Opinião e fato

guru

Trecho do livro “Sufismo no ocidente”

.

Um mestre que conhecia o caminho para a sabedoria foi visitado por um grupo de buscadores. Encontraram-no num pátio, cercado de discípulos, em meio ao que parecia ser uma festa.

Alguns buscadores disseram:
— Que ofensivo, esta não é a forma de se comportar, qualquer que seja o pretexto.

Outros disseram:
— Isto nos parece excelente, gostamos desta sessão de ensinamento e desejamos participar dela.

E outros disseram:
— Estamos meio perplexos e queremos saber mais sobre este enigma.

Os demais buscadores comentaram entre si:
— Pode haver alguma sabedoria nisto, mas não sabemos se devemos perguntar ou não.

O mestre afastou todos.

Todas estas pessoas, em conversas ou por escrito, difundiram suas opiniões sobre o ocorrido. Mesmo aqueles que não falaram por experiência direta foram afetados por ele, e suas palavras e obras refletiram sua opinião a respeito.

Algum tempo depois, determinados membros do grupo de buscadores passaram novamente por ali e foram ver o mestre. Parados à sua porta, observaram que, no pátio, ele e seus discípulos estavam agora sentados com decoro, em profunda contemplação.

— Assim está melhor — disseram alguns dos visitantes. — É evidente que alguma coisa aprenderam com os nossos protestos.
— Isto é excelente — falaram outros — porque, na última vez, sem sombra de dúvida ele só nos estava colocando à prova.
— Isto é demasiado sombrio — outros disseram. — Podíamos ter encontrado caras sérias em qualquer lugar.

E houve outras opiniões, faladas e pensadas. O sábio, quando terminou o tempo de reflexão, dispensou todos estes visitantes.

Muito tempo depois, um pequeno número deles voltou para pedir sua interpretação do que haviam experimentado. Apresentaram-se diante da porta e olharam para dentro do pátio. O mestre estava sentado, sozinho, nem em divertimento, nem em meditação. Em parte alguma se via qualquer dos seus anteriores discípulos.

— Agora podem escutar a história completa — disse-lhes. — Pude despedir meus discípulos, já que a tarefa foi realizada. Quando vieram pela primeira vez, a aula tinha estado demasiadamente séria. Eu estava aplicando o corretivo. Na segunda vez em que vieram, haviam estado demasiado alegres. Eu estava aplicando o corretivo. Quando um homem está trabalhando, nem sempre se explica diante de visitantes eventuais, por muito interessado que eles acreditem estar. Quando uma ação está em andamento, o que conta é a correta realização dessa ação. Nestas circunstâncias, a avaliação externa torna-se um assunto secundário.

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Um comentário sobre “Opinião e fato

  1. Isso é brilhante, Christian, nada menos.

    Em um mundo (pra não falar de governos) que cacareja insessantemente antes, durante e depois de não fazer NADA – ( e ainda ganhar prêmios por isso!) é alentador “um fio reto” de pensamento desses.

    Abraço!

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