Tat

É surpreendente que tantas pessoas consigam afirmar diversas coisas sobre si mesmas — «eu sou João», «eu sou advogado», «eu sou pobre», «eu sou alto» — sem reconhecer o elemento comum a todas as afirmações: «eu sou», a existência pura e absoluta que não se refere a nada além de si mesma.

No mais das vezes trata-se de uma falha disciplinar. Estas pessoas não têm a auto-afirmação como hábito e não a encaram de forma metódica, com a disposição sincera de usá-la para evoluir — isto é, afastar-se das trevas e aproximar-se da luz. Para elas, a auto-afirmação equivale a, quando se é criança, a mostrar o pipi para provar que é um menino. Logicamente, provas e demonstrações são desnecessárias quando o indivíduo reconhece sua própria natureza. E sua própria natureza dispensa referenciais, parâmetros, predicados, atributos.

Vá para um cômodo silencioso, onde seja possível ouvir o som da própria respiração. Deite-se, apague a luz. Assegure-se de que não será incomodado por ninguém, nenhum som ou luz. Imagine-se morrendo. Usando a mente observe o que acontece com seu corpo. Em seguida, aprofunde esta observação de modo que você consiga observar os próprios pensamentos e até mesmo as reações diante desta experiência. Aprofunde a observação e recue cada vez mais, a ponto de observar mentalmente o próprio observador inicial. Caso continue avançando e aprofundando esta prática de observação, poderá notar que não existe uma «observação mental» e que não faz mais sentido assumir que tais coisas acontecem «fisicamente», «mentalmente» ou que existe um protagonista neste processo.

A partir daí perdem sentido todas as frases que começam com «eu». Tudo se resume a movimentos e processos. O «eu» é um reflexo da pulsação do coração de Deus.

Ainda é possível notar um corpo — que se movimenta, ingere alimento, respira — e uma mente — que produz imagens, desejos, emoções –, mas nada disso têm muita importância, desde que você encontre meios de mantê-los unidos. A natureza do corpo e da mente os conduz naturalmente à sobrevivência — dormir quando há sono, comer quando há fome. Tudo é muito simples.

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