco o tempo para ligar e desligar, mas que não alteram em quase nada a navegação (é o caso da versão paga do A-Squared).

— Antes de passar ao próximo item, vale lembrar que não existe almoço grátis. Existem hoje vários programas gratuitos, alguns até melhores do que programas pagos. A questão é que você vai pagar por eles de alguma forma. Seja aceitando um adware (um banner ou uma malfadada barra de pesquisa em seu navegador), seja participando da rede do desenvolvedor, seja visualizando banners no próprio programa ou, mais tarde, de formas que ainda serão inventadas. Como ninguém tem paciência para ler as EULA e na prática elas têm pouco ou nenhum efeito, vale a pena, como antes, manter-se atento às ações do desenvolvedor dos programas que você usa. Dispor de fóruns de discussão, atualizações constantes, correções rápidas de bugs e vulnerabilidades e um bom suporte, mesmo em programas gratuitos, são sinais de desenvolvedores que respeitam seus usuários e seus próprios produtos. Na apresentação, os programas sempre serão perfeitos; o que vale realmente são as ações que essas empresas realizam, como os produtos funcionam na prática. Vai usar um programa gratuito e que você não conhece? Pesquise, pesquise, pesquise — e, claro, RTFM.

Programas gratuitos que recomendo

Reiterando o que eu disse antes, entre os antivirus recomendo o Avira e o A-Squared, lembrando que este último não oferece proteção ativa em sua versão gratuita e só pode ser usado para verificações manuais.

Entre os firewalls, recomendo o Comodo, o Online Armor e o Outpost. Todos eles oferecem HIPS, isto é, proteção contra processos suspeitos, além, é claro, de serem firewalls sólidos.

Existem bons programas pagos, como F-Secure, Kaspersky, além das versões pagas dos programas que indiquei acima. Mas aqueles programas gratuitos já oferecem excelentes níveis de proteção. As vantagens dos programas pagos, em muitos casos, é a abundância de extras que alteram pouco a proteção propriamente dita e/ou a disponibilidade de um suporte personalizado, o que pode agradar àqueles usuários que, como citei antes, preferem ter à disposição a ajuda de um técnico a resolver as coisas sozinho.

Nomenclaturas

O que ontem era chamado virus, hoje é chamado de malware. Malware é todo tipo de arquivo ou código que pode se infiltrar em seu PC e oferecer riscos a ele e às informações contidas nele. Há além disso os spywares e os adwares. Os spywares, como o nome sugere, são arquivos ou códigos que funcionam como espiões. Os adwares são arquivos ou códigos que exibem propagandas, redirecionam a navegação para sites específicos ou criam banners e barras de ferramentas sem que o usuário deseje estas coisas.

Algumas pessoas não classificam spywares e adwares como malwares, porque esses dois tipos de virus nem sempre representam ameaças reais ao PC, eles apenas enchem o saco. Em minha opinião, adwares e spywares são malwares, porque em 99% dos casos eles são usados como porta de entrada para malwares realmente perigosos. Mas há o outro 1%, os casos em que são lícitos. Por exemplo, o MSN Messenger é recheado de adwares (há abas só de propagandas, além de banners na tela principal do programa), mas não há indícios de que sejam potencialmente perigosos para o PC. O mesmo vale para o CoolSMS, programinha muito popular para envio de mensagens de texto para celulares.

Saiba o que está acontecendo em seu PC.

Tudo está funcionando às mil maravilhas, os programas abrem sem engasgos, a navegação é ágil. O PC está limpo e seguro? Nem sempre. Uma das características dos malwares mais recentes é não ferrar o PC da vítima, não dar bandeira, trabalhar silenciosamente, contando com a tranqüilidade do usuário incauto. Antigamente, costumava-se associar vírus a estragos de grande porte no PC. Hoje, a maioria dos vírus presta-se a dois objetivos muito específicos: invasão de contas pessoais (emails, bancos etc.) para obter algum ganho financeiro e propagação de spams. Por isso, um pressuposto é que o trabalho seja o mais discreto possível. Quanto menos a rotina da vítima for alterada, maior a liberdade para agir nos «bastidores» do PC. Em alguns casos a vítima só percebe que há um vírus em seu computador quando puxa um extrato bancário e vê a conta zerada ou quando tenta acessar emails ou outras contas pessoais e não consegue — aí já é tarde demais.

Como identificar as pragas nessas circunstâncias? Como informação nunca é demais, há três programas que podem ser utilizados para esse fim. O principal deles é o Gerenciador de Tarefas, aquele utilitário que você vê toda vez que usa CTRL+ALT+DEL no Windows. A aba «applications» mostra os programas que estão ligados; a aba «processes» mostra os processos que efetivamente sustentam a atividade do PC — por exemplo, existe um processo que permite que o teclado funcione, outro para o som, outro que permite que o Windows ative os programas instalados em seu PC, outro processo que corresponde ao seu antivirus, que geralmente fica funcionando em segundo plano etc. O problema do Gerenciador de tarefas é que ele é simplório. Ele oferece informações muito básicas. Recomendo, ao invés, que se use o Process Explorer, programa leve e gratuito semelhante ao Gerenciador de Tarefas. Com ele é fácil visualizar os processos e obter informações detalhadas sobre cada um deles.

