Guia das Eleições 2010

Chega de votar em quem é pior do que nós. Não espero que o sujeito seja melhor do que eu em tudo, mas solidez moral e senso de responsabilidade devem ser os atributos mínimos exigidos daqueles que pretendem conduzir o país. Hoje se exige mais de um candidato a zelador do que de um candidato a presidente.

— O pressuposto elementar de todas as pesquisas eleitorais é a idéia de que existe algo mais importante que a própria consciência individual na hora de escolher um candidato. É óbvio que não existe — a própria idéia de democracia apóia-se no crivo da consciência individual. Ignore as pesquisas eleitorais, todas elas, sobretudo quando o responsável por uma dessas pesquisas afirma que tal candidato já está eleito.

— O nível de exigência e as atribuições mudam a cada esfera e a cada cargo. Ainda há candidatos e eleitores que embarcam no conto do «ele vai cuidar da nossa cidade» e do «a nossa voz na Assembléia/Câmara/Senado». Estas coisas caem bem para um vereador de cidade do interior, não para um deputado, muito menos para um senador. Ao legislador cabe fundamentalmente fazer leis — para isso ele deve estar mais preocupado com princípios e valores morais do que com os buracos da estradinha que dá acesso à zona rural da cidade em que nasceu. E não me venha com aquele papo de «realidade»: não há nada mais real do que uma nação desmoralizada pela traição de seus líderes.

— A repetição da idéia de que vivemos numa democracia não significa que vivemos numa democracia de fato. Um governo que dura oito anos e dedica a maior parte desse tempo a garantir sua manutenção no poder — via publicidade, manipulação de verbas e instituições públicas, ideologização e partidarização de todas as esferas do poder público — simplesmente não gosta de democracia. Isto nos leva a perguntar o que é democracia de fato e a perceber que as eleições são uma pequena parte dessa equação. Os militares de 1964 sabiam disso.

— O resultado objetivo de uma eleição é muito, mas não é tudo. O que realmente arruína um país não é um governo malévolo, mas a inexistência de oposição a este mal. Mesmo que o mal vença novamente, a derrota não terá sido total se a eleição resultar na reconstrução de uma oposição séria — link 1, link 2 e link 3.

Resumindo:

Resumo da ópera

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