Outro programa fundamental para monitorar a atividade em seu PC é o HijackThis, um programa muito simples, mas relativamente difícil de usar. Em linhas gerais o que o HijackThis faz é verificar o registro do Windows atrás de comandos suspeitos. Ele gera um log (um relatório) que pode ser usado para análises em fóruns de segurança e para alterações no próprio registro.

Se você é leigo, basta saber que o HijackThis existe. Para usá-lo busque a ajuda de um usuário experiente. O uso indevido do HijackThis pode danificar o funcionamento do Windows e dos programas instalados no PC. O mesmo vale para o AutoRuns, um programa complexo e muito útil que permite monitorar todos os programas e processos que são iniciados com o sistema — e modificar essa inicialização.

Formatar o PC pode ser uma boa opção, ainda que tantas pessoas falem de formatação com aquela cara de quem deixou o bolo queimar no forno. Formatar o PC significa, falando com mais precisão, apagar completamente o HD e todas as informações do sistema, programas e, em muitos casos, seus arquivos pessoais. Em outras palavras, significa recomeçar o sistema do zero, passar longo tempo instalando o sistema operacional e os programas que você utilizava.

A vantagem da formatação é que são raríssimos os vírus que sobrevivem a uma formatação. Se se trata de um vírus no PC e você não consegue eliminá-lo com o antivirus ou de várias outras formas que você já tentou, formatar pode ser uma boa opção. Vale a pena conferir se:

O que determina se a formatação é uma boa solução ou não? É fundamental saber se você:

1) Realmente não consegue solucionar o problema, isto é, já tentou de diversas formas e já pesquisou em fóruns de discussão.
2) Encontrou a solução, mas ela é muito mais trabalhosa do que a formatação.
3) Sabe formatar um PC ou não.
4) Tem todos os recursos para formatação à mão ou não (CDs de instalação, programas etc.).
5) Tem tempo para fazer a formatação.

Não pretendo aqui escrever um guia sobre formatação (há vários bons tutoriais na Internet, como este), mas os itens acima são os que considero fundamentais e é com base neles que decido pela formatação ou não.

Apenas saiba que a opção existe e que não é o fim do mundo. Caso decida fazer a formatação e nunca fez, procure ajuda de uma pessoa experiente e reveja os cinco itens acima. Entre os recursos necessários, é fundamental ter à mão os drivers de seu PC (os programas e arquivos que fazem os dispositivos funcionar, como webcam, sistema de áudio, monitor, equipamentos que nem sempre são reconhecidos automaticamente pelo Windows) e seus arquivos pessoais (sempre bom ter backups desses arquivos). No caso dos seus arquivos pessoais, um HD particionado sempre é útil, porque permite que você formate seu PC sem precisar mexer neles. Uma boa explicação sobre isso pode ser encontrada aqui.

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De um modo geral, todas as regras e recomendações oferecidas até aqui resumem-se a uma palavra: conhecimento. Saber o que acontece em seu PC, buscar as causas dos problemas, manter-se atento ao funcionamento dele e às pequenas variações em seu desempenho — todas estas coisas significam que você tem o controle de sua própria máquina e, portanto, não estará à mercê de pragas ou invasões virtuais.

Saiba também que muita informação está à disposição na Internet. O objetivo deste pequeno guia foi reunir algumas dessas informações encontradas na rede e outras, que fui aperfeiçoando conforme meus próprios hábitos como usuário de PC e curioso. É importante saber o que é mais adequado para você.

Por fim, as dicas deste guia referem-se mormente ao sistema que uso, o Windows XP. Para o Vista e para o Windows Seven talvez algumas soluções sejam um pouco diferentes. Para o Linux, as diferenças certamente são ainda maiores.

Novamente, conheça o seu PC, conheça o sistema operacional que está utilizando.

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É claro que, em razão do empirismo que serviu de base para este guia, algumas dicas podem parecer estranhas ou até inadequadas — ou podem simplesmente não servir para casos ou usuários específicos. Fique à vontade para sugerir novas dicas ou criticar e comentar as soluções propostas aqui. Não sou técnico, também estou aprendendo e apenas decidi compartilhar aquilo que aprendi — muitas vezes errando e perdendo horas à frente do PC até encontrar o ajuste que era ideal para as minhas necessidades. É bem possível que você, pesquisando e mexendo em seu PC, encontre soluções mais adequadas a você. Se tiver chance, compartilhe-as aqui nos comentários deste guia e também nos fóruns de discussão, sempre que um iniciante pedir ajuda.

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